Convivendo

Honestidade

Homem vestindo camiseta vermelha, com a mão direita sobre o coração.
Marcella Bonicelli
Escrito por Marcella Bonicelli
Há oito anos, eu perdi a minha mãe para o câncer de mama. Acredito, porém, que não tenha sido o câncer o verdadeiro causador de sua morte. Minha mãe se foi devido a uma censura a qual ela mesma se impôs, gerando assim um sofrimento e angústia que permitiram a doença se manifestar.

Ela estava fragilizada. Falta de honestidade consigo.

Por muitos anos, a minha mãe optou em esconder os seus instintos mais primitivos e essenciais, o seu lado mulher, para assim se enquadrar dentro dos padrões que a nossa sociedade “parece” exigir.

A falta de consciência e ação sobre as nossas verdadeiras necessidades como mulheres nos faz adoecer a cada vez mais.

Honestidade

Chega! Está na hora de sentirmos os nossos instintos e vivenciarmos esses de maneira digna e alinhada com aquilo que sabemos ser a nossa própria verdade.

Vivemos em uma sociedade onde padrões pré-formulados são impostos diariamente sobre homens e mulheres. Por quem? Não sabemos, mas seguimos obedientes e caladas.

E o resultado disso é que, cada vez mais, adoecemos. É esse o progresso que tanto almejamos?

Nossas almas tentam se comunicar, mas estamos encobertos por camadas que, silenciosamente, calam as nossas vozes. Sem perceber, aos poucos, perdemos contato com o que há de mais importante e vital para a nossa sobrevivência, a nossa essência, onde habitam os nossos desejos, os nossos verdadeiros valores, muitas vezes, também chamada de loucura.

Para se alcançar a coragem de escutar a si mesmo, o trabalho é árduo. 

Porém talvez seja a única forma de nos curarmos. Nos expondo. Nos respeitando.

Como sabiamente escreve a ativista americana Nikki Giovanni:

“Quando não posso expressar 

O que realmente sinto, 

Eu pratico sentir 

aquilo que posso expressar 

e nada disso é igual.

Eu sei, 

mas é por isso que a raça humana, 

apenas ela, entre todos os animais, 

aprendeu a chorar.”.

Honestidade

Por qual motivo fingimos, muitas vezes, aquilo que não sentimos? 
Ou por que, muitas outras, nos forçamos a sentir aquilo que não somos? 
O que estamos buscando em troca ao trairmos os nossos próprios desejos e verdades? Vale a reflexão.

Minha mãe se traiu. Sua força fez com que ela escondesse a sua dor.

Provavelmente, ao longo de seu caminho, ela se esqueceu de seus desejos, de sua voz. Que isso não se repita.

Pois acredito que, quando formos capazes de retirar as camadas que nos envolvem (padrões pré-estabelecidos, regras sutilmente impostas, receitas de sucesso e felicidade), talvez então tenhamos a liberdade de chorar pelas nossas próprias verdades, não pela impossibilidade de as vivenciarmos.


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Sobre o autor

Marcella Bonicelli

Marcella Bonicelli

Sou escritora, peregrina e fã de literatura e cinema.

Nos últimos anos, minha curiosidade me levou a mergulhar em um profundo processo de autoconhecimento. Por meio da psicanálise, de leituras e de algumas peregrinações pelo mundo, descobri uma nova vida!
A escrita ressurgiu em mim e hoje acredito no seu poder de transformação.

“Solidão não é não ter pessoas ao seu redor, e sim ser incapaz de expressar coisas que parecem importantes, ou de perceber certos pontos de vista que os outros acham inadmissíveis.”
Carl Jung

Atualmente moro na Europa, onde dou aulas particulares.
Em paralelo, sigo escrevendo e buscando inspirar aos outros a não temerem a suas verdades.
Escrevo textos sobre autoconhecimento, viagens e excertos de livros.
No momento estou finalizando meu primeiro livro.

No final do dia, acredito na força das emoções, pois são elas que fazem de todos nós, humanos e imperfeitos!

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