Natureza Sustentabilidade

Maneiras de diminuir o desmatamento na floresta amazônica

A conversa hoje é séria. Em 2021, o desmatamento na Amazônia foi o pior em 10 anos. Quem faz o apontamento é o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia: 10.362 quilômetros quadrados de mata nativa foram destruídos naquele ano. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 29% no desmatamento. Os dados foram divulgados em janeiro de 2022, pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

Só para você ter uma noção, essa área desmatada equivale praticamente ao tamanho do Líbano. E, pelo que testemunhamos ao longo dos anos, a tendência é que isso aumente, chegando a níveis insustentáveis, que colocarão em xeque a nossa sobrevivência não só para a comunidade local ou o país, como para o resto do mundo, já que a floresta amazônica é essencial na manutenção de serviços ecológicos.

Esse bioma chega a ocupar mais de 40% do território nacional e representa 1/3 das florestas tropicais do mundo, desempenhando um papel vital na garantia dos estoques de água doce e na proteção da biodiversidade. Suas florestas retêm o dióxido de carbono – gás associado ao efeito estufa. Então já passou da hora de algo ser feito para impedir a destruição da vida em sua gênese. E esse deve ser um esforço conjunto, entre população, governos, empresas e entidades. Neste artigo, trouxemos algumas soluções para ajudar a reduzir essa que é uma catástrofe diária e que precisa ser parada a todo custo.

O que o governo deve fazer?

Para começo de conversa, o poder público precisa tomar a frente nas ações que objetivam reduzir o desmatamento na Amazônia, uma vez que ele pode agir em grande escala. A proteção ambiental é um princípio expresso em nossa Constituição; estados e municípios podem ditar suas normas ambientais (em observância às diretrizes federais); é o Poder Legislativo que elabora as normas jurídicas (todo tipo de lei); os órgãos ambientais fazem a fiscalização; e por aí vai.

Um martelo jurídico e um livro.
towfiqu barbhuiya / Canva

Sendo assim, há um grande poder na mão da Administração Pública de uma forma geral e esse poder precisa estar alinhado à preservação ambiental acima de qualquer interesse individual ou escuso. A legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo. O desafio é fazer cumprir a lei! Então, o que o governo pode fazer nesse sentido? Veja algumas soluções:

  • Retomar e intensificar a fiscalização ambiental, fazendo a lei se cumprir efetivamente. Para isso, é necessário fortalecer órgãos ambientais e praticar ações coordenadas e integradas desses órgãos e ministérios.
  • Coibir a grilagem (invasão, ocupação, obtenção e loteamento criminosos de terras públicas sem a autorização de órgãos competentes).
  • Ser mais enérgico no combate ao garimpo ilegal, que não só desmata, como remove o solo, polui as águas com mercúrio. E, por ser irregular, geralmente é realizado em áreas destinadas a fins incompatíveis com essa atividade, como é o caso das unidades de conservação e as terras indígenas. Aliás, a própria questão do garimpo (até mesmo o legalizado) precisa de uma legislação mais adequada e de planejamento.
  • Criar mais Unidades de Conservação, que são áreas naturais sujeitas a proteção, dadas as suas características naturais relevantes e sua função de preservar o patrimônio biológico existente em dada localidade.
  • Medidas econômicas que favoreçam estados e municípios a reduzirem o desmatamento e a aumentarem a conservação florestal.
  • Demarcação de terras indígenas e quilombolas.
  • Medidas educativas eficientes (nas escolas e em outros estabelecimentos), que sejam
    realmente capazes de instruir e orientar a população quanto à preservação, à sustentabilidade, à reciclagem e ao uso consciente do meio ambiente.
  • Melhorar as condições básicas das populações mais pobres com relação ao saneamento básico, à saúde, à alimentação, entre outros. De nada adianta implementar grandes ações se parte da população não tem condições de vida que promovam um meio ambiente saudável.

Existem várias outras saídas para se dar início a esse processo, que é a garantia de sobrevivência não só do bioma da Amazônia (e, diga-se de passagem, de qualquer outro bioma brasileiro), como também da população. Basta empenho, seriedade e impessoalidade, que é um princípio essencial na Administração Pública.

E esse dever não se encerra no poder público. Nossa parte também precisa ser feita. Não só cobrando dos órgãos e do governo mas também tomando medidas no dia a dia, para preservar não somente a floresta amazônica como o meio ambiente em sua totalidade.

O que eu posso fazer?

Saímos do macro e chegamos ao micro, nas pequenas ações, que partem de cada um de nós. Não pense que o que você faz é insignificante, porque é com a soma do pouco que chegamos ao muito. Então, não se esqueça de se esforçar o quanto der, pois não existe sacrifício quando o que está em questão é a proteção da natureza e a nossa sobrevivência.

Uma pessoa segurando uma muda de uma planta.
Arthon meekodong / Canva

Para proteger esse bioma, você não precisa morar em um estado abrangido pela Amazônia ou à beira do rio Amazonas. Saiba que pequenas ações no dia a dia ajudam e muito. Sem falar que há atitudes que reverberam, sim, na floresta amazônica, mesmo estando longe dela. Veja como você pode ajudar:

  • Se você mora na região da Amazônia, evite queimar seu lixo ou mesmo aquelas plantas que você recolhe no quintal. Não jogue bitucas de cigarro acesas na rua (especialmente perto de vegetação). E, se você não mora lá, aproveite para adotar essas práticas também, já que elas valem contra o desmatamento no Brasil, como um todo.
  • Comece a pensar no consumo consciente como uma filosofia de vida. Muito do que consumimos vem de longe e isso gera grandes impactos ambientais.
  • Busque apoiar a produção sustentável.
  • Procure não consumir de empresas que estejam envolvidas com desmatamento ou outros danos ao ambiente.
  • Informe-se sobre o que você pode fazer, como cidadão, para ajudar nas questões sobre a reforma agrária, demarcação de terras indígenas, campanhas contra empresas que estejam alinhadas com a destruição das florestas, entre outras ações.
  • Procure reduzir o consumo de carne, pois a alta demanda por esse alimento impulsiona o desmatamento, graças ao uso da terra para o plantio de soja para ração, ao uso de agrotóxicos e à ocupação dessas áreas para o pasto. Para você ter uma ideia, na Amazônia, 63% de todas as áreas desmatadas são usadas para a pastagem, segundo dados do relatório alemão Fleischatlas 2021 (em português, Atlas da Carne).
  • Conheça bem os seus candidatos, o histórico político deles e se já tiveram tido algum mandato. Seu voto é que define quem vai tomar as medidas macro no que tange ao meio ambiente. Se você vota mal, coloca no poder um político que, movido por interesses próprios, vai atender aos anseios de grandes produtores, ruralistas e entidades sem a mínima preocupação com a natureza.
  • Não custa reforçar: COBRE das autoridades. É seu direito – e dever – como cidadão. Lembre-se de que políticos trabalham para a população, para o bem comum.

O desmatamento na Amazônia

Nos tópicos anteriores, tentamos conscientizar você sobre ações que podem contribuir com um impacto ambiental na região amazônica. É claro que são medidas realizadas basicamente a longo prazo, por isso é imprescindível começar o quanto antes, para que os efeitos possam, de fato, surgir.

E essa urgência já chega atrasada, uma vez que a ocupação (e consequente impacto) dessa área é histórica, remontando até mesmo à época do descobrimento. Foi em meados da década de 30, entretanto, que a Amazônia passou a ser considerada um interesse nacional graças às riquezas naturais disponíveis.

A ocupação e a exploração dessa região trouxeram consigo a destruição do seu bioma. Já no fim dos anos 1970, as derrubadas somavam 14 milhões de hectares (dados do Imazon) – o equivalente a mais de 20 milhões de campos de futebol!

Um olhar mais atento, mas há esperança?

Na década de 1980, a discussão ambiental na Amazônia começa a ganhar os olhos do mundo, em especial após a morte do ambientalista Chico Mendes, fato que fez com que o Brasil passasse a ser pressionado internacionalmente quanto às políticas para a região.

Uma floresta parcialmente desmatada, tendo suas árvores cortadas.
mauinow1 de Getty Images Signature / Canva

Já nos anos 1990, vem o impacto causado pelo plantio de soja. A Eco-92 traz a Amazônia para o foco dos debates ambientais no mundo e o grão se torna um dos maiores algozes da floresta. Em seguida, a pecuária se torna uma das maiores responsáveis pelo desmatamento de grandes áreas. Entre 1990 e 2003, o rebanho bovino teve um crescimento de 240%.

Daí para frente, os estragos parecem se perpetuar. Somente entre 2008 e 2009 é que foi registrado o menor índice de desmatamento na Amazônia em duas décadas. No entanto, no período de agosto/2018 a julho/2021, houve um aumento de 56,6% em relação ao mesmo período em anos anteriores – dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), publicados em 2022.

Consequências do desmatamento

Como dissemos mais acima, de 2020 para 2021, houve um crescimento de quase 30% no desmatamento da Amazônia. Essa ação predatória acaba com os processos ecológicos desse bioma, os quais levaram anos para serem estruturados e que, certamente, levarão muito mais tempo para se recuperarem.

A destruição desse bioma é uma questão que acende um alerta para o Brasil e para o mundo. Dessa forma, é urgente buscar soluções imediatamente, pois os danos não se limitam localmente.

Sem falar no aquecimento global, que é um triste efeito colateral do desmatamento, com as queimadas ou retirada das florestas. Todos sabemos da função-chave das árvores na redução dos índices de poluição.

Vida, legado e sobrevivência

A floresta amazônica é uma farmácia viva. Sua fauna e sua flora são bases para a fabricação de diversos medicamentos já em uso no dia a dia. Destruir essa área prejudica a medicina no que tange à busca de substâncias que podem curar doenças que hoje ainda não têm cura ou tratamento. Não haverá nada para as próximas gerações. A longo prazo, esse seria um dos maiores problemas.

Uma parte da reserva aquífera da floresta amazônica.
RICARDO STUCKERT de Getty Images Pro / Canva

É preciso salientar também que 1/5 da água doce do planeta está na região amazônica e, por essa razão, é essencial preservar as florestas nas margens dos rios. Não só pela manutenção dessa mata ciliar, mas também para evitar assoreamento dos rios e garantir a vida dos organismos aquáticos.

Temos que falar também da importância da floresta amazônica na formação dos chamados rios voadores. As árvores “bombeiam” as águas pluviais contidas em suas copas de volta para a atmosfera, por meio da evapotranspiração.

Esses rios contribuem para a formação das nascentes dos cursos d’água que formam o rio Amazonas e influem no clima de quase todo o território brasileiro, ajudando a amenizar o clima em regiões com temperaturas altas.

Desmatar a Amazônia é uma reação em cadeia, que, a médio e a longo prazo, poderá prejudicar a agricultura, piorar o ar que respiramos e elevar as temperaturas em diversas regiões. Como podemos ver, não há final feliz nesse evento.

Compartilhe essa ideia e ajude a diminuir o desmatamento no Brasil!

Se você quer começar a fazer a sua parte nessa jornada de proteção desse que é um dos biomas mais importantes do planeta, comece por ações mínimas do dia a dia. Aproveite para seguir algumas das dicas que elencamos mais acima.

E você pode fazer mais ao começar pela sua área, mesmo que não more nesse – ainda – paraíso. e pode também compartilhar este artigo com seus amigos, familiares, colegas de trabalho, vizinhos… O importante é levar adiante a mensagem, para conscientizar cada vez mais pessoas. Lembre-se do que dissemos: o grande começa pelo mínimo, sendo feito da soma das pequenas e valiosíssimas ações.

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Não podemos contar com a sorte nesse caso, tampouco esperar que a natureza se cure sozinha. Apesar de ela ter esse poder, da forma como a estamos degradando e maltratando, ela nunca vai poder se restabelecer. O mundo não é só a nossa casa. O mundo é nosso legado para as futuras gerações, das quais farão parte nossos filhos, os filhos deles, e por aí vai. E esse legado começa na floresta. Assim como a vida!

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Eu Sem Fronteiras

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