Doutrina Espírita Espiritualidade

O Dia de Finados e a doutrina espírita

Antônio Navarro
Escrito por Antônio Navarro
O culto aos mortos remonta há milhares e milhares de anos, no período em que os seres humanos habitavam as cavernas e abrigos naturais.

Descobertas arqueológicas evidenciam a crença na sobrevivência da alma, assim como a possibilidade de retorno à vida física, veja-se as mumificações, seja através da ressurreição, seja pela reencarnação.

É, portanto, inato no ser humano o entendimento de que algo sobrevive à decomposição cadavérica, e em todas as culturas esse algo recebeu o nome de Espírito.

Pois são os Espíritos, que estando no mundo invisível aos nossos olhos, quem nos esclarecem, através da Doutrina Espírita, sobre o mecanismo da vida e morte do corpo físico, como sendo uma necessidade para o espírito dar prosseguimento ao seu desenvolvimento em busca da perfeição – condição de céu – e felicidade plena, através da reencarnação.

Trazemos abaixo, para nossas reflexões, algumas informações transmitidas pelos Benfeitores Espirituais sobre a natureza dos Espíritos e sobre a comemoração ao Dia dos Mortos, todas retiradas de “O Livro dos Espíritos”, ao qual recomendamos a leitura integral para a compreensão de todo o mecanismo em que estamos inseridos.

Os números são relativos às perguntas e respostas contidas no referido livro. 

76 Que definição se pode dar dos Espíritos? 

– Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o universo, fora do mundo material.

84 Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos? 

– Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85 Qual dos dois é o principal na ordem das coisas: o mundo espiritual ou o mundo corporal? 

– O mundo espiritual, que preexiste e sobrevive a tudo.

132 Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos? 

– A Lei de Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é uma expiação, para outros é uma missão. Mas para chegar até essa perfeição, devem sofrer todas as tribulações da existência corporal: é a expiação.

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? 

“Sofrendo a prova de uma nova existência.”

b) A alma passa então por muitas existências corporais?

“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles.”

149 Em que se torna a alma logo após a morte?

– Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que havia deixado temporariamente.

159 Que sensação experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos Espíritos? 

– Isso depende. Se fizestes o mal com o desejo de fazê-lo, vos envergonhareis de tê-lo feito, em um primeiro momento. Para o justo, é bem diferente: é como o alívio de um grande peso, porque não teme nenhum olhar indagador.

320 Os Espíritos são sensíveis à saudade daqueles que amaram e que ficaram na Terra? 

– Muito mais do que podeis supor; se são felizes, essa lembrança aumenta sua felicidade; se são infelizes, essa lembrança é para eles um alívio.

321 O dia da comemoração dos mortos tem algo de solene para os Espíritos? Eles se preparam para visitar os que vão orar nas suas sepulturas? 

– Os Espíritos atendem ao chamado do pensamento tanto nesse dia quanto em qualquer outro.

321-a Esse dia é para eles um encontro junto às suas sepulturas? 

– Eles estão aí em um maior número nesse dia, porque há mais pessoas que os chamam. Mas cada um deles vem apenas pelos seus amigos e não pela multidão de indiferentes.

321-b Sob que forma comparecem e como seriam vistos, se pudessem se tornar visíveis? 

– Sob a forma pela qual os conhecemos quando encarnados.

323 A visita ao túmulo dá mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita para ele? 

– A visita ao túmulo é uma maneira de mostrar que se pensa no Espírito ausente: é a imagem. Já vos disse, a prece é que santifica o ato da lembrança; pouco importa o lugar, quando se ora com o coração.

325-a A reunião dos restos mortais de todos os membros de uma família em um mesmo lugar deve ser considerada como uma coisa fútil? 

– Não. É um costume piedoso e um testemunho de simpatia por quem se amou. Essa reunião pouco importa aos Espíritos, mas é útil aos homens: as lembranças ficam concentradas em um só lugar.

327 O Espírito assiste ao enterro de seu corpo? 

– Ele o assiste muito frequentemente, mas algumas vezes, se ainda estiver perturbado, não se dá conta do que se passa.

328 O Espírito daquele que acaba de morrer assiste às reuniões de seus herdeiros? 

– Quase sempre, isso lhe é permitido para sua própria instrução e para castigo dos culpados. O Espírito julga nessa hora o valor das manifestações honrosas que lhe faziam. Todos os sentimentos dos herdeiros se tornam claros como são de fato, e a decepção que sente ao ver a cobiça daqueles que partilham seus bens o esclarece quanto a esses sentimentos. Porém, a vez deles chegará igualmente.

329 O respeito instintivo que o homem, em todos os tempos e em todos os povos, tem pelos mortos é o efeito da intuição de uma vida futura? 

– É a consequência natural dessa intuição, sem isso, esse respeito não teria sentido.

Sobre o autor

Antônio Navarro

Antônio Navarro

Orador espírita e Membro da Diretoria do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.

Articulista espírita dos seguintes meios de comunicação:

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Jornal eletrônico A Caminho da Luz – Botucatu-SP
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