Doutrina Espírita Espiritualidade

Preparando-se para o futuro

Antônio Navarro
Escrito por Antônio Navarro
Pode-se afirmar que somos seres criados para o futuro. A cada segundo que passa aumentamos o passado com a consequente expectativa pelo segundo seguinte, o futuro, e essa expectativa tem sido motivo de estresse e ansiedade pelo que há de vir, não permitindo o aproveitamento saudável do momento presente.

Nestes dias em que as informações nos atordoam pela velocidade e quantidade em um processo constante de atualização, acabamos por assimilar novos conceitos que direta ou indiretamente alteram nosso modo de viver. A competitividade e a mercantilidade em que estamos envolvidos, e a ânsia por “um lugar ao sol” têm tirado nosso equilíbrio diante do melhor a fazer para se viver com mais dignidade e qualidade de vida enquanto seres humanos.

Seres inteligentes que somos, e portadores de senso moral, melhor aproveitamento da vida teríamos se já tivéssemos incorporado em nosso modo de pensar e agir uma metodologia de ação consciente e ativa, seja intelectual ou emocionalmente. A esse propósito, há os que têm estudado o desenvolvimento humano e suas necessidades, materiais e subjetivas, atuais e futuras.

Personalidade das mais influentes nesse campo é o psicólogo norte-americano Howard Gardner. Criador do conceito da inteligência múltipla, que trata das diversas formas de expressão da inteligência dos seres humanos, e olhando para o futuro da humanidade, ele identifica alguns atributos que serão necessários a nós para uma melhor adaptação à vida no planeta.

Tais atributos Gardner chama de Mentes, que ele trabalha em seu livro “Cinco Mentes para o Futuro”. Necessariamente, elas deverão ser desenvolvidas e incorporadas, metodicamente, em nossas consciências, através de um processo de educação pessoal, utilizando-se do exercício constante, desde as mínimas situações em que estivermos inseridos.

Resumidamente são as seguintes, e que sem as quais não alcançaremos sucesso para sobrevivermos enquanto seres humanos que somos:

1. A mente disciplinada

Possui dois aspectos: o primeiro é acumular conhecimentos em áreas básicas como a linguagem, história, ciência, matemática, entre outras; e o segundo aspecto é dominar a forma de pensar de certas disciplinas; ou seja, pensar como cientista ou como artista, por exemplo.

2. A mente sintética

É a que, já tendo uma mente disciplinada (treinada), pode discriminar a informação importante da que não é, para entrelaçar ideias de fontes distintas, criando um todo coerente que seja mais que a soma das partes e faça sentido.

3. A mente criativa

É a mente do aventureiro que, apoiado no que aprendeu por meio da disciplina e pela capacidade de síntese, se arrisca a ir além do conhecido e o questiona, para criar novas teorias, produtos e ideias.

4. A mente respeitosa

Pode aceitar e acolher de bom grado as diferenças de aparência, crenças e costumes entre as distintas culturas, enquanto estas não representarem uma ameaça para o bem-estar comum. Quem possui uma mente respeitosa é capaz de trabalhar em harmonia com pessoas de diferentes culturas.

5. A mente ética

É regida por princípios morais, perguntando-se como se sentiria se os demais o observassem comportando-se como o faz. A fim de desenvolver a mente, o bom exemplo deve começar pelo lar, pelas instituições e outras figuras inspiradoras que modelem comportamentos positivos.

Percebamos que as três primeiras são de cunho intelectual, portanto, objetivas e pessoais, e as duas últimas de cunho moral, portanto, subjetivas e sociais. Ao nosso ver, Gardner nos remete a um processo de aprendizado constante, com equilíbrio e utilidade prática, onde se aprende a descartar o que é inútil e o que pode nos distrair do que verdadeiramente importa, enquanto seres humanos em crescimento intelecto-moral.

Gardner também insere, dada a nossa condição gregária, a figura do outro, no sentido de que só haverá sucesso no esforço para convivência pacífica e produtiva para a sociedade se desenvolvermos a questão do respeito ao próximo, e se dermos o exemplo comportamental para influenciarmos o outro também a fazê-lo.

É interessante notar o paralelo entre as Mentes propostas por Gardner e os ensinamentos que a Doutrina Espírita transmite.

Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” encontramos dois ensinamentos básicos dados pelo Espírito da Verdade, que são “amai-vos” e “instruí-vos”, e desenvolvendo-os encontraremos neles as características das Cinco Mentes propostas por Gardner.

O aspecto moral, que Gardner estabelece como consequência do desenvolvimento do intelecto, na Doutrina Espírita é colocado em primeiro lugar, porque só o senso ético-moral desenvolvido será capaz de trabalhar o intelecto dentro de uma proposta que corresponda às nossas reais necessidades humanas.

Resta-nos, portanto, prepararmo-nos para o futuro, sem nos esquecer de ajudar o próximo também a fazê-lo, quando em dificuldade para consegui-lo, pois, afinal, é o que gostaríamos que a nós fosse feito.

Pensemos nisso.

Sobre o autor

Antônio Navarro

Antônio Navarro

Orador espírita e Membro da Diretoria do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.

Articulista espírita dos seguintes meios de comunicação:

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