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O que não devemos fazer quando perdemos alguém que amamos!

Seja pelo afastamento geográfico, pelo fim de um relacionamento ou pela morte, tão frequente em tempos de Covid19, há coisas que não devem ser feitas por quem sofre uma perda ou está próximo a alguém que sofre por esse momento. É claro que temos a liberdade de escolher o que há de melhor segundo nossa avaliação e crenças, mas há decisões que podem contribuir para o agravamento do sofrimento de quem passou por uma perda, e é sobre isso que pretendo discorrer.

Quem sofre a ausência de alguém, provavelmente sentirá emoções diversas durante o processo de elaboração dessa ruptura. Podemos considerar essa elaboração, em termos de analogia, como uma ferida cicatrizada em âmbito emocional. Sobre as emoções desse processo, podemos citar: revolta, negação, tristeza, barganha e aceitação: são as fases do luto, como conhecemos na psicologia.

Qualquer pessoa que passe por uma situação de perda, passará por essas fases, porém essas etapas não seguem uma ordem lógica, se comparadas ao ciclo de adoecimento físico, ou seja, uma pessoa poderá reagir com intensa tristeza e silêncio à notícia de falecimento de um ente querido, enquanto outra poderá reagir com extrema negação da realidade. Somos diferentes e expressamos isso também nessas situações. Com o adoecimento físico é diferente, por exemplo: uma pessoa que contrai um vírus pelas vias áreas, passará a apresentar um ciclo de sintomas que, provavelmente, não será diferente ou terá poucas variações, se observado em outra pessoa.

Mulher triste de luto deitada na cama segurando um porta retratos
Candy Box Images / Canva

Então vamos ao que devemos evitar quando sofremos com a carência de uma pessoa querida ou estamos próximos a quem passa por esse estágio:

1- Não tente ser forte: uma das principais reações pessoais e indicações de quem se preocupa com aquele que está em sofrimento é pedir à pessoa que seja forte nesse momento, como se fosse possível (verdadeiramente) ter forças diante de tal evento.

A tentativa de ser forte poderá superar os limites do enfrentamento da situação e colaborar para um processo de luto não elaborado, que poderá trazer muito mais transtornos e martírio no futuro.

2- Não devemos evitar o choro: em continuidade ao primeiro tópico, o choro não deixa de ser uma materialização do sofrimento que não cabe em nós. Dessa forma, permitir que as lágrimas caiam livremente é fundamental para a elaboração da dor.

Homem triste sentado e chorando com a cabeça baixa
Lolostock / Canva

3- Esperar que o luto se resolva rápido: não há um tempo exato para que haja a elaboração de luto, portanto não se cobre por estar chorando há semanas, pois isso poderá resultar em mais ansiedade, tristeza e sensação de inércia, que resultará em mais aflição.

4- Não tente passar por cima da dor e seguir em frente: a tentativa de “passar por cima”, seja focando no trabalho ou nos afazeres do cotidiano não apaga a dor da perda. Isso é apenas uma ilusão e pode contribuir para a negação e interdição do processo de luto.

5- Enterrar o passado: em complemento à indicação anterior, não devemos agir desse modo, pois aquilo que enterramos em nosso inconsciente necessariamente terá que ser exumado no futuro. O melhor a fazer é permitir que as emoções sejam expressas agora, e drenadas pouco a pouco, naturalmente.

6- Não criticar ou julgar a reação de alguém que está de luto: o mais importante é respeitar o tempo e expressão de cada um, seja uma reação de revolta, negação ou qualquer outra, pois não podemos cobrar um padrão ideal de reação diante de uma perda. Seria uma violação.

Amiga consolando mulher de luto chorando
AntonioGuillem / Getty Images / Canva

7- Não permitir que mencionem o nome da pessoa que partiu: outra grande violência que geralmente é cometida é a evitação ou o constrangimento à fala das pessoas sobre a morte, porque o assunto ocasiona sofrimento. Na verdade, a troca de narrativas entre pessoas que sofrem por uma perda em comum pode ser benéfica para os envolvidos no processo de simbolização do luto.

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8- Não permitir que a pessoa enlutada pratique rituais de despedida: as mortes pela Covid19 têm impedido muitas pessoas de se despedirem de seus entes queridos nos rituais habituais de velamento e sepultamento presentes em nossa cultura. Na impossibilidade de participar de um velório, outros rituais de despedida podem ser importantes, principalmente para pessoas com menos recursos de simbolização, como é o caso das crianças. Fazer cartinhas de despedida, memoriais e outros ritos de expressão poderá ser favorável ao processo de elaboração.

Espero que não esteja passando por momentos difíceis, mas se estiver ou vier a enfrentá-los, que essas indicações sejam úteis de alguma forma.

Um grande abraço.

Sobre o autor

William Sousa

Minha história com a psicologia começou quando tinha apenas 13 anos. Foi quando descobri o prazer de ouvir. Segui o ensino médio e prestei o vestibular sem dúvidas de qual curso faria. Formei-me em psicologia há mais de dez anos. Conclui minha licenciatura em 2008. No ano de 2009, conquistei o título de bacharel.

Conclui um MBA em gestão empresarial no ano de 2011 e minha pós-graduação em psicologia hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, no ano de 2016.

Nesses anos, trabalhei nas áreas clínica, hospitalar, jurídica e de recursos humanos.

Trabalhei no Hospital Geral de Itapecerica da Serra atendendo vítimas de abuso e violência sexual, além de pacientes de UTI adultos, clínica cirúrgica e clínica médica.

No Hospital Sepaco (São Paulo), fui responsável pelo atendimento dos pacientes adultos de UTI.

Nesses 11 anos de atuação também trabalhei em consultórios particulares de psicologia, com pacientes adultos e em avaliação pré-cirúrgica.

Atualmente atendo pessoas do Brasil e do exterior por telemedicina pela abordagem psicanalítica.

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