Convivendo

O que te move?

Patricia Carvalho
Escrito por Patricia Carvalho
Para onde estamos indo
Já reparou no movimento das pessoas nos grandes centros das grandes cidades? No metrô, por exemplo, já notou a multidão que se aglomera descendo e subindo escadas rolantes ou se empurrando para entrar?

Repare em como elas se movem, há um ritmo, como numa grande orquestra. E, se você não tem o costume de frequentar o metrô ou de ouvir orquestras, deve aprender rápido esse ritmo e entrar na dança ou será literalmente atropelado.

“Se você não tem o costume de frequentar o metrô ou de ouvir orquestras, deve aprender rápido esse ritmo e entrar na dança ou será literalmente atropelado”

Ali todos estão com pressa, todos estão de caras fechadas, rostos colados no celular, cada qual com seu pensamento, com suas preocupações e necessidades.

Aquele fluxo constante e imperioso de pessoas movidas sabe-se lá porque, andando nesse ritmo mecânico em direção sabe-se lá para onde, nos faz pensar o que move essas pessoas. O que te move?

Já parou para analisar como tem levado sua vida? Para onde está indo, aonde quer chegar? Na vida, muitas vezes, também, somos levados pelo ritmo dos outros, acelerando ou desacelerando, conforme somos arrastados pela multidão a nossa volta, sem nos darmos conta de que deixamos de olhar para nossa individualidade em meio a nossa coletividade.

Não devemos deixar que os outros determinem o nosso ritmo. Quando tiver que acelerar, acelere; quando for hora de parar, pare. Você não perderá nada por seguir o seu ritmo. Talvez perca o metrô, mas logo atrás vem outro e outro.

“Já parou para analisar como tem levado sua vida? Para onde está indo, aonde quer chegar?”

Vivemos nesse ritmo frenético, corremos tanto, nos impomos uma rotina tão intensa… E para quê?

Se voltarmos ao cenário do metrô, vemos também que, apesar de sermos muitos ali, milhares até, não ouvimos vozes, poucos se falam, ninguém se conhece ou sequer parecem fazer questão de se conhecer.

Ah! Mas, afinal, nos dias de hoje está perigoso, não dá para falar com qualquer um, nunca se sabe com quem se pode cruzar pelas ruas, não é? É, pode até ser, mas um bom dia faz mal em quê?

Será que não é justamente essa falta de conexão com o outro, com o moço sentado ao seu lado, a senhora que passa por você na rua, a atendente no supermercado, que transformou nosso mundo num lugar “tão perigoso”.

Back view of a couple taking a walk holding hands on the beach

O que move o homem, senão o seu desejo de conexão, relação, união? Não somos seres sociais? Não precisamos uns dos outros, para conhecermos a nós mesmos?

A mola propulsora da vida são as relações, vivemos em família, entre amigos, colegas de escola, trabalho. Estamos sempre nos relacionando, seja em que grau for, mas nunca isolados. E isso é saudável.

“O que move o homem, senão o seu desejo de conexão, relação, união? Não somos seres sociais?”

Quando perdermos essa “qualidade” de relação, perderemos a noção de SER. De quem somos.

Estamos caminhando para um mundo virtual, onde o toque, o olhar, o cheiro, o abraço e talvez até o beijo se percam um pouco (não muito, espero). Mas o homem jamais sobreviverá se extinguir essa maravilhosa arte de se relacionar.

O que nos move, então? O desejo de chegarmos a algum lugar comum a todos?

Somente quando olhar para a pessoa ao seu lado e lhe der um bom dia, um sorriso ou quem sabe um abraço, é que poderemos responder essa questão. Porque, como aquelas pessoas no metrô, alheias umas as outras, apesar da minúscula distância física entre elas, estamos todos tomando o mesmo veiculo, que trata de nos conduzir ao mesmo lugar. E, quando descobrirmos que a viagem é mais prazerosa quando compartilhada com alguém (às vezes, mesmo com um estranho), saberemos o que nos move. Saberemos para onde queremos ir. E, quando chegarmos lá, teremos com quem dividir a alegria da conquista no final dessa trajetória.

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Sobre o autor

Patricia Carvalho

Patricia Carvalho

Meu nome é Patricia Carvalho (Patty Carvalho) sou formada em psicologia e atuei em clínica durante alguns anos, atualmente não estou exercendo a profissão, porém o ser humano e seu poder de crescimento pessoal, emocional e espiritual ainda me fascinam; crescer e evoluir são coisas que me move.

Uma libriana, mãe de menino, que não vive sem massas (e doces) e que adora filmes e livros.

Ler é uma paixão, já escrever é um "hobbyterapia" que descobri recentemente e espero poder continuar praticando em meu benefício e de quem mais eu possa auxiliar com minhas palavras.

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