Filosofia

Os usos da filosofia

Estátua de Sócrates.
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
A questão sobre a utilidade da filosofia é muito debatida na sociedade atual, porém pouco compreendida. Dessa forma, convém darmos toda atenção a essa questão, esforçando-nos por deixar de lado os clichês e estereótipos acadêmicos sobre o assunto, que servem apenas para nos impedir de ver a verdadeira utilidade da filosofia. Por outro lado, ao se tratar sobre a utilidade da filosofia, precisamos considerar ao menos três pontos, como seguem:

Homem sentado em uma cadeira de frente para uma lâmpada.

O preconceito

A reflexão filosófica enfrenta dois parentes que se alimentam: o preconceito e o dogmatismo. Para estes, filosofia é apenas saber inútil, abstração vazia, especulação estéril. Dessa forma, o preconceito e o dogmatismo impõem a ideia de que tudo é evidente, e se a evidência embriaga o senso crítico e tira da razão a capacidade de discernir, então a razão filosófica consiste em fazer adquirir, de uma vez por toda, os mecanismos e os hábitos necessários do pensamento crítico, mesmo o senso comum, para tornar qualquer reflexão em filosofia.

A crítica

Numa sociedade onde o ser humano é avaliado pela sua capacidade de triunfar sobre tudo e sobre todos, perguntamos: por que se deseja eliminar o poder crítico da filosofia e a sua capacidade de contestar a visão dominante do mundo atual? Em primeiro lugar porque o homem contemporâneo é egoísta, não aceita ser questionando. Em segundo lugar porque toda crítica incomoda, e a filosofia é essencialmente crítica.

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Para Chauí (2002, p.12), a primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que todo mundo diz e pensa, ao estabelecido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós, e uma interpretação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são indagações fundamentais da atitude filosófica.

Livro aberto com uma árvore crescendo no meio.

A utilidade

Do ponto de vista prático e utilitário (pragmatismo e utilitarismo) da cultura capitalista, a filosofia é inútil e ociosa. Mas é na oposição a esta postura que ela mostra a sua utilidade: resistir à ditadura do útil, do retorno imediato. Ainda segundo Chauí (2002, p. 14): Qual seria, então, a utilidade da filosofia? Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.

Enfim, é para isso que a filosofia existe, sempre existiu e existirá: para libertar o ser humano das amarras do senso comum, da alienação existencial, do comodismo, do consumo alienado, do etnocentrismo, de toda forma de discriminação, de preconceito, enfim, a filosofia existe para tornar a vida extraordinária!

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).