Comportamento Maternidade Consciente

Para sentir a Beleza

Pais segurando sapato de bebê
Alex Tim / Pexels / Canva
Escrito por Carolina Rodrigues

A maternidade fortaleceu meu caminho de autoeducação. Pude sentir e vivenciar tudo aquilo que vinha estudando desde que decidi, na faculdade de Ecologia, unir dança, arte e educação para a conexão em mim. Precisava ser para que meu filho fosse…

Passei os primeiros anos apenas observando-o e apoiando-o. Facilitando seu contato com o mundo. Sempre canal… Em 2016 escrevi para ele sobre a beleza e o ser no mundo, tudo o que vi refletido em seus olhos.

Compartilho com você a carta para Cauê. Que ela se estenda a você e sua criança.

Amado Cauê, é tão belo ver você descobrindo o mundo! Você o devora e saboreia, demora-se nos detalhes… Cheira as flores, beija plantas, animais e nossas fotografias e ama brincar e massagear os pés com as bolinhas de argila do jardim. Com pés firmes na terra, parece sentir cada grãozinho. Ama escorrer a areia por entre os dedos. Ama comer frutas no pé. Que privilégio! Ama brincar com cristais também. Abraça tudo o que vê. E reconhece um girassol de longe! Borboletas também. É fissurado em borboletas e sensível como elas. Na verdade, para você, todos os insetos são borboletas!

bebê sorridente deitado
Daniel Reche / Pexels / Canva

Tudo é grandioso, encantado e carrega em si um pedaço do mundo. Você está tocando o mundo num grão de areia, e ele o está tocando também. E o que eu acho mais lindo: tudo você dança. E até já compôs a própria música misturando o nome de todos os habitantes da casa… Também gostamos de deitar e fazer nada, só sentindo tudo! Em silêncio (ao menos por um minuto!).

Sabe, meu filho, quando a mamãe era criança, gostava de sentir o mundo como você. Eu me encantava com a beleza que mora em todas as coisas. Vivia descalça, dançando. Comia fruta no pé, ouvia o som da água mergulhada no rio, sabia do sabor da terra e da água da chuva, do cheiro dos livros e do trem partindo da estação onde seus avós trabalhavam (você gosta muito de trem também, mas ainda não pôde cheirar um trem partindo…). Eu era amiga íntima da mangueira que havia no quintal. Gostava da brisa no rosto ao andar de bicicleta e acordava com música de passarinho. O chiado do disco na vitrola – que você também já ouviu – ficou em mim para sempre. E eu voava, você acredita?

Mas um dia eu precisei calçar os sapatos que me deram. Gente descalça não ganha diploma, nem assina carteira, nem pensa direito. Dizem… Precisei entrar num esquema programado. Disciplinas, teorias, fragmentos que eu não sabia como colar. Com pés calçados, a razão parece desiludir-se, clarear-se… Como ficamos tolos quando adultos, meu filho… Passei a sentir pela metade.

Porém os sapatos não me caíram muito bem. Às vezes é necessário andar pelas brechas… Teimosa, o que eu queria mesmo era continuar descalça e voando. É estranho viver o mundo que querem que você viva, não o mundo que você é. Eu me achava desencaixada. E aí o tempo passou, você chegou, fruto de pura sensação consciente. Intuição. Que presente! Aproveitei a oportunidade que você me deu e abandonei de vez os meus sapatos.

Bebê sorridente
1BrightStar / Getty Images / Canva

Vivo à flor da pele. Pés no chão e voando junto com você e as borboletas. Quero educar seus sentidos como os meus foram educados, lá no comecinho, só sentindo, sendo. Livres. Foi assim que consegui perceber que o que quiseram me impor pode não ser o que eu preciso. É assim que a gente conhece e sabe do Universo. Percebe tudo. Em com-tato.

Filho, se um dia, levada pela corrente, eu o induzir a colocar sapatos também, deixe-me atenta. Não os calce nem me dê ouvidos. Leve-me para dançar e faça comigo esta pequena oração:

Que eu sempre toque a beleza do mundo

Como faz uma criança,

Sentindo tudo com o coração

Comungando sua dança.

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Amor, deixe seus sentimentos o moverem. Se você se perceber movendo em harmonia, é porque suas palavras e ações estarão alinhadas aos seus sentidos. Dance! Deixe seu saber ser sensível. Que continue doce, tranquilo e feliz!

Forte abraço da mamãe!

Sobre o autor

Carolina Rodrigues

Olá! Sou Carolina, uma sonhadora desde pequena. Pés descalços, no chão, cabeça nas nuvens. Sonhava com um mundo em que todas as pessoas fossem felizes, amigas e borboletantes. Fui crescendo e percebi que a Educação seria esse caminho. Ingressei na faculdade de Ecologia, sedenta por saber mais sobre Educação Ambiental e resgatei aí a possibilidade de tecer a Arte, a dança, a autoeducação como revoluções no mundo!

Deparei me com a Arteterapia, facilitei rodas de Danças Circulares e integrei projetos de formação de educadores pelas vias do autoconhecimento e da arte teatral.

A maternidade me impulsionou ainda mais a colocar meus projetos no mundo.

Com Cauê nasceu o Dá Tua Mão, que foi germinando do conto "A Dança de Um Um Lugar Chamado Flores" até tornar-se um Jardim em Flor.

Hoje me dedico à jardinagem de corações e à partilha daquilo que floresce do meu coração para aqueles que acolherem minhas palavras.

Gratidão!

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