Autoconhecimento Comportamento

Por favor, ajude essa senhora…

senhora sorrindo com uma xícara na mão e atrás dela um senhor lendo jornal
Pressmaster/ Canva
Escrito por Andrea Pavlo

A partir de qual momento da vida é aceitável que uma mulher seja chamada de “senhora”? O que pode parecer algo insignificante para algumas pessoas é, na verdade, um dos traços do etarismo, tão presente na sociedade mundial. Aproveite o artigo da colunista Andrea Teixeira para refletir sobre o assunto.

Qualquer lugar, qualquer dia… um dia, alguém te chama de senhora. Não por uma educação somente, mas porque a sua idade já é bem diferente da dela. Há 10 anos, eu tinha quase 40 e a maioria dos trabalhadores de lojas, porteiros, manobristas, médicas, recepcionistas tinha por volta dos 30. Hoje, eu tenho quase 50 e elas ainda têm por volta dos 30. Justo.

A idade é uma coisa que chega sorrateira. E, num mundo onde eu já fui proibida de ser gorda e mulher, é só mais uma coisa para lidar. Alguns “sem noção” chegam a querer ajudar você a se levantar, por exemplo. O “senhora” e “minha mãe é mais nova que você” se proliferam. É um momento estranho, mas libertador, por outro lado.

Ontem assisti, e recomendo fortemente, o filme “Nyad” sobre a nadadora Diana Nyad, que atravessou o canal entre Cuba e EUA aos 68 anos nadando. Ela começou a tentar aos 28, quando foi retirada da água quase sem vida e desistente.

Aos 60 descobriu que queria tentar de novo e depois de quatro tentativas frustradas ela finalmente conseguiu. É um relato de coragem, de medo, de dor, um pouco claustrofóbico, por vezes. É sobre teimar em existir e realizar sonhos quando todo mundo manda você tomar uma xícara de chá e esperar a morte chegar.

O que eu tenho a meu favor é o fato da população brasileira e mundial estar envelhecendo. Hoje, as pessoas vivem mais e têm melhor qualidade de vida, superando em números os jovens. Num universo onde as pessoas têm cada vez menos filhos, a conta é que, um dia, tenhamos mais velhos do que jovens.

E o que fazer com o etarismo vigente? Outro dia uma influenciadora de pele madura que eu sigo fez um desabafo nas redes sociais porque nenhuma influenciadora mais velha foi convidada para o baile de Halloween da Sephora. No final, a indústria prioriza o que eles acham que será mais inspiracional – mulheres jovens, com pele perfeitas que mal precisam de base. E estão errados?

Três idosos tirando foto em uma praça
Kampus Production de Pexels/ Canva

Será que não é nossa culpa? Será que não “envelhecemos” quando alguém nos chama de senhora e nos dá um lugar para se sentar no ônibus? Não envelhecemos quando desistimos de tentar, de se levantar de manhã cheios de energia? Quando esquecemos que a vida ainda tem muito chão pela frente e que cada dia é um presente que podemos preencher com sonhos realizados?

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O etarismo, como qualquer preconceito, só funciona em quem se acha vítima dele. Eu, do meu lado, vou parar de corrigir as moçoilas que me chamam de senhora. Minha pele está ótima, tenho uma profissão bem-sucedida, uma boa saúde – ok, tem umas coisinhas pra melhorar –, e sou cercada de muito amor. E, principalmente, sei quem eu sou. E isso é a maior conquista que a idade nos traz. A paz de sermos nós mesmas.

Sobre o autor

Andrea Pavlo

Meu nome é Andrea Pavlo. E poder apresentar esse nome assim, parece fácil, mas não foi. Esse nome é fruto de muito autoconhecimento e autoanálise.

Fruto de duas faculdades e mais de mil horas de cursos, mentorias, vivencias e aprendizados. Fruto de muitos risos, muitas dores e muitos resultados. Sou uma espiritualista que aprendeu a servir. Servir ao outro com seus aprendizados. Apoiar mulheres a passarem por suas próprias dores.

Filha de pais narcisistas, passei a vida tentando entender a cabeça deles. Isso me ajudou a me apaixonar pela psicologia e por todas as ciências afins.

Filha de Iansã, devota de Santa Sara e neta da Dona Arlinda, trouxe uma
mediunidade temperada com clarividência, sonhos premonitórios e um dom de ler o inconsciente coletivo e pessoal. Dom que eu uso justamente para servir.

Apaixonada pela beleza da arte, da decoração e da moda, adoro transitar nesses pequenos grandes universos cheios de simbologias. Amante dos ensinamentos de Carl G Jung e seu entendimento do mundo, dos arquétipos milenares do tarot e por todas as formas de mistérios ocultos e especiais que considero o tempero especial da realidade.

Tentando manter os pés sempre no chão, o peso equilibrado e o humor em dia, esses são meus desafios eternos. Desafios que eu encaro com força e muita criatividade, além de uma xícara de café quente e um pão de queijo saindo do forno.

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