Autoconhecimento Convivendo Saúde Mental

Por que aceitar a si mesmo é tão difícil, e por onde começar?

Imagem de uma mulher de cabelos claros, blusa bege, se abraçando, trazendo o conceito de autoaceitação.
Georgii Boronin / Getty Images / Canva
Escrito por Ivete Costa

Autoaceitação não é se julgar, mas se enxergar com verdade. Ao separar o que é seu do que foi imposto, você começa a se reconhecer sem críticas. É um processo de olhar com mais presença, escolher o que fica e soltar o que já não faz sentido.

Muitas pessoas chegam até mim com uma pergunta parecida:
“Como é isso de autoaceitação, se passei a vida toda fazendo de tudo para ser aceita, pertencer, ser vista?”

É uma pergunta honesta. E revela o primeiro equívoco sobre o tema.

Autoaceitação não é aprovar ou desaprovar a si mesmo. Não é nota vermelha ou azul. Passar ou repetir. Ser igual ou diferente do outro.

E ainda assim, é exatamente assim que muitos se olham, nessa oscilação entre dois extremos: “Eu sou assim, sempre fui” ou “Estou completamente errada, sou inadequada.”

Sem conseguir parar no meio. Sem conseguir simplesmente ver.

Ao longo da vida, fomos ouvindo coisas sobre nós mesmos.

O que éramos. O que deveríamos ser. O que nunca seríamos.

E fomos colando esses pedaços em nós, como uma colcha de retalhos.

O problema é que, com o tempo, esquecemos o que é nosso e o que veio de fora.

Autoaceitação começa aqui: aprender a se ver com os próprios olhos.

Porque eu não sou os retalhos.

Eu sou o tecido em que foram costurados.

Olhar para cada retalho e perguntar: isso me traduz? Isso me define? Ou foi costurado por mãos que não eram as minhas?

Imagem de uma mulher feliz, caminhando sobre uma estrada com as mãos levantadas, se sentindo livre e se aceitando como ela realmente é.
Vlada Karpovich / Pexels / Canva

Esse processo vai, aos poucos, devolvendo o olhar para si mesmo.

E, quando esse primeiro movimento acontece, vem o segundo:

Olhar para mim com os meus olhos. Sem medo. Sem críticas. Sem comparações, culpas, justificativas ou dramas.

Só olhar. Reconhecer. Aceitar o que vejo.

Do que vejo, escolho o que fica, porque me alimenta. E o que desapego, porque já não me serve.

Autoaceitação não é um destino.
É um processo.
Sem pressa.
Com assertividade e compaixão.
Comprometida com você mesma.

Sobre o autor

Ivete Costa

Atuando na área terapêutica há mais de 20 anos em atendimentos individuais, grupos e consultoria, utilizando as técnicas de Psicossíntese, Cognitivo-Comportamental, Constelação Sistêmica, Coaching Integrado, dentre outras. Coautora dos livros: ‘Quais de Mim Você Procura’, ‘Mães Empreendedoras’ e ‘FETRANSPAR - 25 anos’.

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