Autoconhecimento

Recomeçar… Um bom começo de nova vida – Capítulo 12

Homem com roupas de corrida parado em pé, de costas, no meio de uma estrada.
Foto por soloway/123RF
Benedito Milioni
Escrito por Benedito Milioni

Capítulo 12 – FRACASSO É COISA DE SOBRA DE LETRA S E OLHE LÁ!

Não sei a quem creditar essa frase, mas seja quem for… agradeço veementemente! Ela não é uma daquelas frases que impactam pela contundência e brilhos dos termos empregados nem soa como uma novidade ou algo que surpreende pelo ineditismo, mas é uma frase que até poderia ser encurtada para: “Recomeçar é se dar uma nova chance e retomar seus sonhos”. E continuaria a ser uma bela frase, por isso a escolhi para inspirar esse pedacinho do livro.

Fracasso é uma imposição de terceiros, é arbítrio dos que acreditam que tudo é linear, que tudo deve convergir para dar certo sempre. É uma palavra inventada certamente por um ser que jamais aprendeu que não existe derrota, que muito menos se deve aceitar o erro como uma prova de absoluta incompetência. Na verdade, o ser a que me refiro foi um grande erro…

Não há fracasso… a não ser que você, estimado(a) leitor(a) que imagino estar espantado(a) com essa minha apostasia, queira aceitar o que não deu certo AINDA como fracasso que veio da cabeça do ser acima citado, que suspeito que seja uma cruzamento de essência de jiló com psicologia de bicho-papão, porque só serve mesmo para pesar nas costas das pessoas e lhes atrapalhar a vida! Às favas, pois, com tão repulsiva criatura e atenta leitura para o que se segue! Cinco boas provas de que recomeçar não é assumir que houve fracasso:

Fracasso é coisa final, alma em fuga, vontades e energias drenadas, enquanto recomeçar está mais para vamos brincar de recriar o Universo.

Fracasso é ato de rendição, é entrega de pontos, como se diz no popular, enquanto o ato de recomeçar é uma espécie de bola no meio de campo novamente e o juiz apita para que nós recomecemos a jogar, porque é nossa a posse de bola.

Barcos de papel enfileirados sobre uma mesa.
Foto de Miguel Á. Padriñán no Pexels

Fracasso é porta dos fundos, na medida em que o ato de recomeçar é pisar no tapete da porta da frente novamente, porém já sabendo por onde não caminhar na nova incursão pela vida.

Fracasso é uma sujeição a parâmetros de julgamento por terceiros, quartos e quintos nem sempre pautados por correção, justiça e lucidez, enquanto que recomeçar é uma trajetória que se sujeita apenas ao que possamos assumir como vontade pessoal.

Fracasso é “quase”, “bola na trave”. Recomeçar é “outra vez”, “agora vai”

O fato é que a expressão “fracasso” e sua significância devem ser mais um produto sem nobrezas do marketing norte-americano de valores sociais, que se compraz e uiva de prazer ao criar rótulos para estratificar as pessoas e, é claro, vender-lhes pílulas de salvação de todos os tipos. “Winner” ou “loser”, “vencedor” ou “perdedor”, cada pessoa joga num desses times, de acordo com o ideário rasteiro que perpassa os padrões de conduta vendidos pelas diversas mídias.

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Na verdade, segundo aprendi com os iluminados de quem fui aprendiz, fracasso só há quando nada se faz para iniciar ou recomeçar um constructo qualquer na vida. Fracassar não é jamais errar, nunca ter experimentados desacertos, assim como nunca foi o rótulo para tudo o que não deu certo ou para assemelhados. É uma palavra que, a meu ver, deveria ser banida do dicionário ou anexada na extensa lista das expressões de mau gosto. Sua serventia limita-se ao atormentar a vontade de viver. Li uma frase muito inteligente num desses muros da cidade de São Paulo, onde a poesia concreta é pintada por anônimos: ”O único fracasso errado é o ‘fracaço’!”. Logo a seguir, outro anônimo registrou: “Isso aí, parça!”. Pena que a Prefeitura tenha mandado cobrir tudo com tinta… cinza! Lembro, ademais, de uma tirada muito divertida do saudosíssimo Mussum, Sr. Antonio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994), um dos Trapalhões, programa dominical veiculado durante muitos anos pela Rede Globo: “Fracassis é o de defuntis querendo assustar caveiris no cemitéris!”.

Tabuleiro de xadrez com várias peças derrubadas e apenas uma em pé.
Foto de Gladson Xavier no Pexels

Não deu certo? Não deu e pronto, é hora de tentar novamente! Se a sua escolha é deixar como está aí, sim, pode ser algo como… fracasso, mas, passando ao largo desse sentimento amargo, tenha como regra que é preciso tentar novamente, encontrar novos caminhos, abrir novas trilhas e pisar em pedras soltas, mas não aceitar o pesado manto do… fracasso.

Se o(a) estimado(a) leitor(a) pesquisar frases sobre “fracasso” no Google, conhecerá infindável série de verdades ditas por homens e mulheres que nos brindam com suas centelhas de sabedoria e, a estas, sem supor que possam ter o mesmo brilho dos tantos notáveis lá encontrados, penso que possa acrescentar frase de minha lavra: “A única vantagem de FRACASSO sobre SUCESSO é uma letrinha só, e olha lá!”.

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Sobre o autor

Benedito Milioni

Benedito Milioni

Graduado em Sociologia e Administração, 46 anos de carreira executiva e técnica em Desenvolvimento de Pessoas, autor de 32 livros, autor de 5 e-books, co-autor de 15 livros e autor de 25 manuais técnicos.

Dirigiu treinamento para mais de 3.349 grupos (cerca de 81.000 treinandos), dos quais 36.760 da área de RH, cerca de 24.736 Gestores e Líderes, 18.610 na área Comercial e 3.318 em Competências de Negociações . Formou cerca de 2.450 Instrutores e Multiplicadores Internos e 610 Consultores Internos Participa, regularmente, como conferencista sobre Tecnologia de Gestão em T&D em eventos nacionais e internacionais.

Apresentou mais de 2.104 conferências e palestras para mais de 200.000 pessoas. Prestou serviços a mais de 440 empresas, no Brasil e no exterior (América Latina, América Central, África e Europa). Júri de prêmios de Excelência na Gestão de Pessoas.

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