Autoconhecimento Psicologia

Se sua casa estivesse pegando fogo, o que você salvaria?

Portrait of shocked young man in glasses with open mouth
Patricia Carvalho
Escrito por Patricia Carvalho
Por diversas vezes, somos arrebatados por situações de vida que nos levam a refletir sobre nossas condutas, sobre o que pensamos, sobre o que somos. Na maioria das vezes essas situações surgem inesperadamente, sem um fax para nos comunicar e nos preparar para elas. Sem qualquer aviso prévio. E assim é a vida.

Não adianta gritar, chorar ou se desesperar, a situação vem, te arrebata e segue adiante. Nós, em nossa pequenez emocional, ingenuidade e despreparo total, não sabemos como agir. Choramos, sim, gritamos também e nos desesperamos com toda certeza. Afinal, somos humanos, e drama é uma de nossas grandes paixões.

A vida é que ignora esse fato. Custava um aviso com cinco dias de antecedência? Daí, quando nos deparamos com perguntas reflexivas como essa: “E se minha casa estivesse pegando fogo o que eu salvaria?”, encontramos um drama.

Young Couple Moving In To New Home Together

A resposta mais óbvia seria minha família, filhos, o cachorro ou para o mais racional os aparelhos eletrônicos e o que tiver de mais valor. Mas e se esse incêndio não fosse na sua casa, fosse dentro de você, internamente, e tivesse que escolher algo aí dentro. O que você salvaria? Talvez, você diga todo seu conhecimento, tudo que aprendeu até hoje – e ele com certeza seria útil. Mas até quando? Saber é importante, contudo, perde sua razão sem o Ser.

“Mas e se esse incêndio não fosse na sua casa, fosse dentro de você, internamente, e tivesse que escolher algo aí dentro. O que você salvaria?”

Sendo assim, você pode dizer que o melhor seria salvar suas lembranças. São elas que te fazem quem você é hoje, quem você foi um dia, e lhe dá um norte para quem você quer ser no futuro. Sim, lembranças são fortes e especiais, um ponto de equilíbrio em nossa existência. Contudo, será que somente as lembranças te dariam motivos para prosseguir? Afinal, o fogo apagou tudo aí dentro, será que as lembranças apenas não trarão nostalgia, desejo de reviver, de ter o que perdemos? É para se pensar!

Então, o que salvar? Que tal sentimentos? Ah! Sim, os sentimentos. São eles que conduzem o ser humano em sua jornada evolutiva: o desejo, o medo, a alegria, a angústia, a arrogância, a raiva, o ódio, a piedade, a bondade e, entre tantos outros, o amor.

Não obstante, acredito que você salvaria só os bons sentimentos como alegria, piedade, bondade e amor ou talvez só o amor. Mas, e os ruins, não? Eu salvaria todos. Isso mesmo, todos.

Todos os sentimentos somos nós, fazem parte do que e de quem somos. Nosso yin e yang; preto e branco; alto e baixo, nós somos essa antagônia. Não é o outro que nos complementa, somos nós, justamente por essas nossas oscilações, por essas nossas forças opostas, que de tão opostas que são, se complementam.

Somos uma roda viva de pensamentos e sentimentos e fazem parte cada um deles.

“Acredito que você salvaria só os bons sentimentos como alegria, piedade, bondade e amor ou talvez só o amor. Mas, e os ruins, não?”

O ser humano é como as plantas, precisamos da água fresca cristalina, pura e do Sol radiante a nos iluminar, para crescer e florescer. Mas sem o adubo, que se constitui de restos e de coisas fétidas, nós não crescemos com força, não evoluímos com mais firmeza. Precisamos dos dois. O bom e ruim. O amor e o ódio. Assim somos nós.

É por não compreendermos isso que sofremos tanto. Ao não aceitarmos o que somos, vivemos em constante insatisfação e, por vezes, perdemos o sentido da nossa existência, pois, quando aceitamos o que nos constitui e o que faz parte de nós, podemos dominar essa nossa particularidade e nos concentrar, para usufruir o melhor de cada um.

Devemos usar os sentimentos ruins como propulsão e os bons como direção.

E sigamos em frente, porque depois de apagar o incêndio (interno), você terá que recomeçar com o que salvou, e esse novo processo de criação só diz respeito a você.

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Sobre o autor

Patricia Carvalho

Patricia Carvalho

Meu nome é Patricia Carvalho (Patty Carvalho) sou formada em psicologia e atuei em clínica durante alguns anos, atualmente não estou exercendo a profissão, porém o ser humano e seu poder de crescimento pessoal, emocional e espiritual ainda me fascinam; crescer e evoluir são coisas que me move.

Uma libriana, mãe de menino, que não vive sem massas (e doces) e que adora filmes e livros.

Ler é uma paixão, já escrever é um "hobbyterapia" que descobri recentemente e espero poder continuar praticando em meu benefício e de quem mais eu possa auxiliar com minhas palavras.

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