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Sexualidade – Histórias com Osho

Osho com as mãos na cabeça de um homem e uma mulher, que estão em estase.
Anand Nisargan
Escrito por Anand Nisargan

Olá! Eu lembrei de um episódio, testemunhei quando eu estava em Puna, na Índia, no espaço Osho. Teve uma pessoa, que andava de cadeira de rodas e estava mais ou menos sempre por lá, inclusive eu a vi em Rajneeshpuram, ela aparece até um vídeo.

Ela tinha uma fala que era difícil de entender e sempre tinha um cara que empurrava uma cadeira de rodas. Ele era todo torto, mas era inteligente, tinha uma consciência normal, o problema era físico. E ele fez uma pergunta pro Osho, relacionado a sexualidade.

Eu não me lembro exatamente qual foi a pergunta, mas eu me lembro que ele expressava que era um cara normal sexualmente. Ele tinha desejos, mas, devido a condição física dele, ele não satisfazia esses desejos.

Aí o Osho respondeu, e essa resposta mostra muito sua dimensão surpreendente, fora da corrente tradicional. Talvez, na grande maioria das linhas, o mestre poderia dizer: “Olha, você tá tendo uma oportunidade de transcender algo que a maioria das pessoas tem mais obstáculos para transcender.”. Eu não sei, poderia ser uma resposta dessa, poderia falar que o cara, no fundo está com mais vantagem, não sei.

Mas não, o Osho não falou nada disso, e isso é uma coisa que vale pra todo mundo. Sexo é uma realidade, é uma necessidade humana, nós somos moldados, fisiologicamente, pra isso, não tem porque ir contra. Isso já vai completamente numa direção contrária das linhas tradicionais, “Não devo!”, “Não posso!” e “Devo transcender!”.

Aí o Osho falou uma coisa que realmente me pegou de surpresa. Ele falou que se houvesse uma mulher que baixasse, não sei as palavras do Osho, mas que baixasse a inspiração de ter um contato com esse cara, um contato físico, contato sexual, poderia ser uma benção, um ato de compaixão, que poderia ser uma benção para os dois, na verdade, não só pra ele.

É engraçado, e aí, não sei se foi no dia seguinte ou depois de dois dias, não me lembro, eu estava andando num lugar, porque o espaço do Osho eram casas muito grandes, em um bairro com mansões dos ingleses, na época que eles eram colonizadores da Índia e tal. Então a construção principal tinha uma outra atrás, que tinha que atravessar uma rua e era um lugar não tão muito frequentado, e eu fui lá fazer não sei o que. E aí, pela primeira vez, eu vi uma moça empurrando a cadeira de rodas do cara, porque sempre era um rapaz que fazia isso, e era uma moça que tava levando ele.

Ele chorava e chorava copiosamente, é a minha leitura daquele choro, é claro que nunca posso ter certeza, mas a minha leitura daquele choro é uma leitura de gratidão. Gratidão pelo Osho, pela situação, pela experiência, que muito provavelmente ele estava para ter e que talvez tenha sido a primeira da sua vida.

O condicionamento que a gente teve contrário ao sexo é realmente brutal, mas o Osho ousou quebrar esse condicionamento. É claro que quando a gente fala que o Osho falava que o sexo é natural e tem que ser visto como natural, ele não tá falando de sexo mental, ele não tava falando de a gente alimentar fantasias, de viver em pornografia. Era uma outra dimensão, muito pelo contrário, o Osho é anti pornográfico. Não que ele seja diretamente, mas a sua mensagem é anti pornográfica, porque quanto mais natural o sexo menos necessidade de pornografia.

Quando eu morava na comuna na Alemanha, comuna do Osho , uma que era subordinada à China, subordinada à Rajneeshpuram, o nosso banheiro, em uma determinada construção, tinha o dormitório, cada um tinha seu apartamento, quer dizer, um grupo de pessoas ficava em um apartamento, então era um banheiro pequeno. Mas quando a gente tava em um local de trabalho, onde tinha o restaurante, tinham outras coisas, havia um banheiro coletivo. Era um banheiro que tinha, não sei quantos, não me lembro agora, mas tipo assim uns 6 ou 7 chuveiros, um ao lado do outro, sem divisórias e a gente tomava banho, homem e mulher, normal.

E realmente era normal, natural e ficávamos absolutamente à vontade, independentemente de quem estava tomando banho do nosso lado. Eu te pergunto, quantas vezes vocês acham que eu vi alguém transando no chuveiro? Quantas vezes vocês acham que eu vi um amasso? Ou algo assim bem sexual? Eu fiquei mais de um ano lá, nenhuma vez, nenhuma vez!

Não que não houvessem relações sexuais, mas aquele não era o contexto. Aquilo realmente era natural, era tranquilo, não passava na cabeça. Então, entendeu Osho, pessoa acha que havia orgia, alguns vídeos acham que haviam orgias, não havia nada disso! Pelo menos não que eu presenciei.

É como o índio né?! O índio não tem essas que um civilizado teria, para ele aquilo é natural e ele transa, é claro. Agora quando eu tava naquela atmosfera era uma coisa, depois que eu saí dessa atmosfera e voltei aqui pro mundo as coisas mudaram, os condicionamentos eles foram voltando.

É muito profundo, realmente eu sinto isso. O condicionamento sexual, ou anti sexual, é muito profundo, não é fácil se libertar. Por exemplo, uma vez eu estava lá, eu tinha uma companheira, qual eu estava junto há alguns anos, e teve um dia que ela não dormiu comigo. Teve um dia que ela foi dormir com um inglês, não era comum isso acontecer, mas ela foi dormir com um cara que eu gostava muito, muito legal, muito simpático esse inglês, e eu fiquei na boa.

Naquele contexto eu fiquei na boa. Na manhã seguinte eu cruzei com o cara e cumprimentei normalmente, continuou com o mesmo nível de amizade. Agora, fora desse contexto a coisa complica, não é bem assim. Então, o incentivo que o Osho dá é que a gente passe a encarar, cada vez mais, com naturalidade essa dimensão sexual que a gente tem.

Agora, no contexto que a gente vive, como não é assim, fica difícil eu conseguir ser natural. Então a nossa sociedade tem muito que caminhar, mas a impressão que eu tenho é que ela está indo bem, comparada com o que era.

Então a ideia desse vídeo foi só, acho que o ponto principal assim, o ponto mais forte pra mim foi aquele momento que eu vi aquele rapaz chorando copiosamente, porque alguém teve a sensibilidade e a compaixão de fazer com que ele experimentasse algo tão bonito como o contato físico, algo que deveria ser sagrado, que infelizmente a própria repressão é que destrói a sacralidade.


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Sobre o autor

Anand Nisargan

Anand Nisargan

Anand Nisargan é o criador do ESPAÇO PRESENÇA e focalizador de seus Retiros de Meditação.

Formado em Medicina na Unicamp, em 1994 abandonou seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação.

Bebeu da fonte do Mestre Osho em sua própria presença física e foi membro de suas comunas na Alemanha, Itália e Brasil, sendo tradutor de dezenas de seus livros e vídeos. Autor do livro “A Arte de Estar Presente”.

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