Saúde Integral

Sinais de comportamento suicida

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

“Crônica de um suicida”

“E assim que acorda: levanta, arruma a cama, toma o banho, põe a gravata, toma café, escova os dentes, e coloca os sapatos. Vai para o trabalho, e ninguém vê sair , passar, dizer “olá”. No caminho, os carros o ultrapassam, as pessoas vão com pressa, o dia cinza, completamente cinza, é uma mistura do preto no branco, branco no preto, mais um carro. Chega ao destino. Seu nome não lembra, era algo como João, trabalhava num escritório firme, na zona leste, vivia de terno na rua, e de chinelos em casa, se configurava estranhamente, era uma cara azeda, o queixo é um ângulo agudo, mas os olhos, e se tivessem visto aqueles olhos, não eram azuis, não eram verdes, não eram castanhos , eram cinzas, era aquela mistura de preto no branco, branco no preto. E seguia, a secretaria falava um bom dia com um sorriso, sabia ele, ser forçado. Não há esperança, até que finde o expediente, era aquela melancolia, a janela uma fresta de céu , e era cinza, a papelada sempre na mesa, empilhada, pouco tinha de tempo para delas se desfazer, e seguiam os dias, ia para as festas, sorria, um sorriso de canto, e já não vivia, apenas suportava os dias, as horas, os minutos (…). Voltou para o apartamento, depois do “bendito seja” engarrafamento, que deu-lhe uma reflexão, tamanha perda de tempo era aquilo, e disse para o amigo que já não mais aguentava, que já não mais suportava, queria mudança. E saiu do carro, e ligou a luz, e tirou o sapato, fez daquilo um alívio, o maior prazer de sua vida estava naquele momento, e assim foi passear na cozinha, e tomou um café, e saiu na sacada da sala, debruçou-se no parapeito, era verão, e o céu estava cinza, e o homem, que talvez fosse João, voou. E noutro dia era falatório, e os moradores falavam “cruz-credo”, “Ave-Maria”, mas era tão bom moço, alegre, dizia “bom dia”, morreu do que? Não morreu, suicidou-se, foi para chamar atenção, e o cinza de seus olhos e seu nome, ninguém viu, ninguém conhecia.”

O que leva as pessoas a se suicidarem, na maior parte das vezes, é a tristeza, insatisfação, o medo da mudança, o desespero do fracasso.
O suicídio enfrenta muitos tipos de preconceitos, os suicidas são pessoas que precisavam de ajuda, mas muitas vezes não são compreendidas. Uma das maiores causas de suicídio é a depressão, que é uma doença muitas vezes ignorada e vista com completo descaso. A típica frase “foi para chamar atenção” comprova o preconceito ou a ignorância existente sobre o assunto.
Se pudermos conhecer um pouco dos sinais do suicídio podemos encará-lo de uma forma amena, diferente e, dessa forma, evitá-lo. Podemos ajudar as pessoas que passam pelo sentimento de desistência da própria vida. Devemos estar atentos às pessoas a nossa volta, e nos colocarmos à disposição quando estas precisarem de ajuda.

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Pessoas com tendência suicida tendem a apresentarem falta de vontade, melancolia, sonolência. Ocorrem mudanças no comportamento como:

  • Se afastar dos amigos
  • Não ter vontade de sair de casa
  • Falar sobre assuntos que envolvam temas de morte
  • Dizer frases como: “Não aguento mais essa vida”, “ Quero morrer”
  • Depressão
  • Deixar de lado hobbies e atividades que gostava de fazer
  • Perda de interesse pela maioria das coisas que envolvam relacionar-se com outras pessoas.

Assim como na crônica, onde o personagem esquece o próprio nome, como se fosse uma alusão a esquecer de si mesmo, o suicida deixa de cuidar-se, de arrumar-se. Enfrenta situações como o trânsito, ou uma conversa com profundo desinteresse. E, como João, sentem-se não notados, isso ocorre porque verdadeiramente eles próprios deixam de se notar. O momento de suicídio é introspecto, a pessoa se fecha em um mundo cinza “ ..uma mistura do preto no branco, branco no preto…” .

Esse tema foi transformado numa espécie de tabu, e a maioria de nós o ignora. Falar sobre esse assunto com pessoas que tenha-se notado estar muito quieto ou distante é importante. Não se deve evitar falar do problema, é fundamental ouvir o que a pessoa tem a dizer e tentar entender o que ela está passando. Deve-se conversar com a pessoa e, se necessário, encaminhá-la a um profissional.


Texto escrito por Giulia Maquiaveli da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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