Musicoterapia Saúde Integral

Surdez, ruídos e fones de ouvidos

Alexandre Faria
Escrito por Alexandre Faria

“Oi? Pode repetir? Você disse o que mesmo? AAAPOOOLOOONIIOOOO É VOCÊ!!!”

– Bordão eternizado com a personagem Bizantina Escatamáquia Pinto, vulgo Velha Surda, personagem eternizada no programa “A praça é nossa”, quem é da década de 90 em diante talvez não a conheça, mas deixaremos um link autoexplicativo:

Quem nunca passou por essa situação né!? Personagem esta que tirou milhões de gargalhadas semanais com um estereótipo do nosso cotidiano.

Pois bem, agora imagine isso acontecendo com adultos antes de chegarem a melhor idade… Agora imagine acontecer isso com jovens e adolescentes… Parece não ter tanta graça agora. Essa geração de crianças, adolescentes e jovens estão perdendo a audição em doses homeopáticas que em um futuro próximo este reflexo será ampliado bem antes de chegar na velhice. Outra informação, talvez mais assustadora que esta anterior, é saber que as crianças e jovens fazem isso de maneira inconsciente todos os dias.

Primeiro, vamos entender como funciona a nossa audição e o nosso aparelho auditivo para depois chegarmos à prevenção e soluções para esta grande problemática.

Nosso aparelho auditivo é dividido em 3 partes: orelha externa que é composta por pavilhão auricular e canal auditivo, orelha média que é composta por tímpano, martelo, bigorna e estribo e, por fim, orelha interna que nela é onde acontece o sistema de transdução, composto por cóclea e nervos auditivos. Calma, que se ficou complicado estes nomes e esta subdivisão, em seguida está um esquema para esclarecer o que acabamos de dizer.

Na orelha interna é onde a mágica chega ao seu ápice. A cóclea é aquele caracol, da imagem acima, dentro dela existe um líquido (líquido coclear), no revestimento interno da cóclea existem as células ciliadas que têm este nome porque se parecem com cílios, a função das células é basicamente codificar vibrações, através do líquido coclear, transformando o impulso mecânico por meio aquoso em impulso elétrico, da cóclea saem alguns nervos adjacentes que formam o nervo auditivo, que por sua vez, enviam as mensagens para o córtex auditivo, localizado no lobo temporal que é onde esta mensagem é codificada.

PARA TUDO QUE AGORA É QUE NÃO ENTENDI… ESTAMOS FALANDO DO QUE MESMO?

Calma, pois fizemos um esquema simplificando todo este parágrafo (os acadêmicos que me perdoem, rs).

Uma massa de ar-sonora é empurrada em nossa orelha, toda essa vibração de ar é transformada em movimento naqueles ossículos, que por sua vez, fazem movimentar um líquido dentro daquele caracol, que por sua vez, transformam aquelas ondulações em impulsos elétricos que chegam até o cérebro! UFA! AGORA SIM FICOU MAIS CLARO!

Agora que já entendemos a estrutura do nosso aparelho auditivo, vamos entender como acontecem as perdas auditivas. Há quatro tipos de perda auditiva: condutiva que é quando é afetada a orelha externa e média, perda neurossensorial quando é afetada a orelha interna, perda mista quando há perda condutiva e neurossensorial e perda congênita que é adquirida durante a gestação, através de medicamentos ou hereditariedade.

A partir de todas essas informações, vamos voltar ao tema central…

Por um acaso você já esteve em algum ambiente em que existissem pessoas com fones de ouvido? Provavelmente sim, né!? E por acaso já esteve em um ambiente ruidoso suficiente para atrapalhar uma conversa em tom normal e ainda assim ter uma pessoa no mesmo ambiente com fone de ouvido e você conseguir ouvir a música que a pessoa está ouvindo?

Existem inúmeras situações como essas o tempo todo, seja no trabalho, escola, faculdade, ônibus, metrô ou trem. O grande problema é que estas pessoas não estão pensando no quão prejudicial à saúde isto é. Aquele fone de ouvido intra-auricular fica em uma posição onde não há vazão de som, quando você ouve música muito alta é como se você abrisse a porta do ônibus ou metrô às 17:00 horas em uma sexta-feira na estação da Luz. Uma grande massa sonora é empurrada violentamente para seu aparelho auditivo. Se uma pessoa ficar exposta por longos períodos aos estímulos como estes, podem acontecer duas coisas em um tempo de médio a longo prazo, perda de audição condutiva por danificar o tímpano ou os ossículos, ou perda neurossensorial danificando as células ciliadas. Para aqueles que acham que aparelhos amplificadores resolvem tudo, não é tão simples assim. Se for perda condutiva o aparelho funcionará como uma caixa de som amplificadora, agora uma perda neurossensorial a complicação é maior.

Lembra das células ciliadas? Imagine que elas são como carpetes bem felpudos, se você pisar nele as fibras irão se dobrar e aos poucos voltam a forma original, agora se você colocar um móvel sobre o carpete e deixá-lo por um longo tempo muito provável que fique a marca do móvel e suas fibras não voltarão ao formato original.

Quem diria que um fone de ouvido mal utilizado poderia causar um problema de saúde hein!?

Pessoas que trabalham em ambientes ruidosos e que exijam a utilização de EPIs devem cumprir com esta norma, pois, como acabamos de ver, a saúde auditiva é um assunto de extrema importância.

Prevenção: o que fazer?

– Evite ambientes com ruídos intensos, e se você trabalha em lugares assim, use o protetor auricular; 

– Procure um profissional da fonoaudiologia para fazer a audiometria pelo menos uma vez ao ano; 

– Não é proibido ouvir música alta, apenas tome cuidado com o tempo de exposição a este som, pois pode ser prejudicial; 

– Fones de ouvido In-ear e intra-auricular são mais prejudiciais, se puder, prefira sempre um Over-Ear ou On-Ear, que são aqueles fones tipo concha que cobrem a orelha ou uma parte dela. 

Sobre o autor

Alexandre Faria

Alexandre Faria

Bacharel em Musicoterapia pela FMU, especialista em LIBRAS pela Faccamp e facilitador de Roda de Tambores.

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