Fonoaudiologia Saúde Integral

A deficiência auditiva e o desenvolvimento infantil

Neusa Botana
Escrito por Neusa Botana

Logo após o nascimento, o bebê mostra-se atento para os sons de brinquedos, os sons musicais e as vozes que fazem parte do seu ambiente. Sua maior atenção se volta para a voz materna que se torna, com o tempo, um forte elo de ligação entre a criança e a mãe.

O bebê recém-nascido pode ouvir um grande número de sons. Ao se tocar uma campainha ou balançar um chocalho perto da orelha de um bebê, ele reagirá de alguma forma, podendo, por exemplo, mover-se ou apresentar um aumento do ritmo cardíaco. O fato de que a criança mostra algumas reações indica que ela ouviu o som de alguma forma, embora não deixe claro se ela pode ou não reconhecer a diferença entre vários sons.

Desde muito pequeno, o bebê também emite sons. Inicialmente são os “arrulhos”, que vão se tornando mais sofisticados, apresentando-se na forma de “balbucio” que, por sua vez, vão progredindo até chegar a emissão de palavras e sentenças, as quais constituem a linguagem com a qual nos comunicamos. No período escolar, a linguagem já está bastante desenvolvida, tornando-se extremamente necessária para a continuidade do aprendizado escolar.

O processo de comunicação entre os indivíduos através da linguagem oral depende da audição, que é um fator importante no contato da criança com o mundo. A comunicação é a forma como os indivíduos transmitem as informações.

Audiologist putting a hearing aid into young boys ear

A deficiência auditiva (também conhecida como hipoacusia ou surdez) é um tipo de privação sensorial, cujo sintoma comum é uma reação anormal diante do estímulo sonoro. A surdez é, portanto caracterizada pela perda, maior ou menor, da percepção normal dos sons, havendo vários tipos de deficiência auditiva, em geral classificadas de acordo com o grau de perda da audição. Esta perda é avaliada pela intensidade do som, medida em decibéis (dB), em cada um dos ouvidos.

No passado, costumava-se achar que a surdez era acompanhada por algum déficit de inteligência, no entanto, com a inclusão dos surdos no processo educativo, compreendeu-se que eles não tinham a possibilidade de desenvolver a inteligência em virtude dos poucos estímulos que recebiam devido à dificuldade de comunicação entre surdos e ouvintes. O desenvolvimento das diversas línguas de sinais e o trabalho de ensino das línguas orais permitiram aos surdos os meios de desenvolvimento de sua inteligência.

As perdas auditivas podem ser classificadas pelas possibilidades auditivas sonoras como:

  1. de 41 a 55 dB – surdez moderada
  2. de 56 a 70 dB – surdez acentuada
  3. de 71 1 90 dB – surdez severa
  4. acima de 91 dB – surdez profunda
  5. anacusia

Quem realiza a audiometria (exame para verificar a acuidade auditiva) é o fonoaudiólogo.

Atualmente, deve ser realizada a triagem auditiva neonatal nos primeiros dias de vida do bebê, ainda na maternidade, para que se possa descartar ou detectar algum comprometimento auditivo.

O ideal é que a perda auditiva seja detectada antes dos 3 meses de vida e os procedimentos de reabilitação, orientação familiar e colocação de prótese auditiva (aparelhos) não ultrapassem os 6 meses.

Sobre o autor

Neusa Botana

Neusa Botana

- Formada em Fonoaudiologia e Psicopedagogia pela PUC - SP.
- Especialista em motricidade oral, leitura e escrita, método reorganização neurofuncional – Padovan.
- Pós graduada em Distúrbio de Aprendizado pela PUC-SP.
- Pós graduanda no setor de pediatria do Instituto da criança do HC- FMUSP.
- Professora convidada para cursos de pós graduação na área de Distúrbio do Aprendizado em indivíduos portadores de dislexia, autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.
- Fonoaudióloga em equipe multidisciplinar no Ambulatório do Distúrbio do Aprendizado – Instituto da Criança do ICR – FMUSP.

Fonoaudióloga – CRF2: 3296

Contato:

Clínica: Rua Guaipá, 1238 – Vila Leopoldina/SP
Telefone: (11) 3832-2419
Email: [email protected]