Autoconhecimento Comportamento

Tempo de Mudança

Borboleto fora do casulo
Juliana Meyer Luzio
Escrito por Juliana Meyer Luzio

Mudar é preciso! Mais do que nunca estamos ouvindo essa frase e vivendo um tempo que nos pede mudanças. Mas o que pode significar mudar? O que quer dizer essa palavra quando a transformamos em ato?!

Numa rápida busca no Google encontramos como significados de mudança: troca de um lugar para o outro, transformação decorrente de certos fenômenos e modificação do estado de algo. Esses três significados expressam muito o que pretendo transmitir com esse texto.

E vamos começar nos perguntando que lugar ocupamos nas relações que vivemos com as outras pessoas – somos aquela que julga? Aquela que faz tudo pelo outro e esquece de si mesma? Ou aquela que sabe de tudo e tem todas as soluções pros problemas dos outros? Será que somos a mais sofrida e que tem mais perrengues na vida? Ou aquela que sempre está bem, feliz e tira de letra o que nos acontece? Quem somos quando nos relacionamos com as outras pessoas? Ao nos perguntarmos isso, podemos ter um breve relance do lugar que ocupamos no cotidiano das relações que vivemos.

Mulher encostada com mãos nos ombros e olhos fechados
Foto de Thuanny Gantuss no Pexels

Quando nos observamos com coragem descobrimos coisas importantes sobre nós mesmas, nos surpreendemos com sentimentos e ações que passam despercebidos na correria do dia-a-dia e diante dessas descobertas nos cabe escolher entre deixar de olhar e seguir do mesmo lugar que sempre ocupamos ou abrir bem os olhos e enxergar, questionar, acolher, para então transformar. Nos transformar!

Mas se transformar não é fácil, não é rápido e dá muuuuuuuuuito trabalho! E por que é tão difícil assim se transformar?

Por alguns motivos que são comuns a todos, como a cultura em que vivemos e internalizamos desde que nascemos com padrões, dogmas e exigências que norteiam nossas ações. E outros mais singulares como nossa rede familiar com suas próprias crenças, histórias, traumas, teias e repetições que muitas vezes inconscientemente nos guiam.

Mudar também é difícil por estarmos acostumadas a viver num certo ritmo, com certas expectativas, num certo ambiente – enfim, vivemos inseridos num quadrado em que cada coisa tem sua forma de funcionar e nada pode sair desse modus-operandi.

Mudar é difícil, porque nos habituamos a responder as demandas dos outros, sentindo o que eles esperam que sintamos, falando o que eles esperam ouvir, indo aos lugares que todos frequentam, ouvindo e lendo o que aparece nas listas de mais vendidos. Nos habituamos a silenciar nossas emoções, nossos quereres e nosso próprio ritmo e nos tornamos estrangeiros em nós mesmos.

Por estes motivos que descrevi e muitos outros particulares a cada um de nós fomos acreditando que respondendo de onde imaginamos que os outros querem seremos felizes, realizados e pertencentes. Só que não! Ao invés disso estamos cada dia mais sozinhos, mais doentes social, física, emocional e mentalmente.

Mas é curioso que, mesmo diante de tanto sofrimento, mudar é algo que não faz parte dos nossos planos e projetos, por quê? Para além de tudo que citei acima, há uma ilusão de que temos o controle, de que sabemos o que fazer e o que vai acontecer em nossos dias. Há uma certa previsibilidade nas ações e reações de familiares, de chefes, amigos e colegas de trabalho e isso nos dá uma sensação de segurança, de caminhar num campo conhecido. E quando pensamos em mudar algo, por menor que seja a mudança, ela afeta essas relações, ela nos tira essa previsibilidade porque nós estaremos agindo de forma diferente e consequentemente isso acarretará mudança no agir do outro. Como vamos lidar com o que não conhecemos, não estamos habituadas?

A ilusão de controle nos impede de mudar! Mas o controle é uma ilusão e a morte é um dos acontecimentos que nos lembra isso, a maternidade também e se buscarmos na memória encontraremos vários acontecimentos cotidianos que nos mostram isso. Os acidentes de trânsito, a chuva que chega do nada, o atraso das pessoas, uma reunião adiada, enfim, se repararmos, muita coisa acontece todo dia pra nos mostrar que NÃO temos CONTROLE.

Mudar, transformar, modificar pede movimento e confiança no desconhecido. Confiança no que se é justamente quando vivemos tão distante de nós mesmos. Confiança em nossa capacidade de responder de outro lugar e nos sentirmos bem.

Ponte com rio embaixo e neblina com sol refletindo
Foto de Lukáš Dlutko no Pexels

Mudar, transformar, modificar pede coragem em se olhar e reconhecer o que nos agrada, nos alegra, nos entristece, nos distancia de nosso ser. É deixar a playlist que ouvimos de lado e ouvir novos sons, se abrir para novas letras e ritmos. É olhar a estante e perceber que livros existem ali, quais ainda não foram lidos e se perguntar porquê os comprou e não os leu? Talvez, isso te diga de compras por impulso ou de compras internas, movidas por algo que te é familiar e justamente por isso ficou ali esquecido na estante – leia esses livros, abra seu horizonte literário e não tema se apaixonar por coisas novas.

Mudar, transformar e modificar pede força para nadar contra a maré conhecida e ultrapassar a arrebentação. E pra que essa força tenha sustentação é preciso ter Fé no mistério que é a vida, é preciso saber e sentir que há algo de imponderável e invisível que nos guia e que guia todo o universo em que vivemos. É preciso mergulhar no oceano com toda nossa sombra e luz para então nos conhecermos como boas companhias para nós mesmas. A partir desse mergulho será possível caminhar em nosso próprio ritmo e perceber de tempos em tempos os convites que recebemos da vida para entrarmos em novas ruas, conhecermos novas pessoas e com isso transformar nossas mudanças em algo mais leve, contínuo e amoroso.

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Mude, se cuide, se descubra e principalmente se apaixone por você mesma, por que assim será possível transformar essa paixão em amor e esse amor por si em amor por toda humanidade. Aí sim a maior sensação de pertencimento tomará conta de você, você tomará conta do planeta e tantas outras mudanças no seu estilo de vida fluirão naturalmente.

Mude e se cuide!

Sobre o autor

Juliana Meyer Luzio

Juliana Meyer Luzio

Terapeuta que constrói sua clínica através de um espaço que integra fala, consciência corporal e quietude, tornando possível uma reconexão com o que há de belo, delicado e muito forte em nós - nossa saúde.

Formada em Psicologia, Psicanálise, Terapia de Integração Craniossacral, Transmutation Therapy, entre outros, está sempre em busca de conhecimentos que agreguem, em seu dia-a-dia maneiras, diferentes de olhar a vida.

Atualmente, além de sua clínica, lançou a Îandé, onde tem se dedicado à arte de criar e costurar produtos exclusivos e cheios de carinho.

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