Os contos são como espelhos. Nos mostram, com delicadeza e verdade, as paisagens internas da alma. Hoje quero te contar um desses contos. Simples, antigo… e profundamente transformador.
Diz a história que, certa noite, quatro rabinos foram levados por um anjo à Sétima Abóboda do Céu. Lá, contemplaram a Roda de Ezequiel, uma visão sagrada, luminosa, que revela os mistérios mais profundos da existência. Ao descerem novamente à Terra, cada um reagiu de uma forma.
Um enlouqueceu.
Outro negou o que viu.
O terceiro se perdeu no excesso de palavras.
O quarto… virou poeta.
E viveu melhor.
Essa história, contada por Clarissa Pinkola Estés no livro Mulheres que Correm com os Lobos, carrega mais do que símbolos místicos. Ela fala sobre nós, mulheres em processo de despertar, de retorno ao essencial, de reconstrução da própria narrativa.
A jornada da alma feminina aos 40 +
Se há algo que escuto com frequência nas rodas e mentorias com mulheres, é: “Sinto que estou mudando, mas não sei o que fazer com isso.” Aos 40, 50, 60 anos, muitas de nós somos tocadas por uma espécie de anjo interior. Um chamado sutil, ou por vezes avassalador, que nos convida a olhar para a vida com outros olhos. A revisar nossas verdades, papéis e escolhas.
Mas o que fazemos com essa visão?
À luz da psicanálise junguiana, podemos entender esse chamado como o surgimento de conteúdos da alma que pedem integração. A constelação familiar nos ensina que, muitas vezes, esse despertar também vem das camadas transgeracionais: mulheres que antes de nós silenciaram seus desejos, e que agora, através de nós, pedem voz.
Mas nem sempre estamos prontas.
E é aí que os quatro rabinos se tornam arquétipos do nosso próprio modo de lidar com o sagrado que nos habita.
Os quatro caminhos diante do despertar
A que enlouquece
A mulher que entra em colapso. Que já viu demais, sentiu demais, segurou demais e não aguenta mais. Sua alma grita, mas ela não tem espaço para escutá-la. Muitas vezes, é a mulher que adoece, que implode ou explode.
Você já se sentiu assim?
A que nega
Ela vê, sente, intui… mas racionaliza.
“É só cansaço”, “deve ser a idade”, “não tem nada de mais”.
Nega a intuição, dúvida da própria sabedoria, tenta seguir no automático.
O que você tem fingido que não está acontecendo?
A que se perde no excesso
Fala sobre tudo, quer entender tudo, busca cursos, livros, respostas, rituais… mas não vive. Está tão ocupada tentando interpretar o sagrado que não o integra.
Você já se afogou em teorias sem permitir a prática silenciosa da alma?
A que vira poeta
Ela sente, acolhe, contempla… e transforma.
Não precisa explicar. Precisa viver.
Essa mulher encontra o sagrado no cotidiano: na filha dormindo, na comida que prepara, na estrela que brilha na janela.
Ela canta a vida com beleza e presença.
Você tem permitido que sua alma componha a própria canção?
Como transformar essa história em prática de autoconhecimento?
Esse conto não quer que você se cobre, mas que você se reconheça. E ao se reconhecer, possa fazer escolhas mais conscientes. Para isso, aqui vão três caminhos práticos:
🔹 1. Escute o que sua alma está pedindo.
Reserve um tempo de silêncio. Escreva. Pergunte a si mesma: “O que eu já vi e não estou conseguindo acolher?” ou “O que essa fase da minha vida quer me ensinar?”
🔹 2. Honre as mulheres que vieram antes.
Reflita: Quantas mulheres da minha linhagem silenciaram seus próprios despertares? Em constelação familiar, honrar não é repetir, é fazer diferente com amor.
🔹 3. Transforme sua dor em arte de viver.
Não precisa pintar quadros, nem escrever livros. A arte começa quando você coloca presença no que faz. Quando responde ao chamado da vida com inteireza.
O sagrado não está só nas visões celestes, mas em estender a mão, preparar o café, chorar em paz.
Qual rabino mora em você?
Essa é uma pergunta que gosto de fazer às mulheres que atendo. Não para rotular, mas para despertar.
Porque sempre é tempo de parar de negar, de deixar de enlouquecer, de soltar os excessos…
E escolher ser a poeta da própria história.
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Seja você uma mulher em transição, em renascimento ou apenas em busca de si, saiba:
Você não está sozinha.
E seu despertar pode ser leve.
Basta escolher cantar.
Quer aprofundar essa jornada?
Te convido a conhecer a minha Comunidade de Estudos do Feminino, onde cada encontro é um passo rumo à reconexão com a alma.
@tatiborsoipsi
