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E se o universo for muito mais participativo do que imaginamos?

Imagem de uma pessoa caminhando em direção ao horizonte, simbolizando a jornada humana, as escolhas e a participação ativa na própria história.
Cara Denison / Pexels / Canva
Escrito por Giselli Duarte

A experiência humana não é formada apenas pelos acontecimentos, mas também pela maneira como cada pessoa responde a eles. Entre circunstâncias e escolhas existe um espaço de participação que influencia trajetórias, significados e transformações. Reconhecer esse papel ativo amplia a compreensão sobre a própria vida e sobre a relação entre indivíduo e realidade.

Costumamos imaginar o universo como algo que simplesmente acontece diante de nós. Os acontecimentos surgem, as circunstâncias mudam, as pessoas entram e saem das nossas vidas, enquanto seguimos reagindo ao que aparece pelo caminho. Essa forma de enxergar a existência coloca o ser humano na posição de espectador, alguém que observa uma realidade pronta e acabada.

A questão é que a própria experiência cotidiana sugere algo diferente.

Pense em duas pessoas que passam exatamente pela mesma situação. Ambas perdem o emprego, enfrentam uma mudança inesperada ou atravessam o fim de um relacionamento. O acontecimento é o mesmo, mas os desdobramentos podem ser completamente diferentes. Uma pessoa se fecha, a outra se reinventa. Uma passa anos presa ao que aconteceu, a outra usa a experiência como ponto de partida para uma nova fase.

O que mudou não foi o fato em si. O que mudou foi a forma de participar dele.

Talvez este seja um dos aspectos mais interessantes da vida. Não vivemos apenas em um mundo de acontecimentos. Vivemos em um mundo de interpretações, escolhas, respostas e significados. A realidade que experimentamos não é formada apenas pelo que acontece conosco, mas também pela maneira como interagimos com aquilo que acontece.

A física moderna trouxe questionamentos semelhantes ao mostrar que, em certos contextos, observador e observado não são elementos tão independentes quanto pareciam. Embora muitas interpretações populares exagerem as conclusões desses experimentos, permanece uma pergunta fascinante: até que ponto a realidade é algo que apenas encontramos e até que ponto participamos dela?

Essa pergunta fica ainda mais interessante quando olhamos para a própria história humana.

Nenhuma transformação social surgiu apenas porque as circunstâncias mudaram. Mudanças ocorreram porque pessoas responderam às circunstâncias de maneiras diferentes. Novas ideias surgiram porque alguém decidiu questionar aquilo que parecia óbvio. Novos caminhos apareceram porque alguém escolheu agir de forma diferente da esperada.

A vida parece funcionar menos como um filme que assistimos e mais como uma conversa da qual participamos continuamente.

Nossas escolhas influenciam relacionamentos. Relacionamentos influenciam famílias. Famílias influenciam comunidades. Comunidades influenciam sociedades inteiras. Muitas vezes não percebemos a extensão dessa cadeia porque estamos olhando apenas para o momento presente.

Uma palavra dita hoje pode produzir consequências que continuarão se espalhando durante anos. Uma decisão aparentemente pequena pode alterar o rumo de uma vida inteira. Quando observamos nossa própria trajetória, percebemos quantas vezes acontecimentos decisivos nasceram de situações que pareciam insignificantes no momento em que ocorreram.

Talvez a ideia de um universo participativo comece justamente aí.

Não na noção de que controlamos tudo. Claramente não controlamos. Não escolhemos o clima, as circunstâncias históricas, os desafios que surgem ou os acontecimentos globais que afetam milhões de pessoas. Existe uma enorme parcela da realidade que escapa completamente à nossa vontade.

Imagem da das mãos construindo algo juntas, simbolizando a participação, o impacto das escolhas e a construção da realidade.
Kanchanachitkhamma / Canva

Ao mesmo tempo, existe outra parcela que depende diretamente da forma como respondemos ao que encontramos.

Entre aquilo que acontece e aquilo que fazemos com o que acontece, existe um espaço de liberdade. É nesse espaço que escolhas são feitas. É nesse espaço que trajetórias mudam. É nesse espaço que uma pessoa pode repetir padrões antigos ou construir algo novo.

Talvez a vida seja menos uma sequência de eventos predeterminados e mais um encontro constante entre circunstâncias e participação.

Isso muda a forma de olhar para a própria existência. Em vez de perguntar apenas “o que está acontecendo comigo?”, passamos a perguntar “como estou participando daquilo que está acontecendo?”.

Essa mudança de perspectiva não elimina as dificuldades, mas amplia a responsabilidade. Ela nos lembra que não somos apenas observadores de uma realidade externa. Somos parte dela.

Talvez nunca compreendamos completamente a natureza do universo. Talvez ainda estejamos muito longe de entender como consciência, matéria e experiência se relacionam. Ainda assim, a própria vida parece sugerir algo importante: não estamos separados daquilo que observamos.

Participamos dele a cada escolha, a cada ação e a cada significado que atribuímos ao que vivemos.

E talvez o universo seja muito mais participativo do que imaginamos, justamente porque nós também fazemos parte dele. Não como espectadores sentados na plateia, mas como participantes ativos de uma história que continua sendo escrita.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Atuo na interseção entre negócios, comportamento humano e comunicação estratégica, apoiando profissionais e empresas na construção de posicionamentos consistentes, processos mais eficientes e decisões alinhadas aos seus objetivos de crescimento.

Sou fundadora da Terapeutas Digitais, empresa especializada em estratégia, gestão e posicionamento para terapeutas e empreendedoras. Minha atuação integra negócios, comunicação estratégica e desenvolvimento humano, partindo da compreensão de que muitos desafios empresariais estão diretamente ligados à forma como a pessoa conduz sua comunicação, toma decisões e ocupa seu papel dentro da própria empresa.

Embora meu trabalho tenha como foco negócios, gestão e posicionamento, frequentemente as questões que limitam o crescimento de uma empresa também passam pelo comportamento de quem a lidera. Por isso, minha atuação considera tanto os aspectos estratégicos quanto os padrões que influenciam decisões, comunicação e desenvolvimento empresarial.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e pós-graduação em Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Também realizei estudos voltados ao comportamento humano, com pós-graduações em Psicanálise Clínica, Inteligência Emocional e Constelação Familiar Sistêmica, além de formações em meditação, atenção plena e yoga.

Ao longo da minha trajetória, atuei em projetos de diferentes segmentos, incluindo engenharia, startups e comunicação. Essa experiência ampliou minha visão sobre gestão, posicionamento, processos e crescimento empresarial em diferentes contextos de mercado.

Sou autora de três livros, colunista do portal Eu Sem Fronteiras e instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde compartilho conteúdos voltados à atenção, autorregulação e desenvolvimento humano.

Além da atuação em estratégia e negócios, também realizo atendimentos voltados a empreendedoras. Esse trabalho integra conhecimentos de comportamento humano, atenção plena e desenvolvimento emocional, ampliando a compreensão sobre fatores que frequentemente influenciam decisões, posicionamento e crescimento profissional.

Também atuo como mentora voluntária na Rede Mulher Empreendedora (RME), apoiando mulheres na análise de desafios relacionados à gestão, posicionamento e crescimento de seus negócios.

Meu trabalho é voltado a profissionais que desejam desenvolver negócios mais organizados, tomar decisões com mais clareza e construir estruturas capazes de acompanhar o crescimento que buscam alcançar.

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Aplicativos: meditações guiadas disponíveis no Aura Health e Insight Timer