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Alunos sapecas: a educação vai cair na real

Grupo de professor e estudantes sorrindo em frente a um quadro com fórmulas matemáticas, segurando cadernos e livros.
Yan Krukau / Pexels / Canva
Escrito por Nina Veiga

E se o jeito “sapeca” dos alunos revelasse algo que a educação ainda não compreendeu? Uma reflexão provocadora convida a repensar o verdadeiro sentido de aprender. Continue a leitura e descubra essa nova perspectiva.

E o tanto que eles falam? E o tanto que se mexem? Nunca vi. Tem coisa mais sapeca do que aluno? Notem uma coisa: não estou falando dos menininhos e menininhas da educação infantil, muito menos do ensino fundamental ou médio. Falo de alunas e alunos adultos mesmo. Falo até de mim. Pois é, pois até eu mesma, quando saio da frente do quadro negro e sento nas cadeiras de um braço só, viro aluna sapeca. Tem jeito não. Aluno é aluno. Não tem idade. Se comporta sempre do mesmo jeito: fala, fala, fala. Mexe, mexe, mexe.

Aluno sentado é aluno chateado. Aluno calado é aluno entediado. Tem jeito não. Aluno quer é movimento, vida. Quer ver significado, sentir-se parte de algo vivo, real. Ouvido de aluno é tampado, tem furo não. Aluno não gosta de ouvir. Coisa triste ver aluno ouvindo. Aluno quer fazer, ser, sentir. Aluno é. Faz o que interessa, o que sente.

Grupo de jovens estudantes sorrindo ao ar livre, usando mochilas, fones de ouvido e materiais escolares.
Kate_sept2004 / Getty Images Signature / Canva

Aluno é.

O bom de aluno está no agir. O bom do aluno está no agir-tar. O agito do aluno é explosivo. Não precisa de motivo. Gira por girar. Ai, que bom seria se todo aluno pudesse ser livre. Sair ‘pela aí’ vendo, tocando, cheirando, sentindo. Viver querendo e fazendo, levado pelo caminho do significado real de tudo.

Ah, que bom seria se todo aluno fosse livre. De uma liberdade específica e exata. A liberdade de querer saber, de querer ser, de querer poder. Há um bem que seria, infinitamente, decisivo para o bom do aluno: o bem vivo do conhecer. O bem vivo do que é relevante, do que faz sentido, do que tem a ver.

Há-ver.

Haverá um dia em que a educação deixará de ser disciplina para ser alquimia. Para atingir os corpos vivos dos alunos.

Há.

Verá você o dia em que todos seremos alunos. Eternos buscadores do saber vivo. Do significado eterno da vida.

Ah! Virá o dia…