E o tanto que eles falam? E o tanto que se mexem? Nunca vi. Tem coisa mais sapeca do que aluno? Notem uma coisa: não estou falando dos menininhos e menininhas da educação infantil, muito menos do ensino fundamental ou médio. Falo de alunas e alunos adultos mesmo. Falo até de mim. Pois é, pois até eu mesma, quando saio da frente do quadro negro e sento nas cadeiras de um braço só, viro aluna sapeca. Tem jeito não. Aluno é aluno. Não tem idade. Se comporta sempre do mesmo jeito: fala, fala, fala. Mexe, mexe, mexe.
Aluno sentado é aluno chateado. Aluno calado é aluno entediado. Tem jeito não. Aluno quer é movimento, vida. Quer ver significado, sentir-se parte de algo vivo, real. Ouvido de aluno é tampado, tem furo não. Aluno não gosta de ouvir. Coisa triste ver aluno ouvindo. Aluno quer fazer, ser, sentir. Aluno é. Faz o que interessa, o que sente.
Aluno é.
O bom de aluno está no agir. O bom do aluno está no agir-tar. O agito do aluno é explosivo. Não precisa de motivo. Gira por girar. Ai, que bom seria se todo aluno pudesse ser livre. Sair ‘pela aí’ vendo, tocando, cheirando, sentindo. Viver querendo e fazendo, levado pelo caminho do significado real de tudo.
Ah, que bom seria se todo aluno fosse livre. De uma liberdade específica e exata. A liberdade de querer saber, de querer ser, de querer poder. Há um bem que seria, infinitamente, decisivo para o bom do aluno: o bem vivo do conhecer. O bem vivo do que é relevante, do que faz sentido, do que tem a ver.
Há-ver.
Haverá um dia em que a educação deixará de ser disciplina para ser alquimia. Para atingir os corpos vivos dos alunos.
Há.
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Verá você o dia em que todos seremos alunos. Eternos buscadores do saber vivo. Do significado eterno da vida.
Ah! Virá o dia…
