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Crianças pós pandemia: Geração atrasada ou geração preparada?

Criança assistindo aula pelo computador
Julia M Cameron/Pexels
Fernanda Colli
Escrito por Fernanda Colli

A pandemia modificou por completo todas nossas estruturas sociais: tivemos que refletir e, muitas vezes, reconstruir valores que até então nunca tinham sido refletidos.

Uma das questões que se tornou polêmica foi com relação à participação dos pais na educação dos filhos. A estrutura familiar estava em constante mudança e os pais já não se sentiam mais responsáveis pela educação, pelo preparo de seus filhos para o mundo. O que víamos eram pais em jornadas duplas e triplas de trabalho tentando sanar essa ausência de construção do “ser” pelo “ter”. E começamos a ter crianças e jovens com diagnósticos de ansiedade severa e até depressão, agressividade, onde curiosamente a maioria desses diagnósticos eram de famílias com um relativo poder aquisitivo. Até que chegou a tal pandemia.

E de repente todos ficaram em casa, dividindo espaços, opiniões, ideias… é triste saber que foi necessária uma tragédia mundial como uma pandemia para que pais e professores começassem a voltar-se mais para o nosso futuro: nossas crianças.

A grande preocupação dos pais é se os filhos vão conseguir se alfabetizar, se irão perder o ano letivo…

O questionamento que quero deixar para vocês, pais, é que façam a seguinte reflexão: o que realmente consiste na Educação? A prática de conteúdos curriculares, matérias específicas segmentadas por ciências são realmente os mais relevantes para nossas crianças neste momento? Será que nossas crianças precisam ficar horas em frente ao computador “assistindo” às aulas on-line que vão de encontro com a fala e pesquisas de anos de qualquer pedagogo? E quantos de nós, adultos e pais, nunca sequer assistimos a uma aula neste modelo, não é?

Mãe e filha usando notebook
August de Richelieu/Pexels

Não podemos desmerecer a alternativa encontrada (e talvez única) para que as crianças continuassem a ter acesso aos currículos escolares. Mas será que são os mais relevantes?

Momentos de descontração, diálogos mais produtivos durante o almoço, divisão de tarefas domésticas, assistir filmes, utilizar a tecnologia para fazer videochamadas com amigos e familiares que há tempos nem sequer visitávamos, ler histórias, cantar músicas, isso não são aprendizagens importantes?

Estamos passando por uma fase onde a palavra-chave é repensar. Precisamos repensar o papel da escola, da família, criar novas rotinas, novas parcerias e principalmente novos diálogos.

Certamente, assim como nós, nossos filhos levarão lembranças deste tempo de quarentena sem precedentes em nossa história. E que essas lembranças sejam boas, então!

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Enfim, sem dúvida, esse tempo ficará cravado na memória: tempo de repensar o ritmo, de recriar afetos, pensar novos caminhos para a educação e o que é realmente a educação. Nos preocupamos tanto se a criança sabe escrever o nome, mas por que não começamos a prepará-las para serem mais gentis? Ao invés de passar horas ensinando matemática (professores estão em pesquisas exaustivas para que a retomada às aulas e inserção dos currículos sejam mais efetiva), vamos ensinar nossos filhos a agradecer, a sorrir, a respeitar. Seria muito mais produtivo a retomada às aulas com crianças mais conscientes da importância do saber, com uma carga emocional repleta de alegrias, agora com o acompanhamento dos pais, crianças mais seguras por terem certeza de que não estão sós, com conhecimento desenvolvido sobre tecnologia, higiene, questões socioafetivas resolvidas, famílias mais unidas… seria o início de uma geração atrasada, ou uma geração mais preparada para enfrentar as adversidades?

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli

Pedagoga, psicopedagoga, arte-educadora, membro da IOV Brasil, pesquisadora sobre a importância da educação e cultura para evolução da sociedade. Trabalhos e artigos publicados sobre a importância da preservação de nossa identidade. Atua em projetos de manutenção e fomento da cultura popular.

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