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A beleza de maio: diante de uma demonstração de fé autêntica podemos nos iluminar

Estátua de Nossa Senhora Aparecida iluminada por luz vermelha, projetando sombra na parede.
Allan Carvalho / Getty Images / Canva
Escrito por Nina Veiga

Em meio a uma noite comum, algo inesperado desperta emoção e silêncio interior… Seria só tradição ou há algo mais ali? Uma experiência que toca até quem não acredita! O que essa fé pode revelar? Descubra e continue a leitura!

Em maio, naquela pequena cidade, demonstrações de fé, amor à tradição religiosa e dedicação aos valores espirituais saíram do âmbito fechado das igrejas e foram para as ruas, permitindo que pessoas que não praticam os mesmos rituais pudessem presenciar o belo espetáculo da alma humana em serena devoção. A estátua da padroeira local visita a casa dos moradores durante o mês. Entre uma casa e outra, uma singela procissão.

Oh, maio! Mês das mães, das noivas, de Vênus, de céu azul e frescor. Neste maio, quero comentar sobre a emoção que senti ao presenciar, sem querer, as demonstrações de fé e amor à tradição religiosa da cidade onde moro. Por total falta de informação e conexão com as práticas católicas, confesso que não estava sabendo de nada. Semana passada, no início da noite, quando voltava do centro da cidade, através da beira-rio, ao entrar na rua de cima, me deparei com uma movimentação estranha nas calçadas.

Imagem da Virgem Maria iluminada por velas, com flores ao redor em ambiente de oração.
Faruk Tokluoglu @faruk-tokluolu / Diversifylens / Canva

Diminui a velocidade e comecei a reparar que, em frente a muitas casas, havia uma mesa coberta com uma toalha branca onde se via uma pequena chama ardendo ao lado da imagem de uma santa. As imagens eram todas de Nossa Senhora, entre as que eu conheço estavam a Nossa Senhora d’Aparecida e da Conceição, e ainda outras que não soube identificar. Imediatamente, senti um nó na garganta e meus olhos se encheram d’água, sem que eu pudesse entender o que estava acontecendo comigo ou com aquela rua, onde, até então, nunca havia notado nada de incomum.

Senti uma emoção tão forte que resolvi me aproximar de uma das casas, parar o carro e perguntar o que estava acontecendo. Uma moça serena, com os olhos brilhantes, que refletiam a luz das velas, me falou: “É a Nossa Senhora d’Ajuda que está visitando a rua. Você já a viu?”. Respondi, um pouco sem jeito, que não, e ela me sugeriu: “Então vai, ela está naquela casa. Ela é linda”. Liguei o carro, engatei a marcha e dirigi devagar por uns poucos metros, até onde havia uma aglomeração de pessoas, diante da garagem de uma casa. Desci do carro sob o olhar curioso de alguns moradores e entrei na garagem.

Lá estava ela, a Senhora da Matriz, coroada e brilhante. Em volta dela reinava uma atmosfera de tranquilidade, veneração e paz. Quando cheguei em casa, trazia a lembrança de uma imagem viva: eu dirigia por uma estrada escura, quando de repente, surgiram luzes e imagens sagradas de cada lado do caminho. No final, do que parecia um túnel, a figura brilhante da Madona coroada. Agradeço aos católicos locais pelo presente. A dedicação às suas crenças foi capaz de influenciar positivamente até mesmo quem, como eu, desconhece seus dogmas e rituais.

Sobre o autor

Nina Veiga

A artemanualista e ativista delicada Nina Veiga é doutora em educação, escritora, conferencista. Sua pesquisa habita o território da casa e suas artes, na perspectiva da antroposofia da imanência. É idealizadora e coordenadora do coletivo Ativismo Delicado e das pós-graduações: Artes-Manuais para Educação, Artes-Manuais para Terapias e Artes-Manuais para o Brincar. Desenvolve trabalhos de formação de artífices e escritores. Suas oficinas associam o saber teórico-conceitual às artes-manuais como modo de existir e à escrita como produção de si e do mundo.

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