Autoconhecimento Psicapometria

A dor e o sofrimento

Paulo Tavarez
Escrito por Paulo Tavarez

Ajudar aquele que te pede ajuda é um gesto muito nobre, principalmente se for feito de forma despretensiosa e agindo sem esperar qualquer recompensa; no entanto, é um equívoco querer resolver problemas que não lhe dizem respeito, sem perceber que, em muitos casos, sua visão é que é problemática e aquilo que você avalia como um problema, não causa incômodo no outro.

Sim, meu amigo, o pior tipo de egoísmo é querer para si as dores dos outros. Remover obstáculos daqueles que precisam deles para superá-los é um traço inequívoco de desconhecimento da Dinâmica Universal.

É claro que agimos na melhor das boas intenções, pois achamos que estamos contribuindo para o bem comum, no entanto, o que não percebemos é que o outro precisa desses enfrentamentos, pois irá crescer e desenvolver-se através dos reveses  e desafios da existência.

Imagine-se no alto de uma grande montanha onde o ar é mais puro, a visão é muito mais expandida e a satisfação da conquista se manifesta com toda a sua força e, nesse momento, os problemas ficaram para trás e a plenitude da conquista finalmente foi alcançada… Imaginou?

Muito bem, agora nunca se esqueça que para chegar ao topo houve todo o desconforto da subida, onde você teve que enfrentar dificuldades, conviver com o desânimo e lutar contra o desespero. Algumas vezes pensou em desistir, jogar-se, mas apesar de todos os percalços você acabou alcançando o ponto mais alto e o seu esforço foi totalmente recompensado.

Essa mesma subida, caro amigo, se impõe a todos, ninguém está livre da escalada em busca da plenitude, isso faz parte da dinâmica da existência e está cada vez mais claro que existe uma Lei Universal que atua a favor do nosso despertar, agindo de forma educativa e desafiadora.

A dor é uma informação que se manifesta de múltiplas maneiras e o sofrimento é a forma que processamos essa informação.

Cada um, de acordo com os seus recursos emocionais, reagirá de forma distinta. Os mais adiantados já não destilam mais a substância da dor, conseguem aceitar, perdoar, compreender, respeitar, assim por diante. A dor é necessária, porém o sofrimento será sempre opcional.

O homem, inquieto e rebelde, foge da dor ou procura meios de se entorpecer para não encará-la. Não percebe estar diante de lições preciosas que reclamam sua atenção e trabalha a seu favor.

Não prego a indiferença e concordo que sempre poderemos dar uma mão àqueles que se desequilibram em suas escaladas, àqueles que precisam de apoio, pois isso é sublime; no entanto, não podemos carregá-los nas costas, seria um contrassenso e estaríamos retardando o desenvolvimento de ambos.

Quantos homens não apresentam traços de infantilidade, despreparo, além de parcos recursos emocionais para lidar com suas provações? Não seria o resultado da superproteção de pais que se preocuparam demais com as frustrações e dificuldades naturais no caminho desses filhos, carregando-os, ora no útero, ora nos ombros, muito além do tempo necessário? Claro que sim, todos concordam que é preciso cair para aprender andar e é preciso esforço para empreender qualquer conquista. Nada é mais triste do que ver marmanjos dependentes, que mostram uma total incapacidade para resolver coisas simples.

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Sabe o que a mamãe ursa faz com os filhotes quando percebe que já estão grandinhos? Ela os expulsa a dentadas. É isso! Claro que não estou pedindo o mesmo tratamento à prole humana, mas é chegada a hora de entender que o excesso de mimo e proteção age totalmente contra o desenvolvimento daqueles que amamos.

É preciso entender porque criamos esse padrão emocional, porque nos condicionamos de forma tão burra: querer colocar sobre os nossos ombros todas as dores do mundo. Quando o homem aprender a gostar mais de si, conseguir perdoar-se, aceitar-se, não será mais vítima desses condicionamentos, pois não sentirá a necessidade de convencer-se (com esse tipo de comportamento destrutivo) de que não é o réprobo que julga ser.

Para finalizar, vale a pena lembrarmos do controverso filósofo alemão Nietzsche, que desafia o nosso entendimento com reflexões duras acerca do sofrimento :

A todos com quem realmente me importo, desejo sofrimento, desolação, doença, maus-tratos, indignidades, o profundo desprezo por si, a tortura da falta de autoconfiança e a desgraça dos derrotados.

É preciso entender que para falar de paz é preciso ter paz dentro de si, para ajudar o outro será necessário estar bem, não podemos nos esquecer do compromisso com nós mesmos, da própria subida, da nossa montanha, para isso teremos que aprender o verdadeiro sentido do ajudar.

Sobre o autor

Paulo Tavarez

Paulo Tavarez

Instrutor de yoga, pedagogo, escritor, palestrante, terapeuta holístico e compositor. Toda a minha vida tem sido dedicada à construção de um mundo melhor.

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