Convivendo

A Garota do Trem

Mulher jovem sentada, viajando em trem, olhando para a janela.
Então, a estória era assim: uma passageira no trem, adormece e, quando desperta…um pesadelo toma conta de sua vida! O filme é ‘La Chica del Tren”, e eu me lembro de toda a publicidade envolvida na ocasião, em toda a Europa. Eu estava lá, e o “trailler” me deixava inquieta, intrigada e eu queria muito assistir, mas diante de minha agenda um pouquinho ‘lotada’ não pude fazê-lo.

Mas em meio aos comentários sobre o filme e todo o suspense que o envolvia, lá fui eu visitar uma cidade próxima à que eu estava, de trem, e aí, meus caros…acabei ficando conhecida pelos meus amigos como ‘La Chica del Tren’...e vou contar o motivo, ou melhor, o roteiro!rs…

A Garota do Trem

Contavam dez minutos para as onze. Eu adentrava o vagão, em uma pequenina cidade situada no interior da Espanha, e seguia para Salamanca. Até aí, viagem mais do que normal, passagem comprada, aquele frio outonal brutal(rs), dia cinzento e o tal do filme que não saia da minha cabeça…rs…mas aí eu resolvi me aquietar e me sentei, comecei a tirar umas fotos do vagão, da janela, onde podia ver minhas vaquinhas marronzinhas que eu amo!(meu animal favorito, tá?!) À medida que o trem dava os seus primeiros passos, eu tomava ciência de que, definitivamente, eu estava em um cenário…de um filme…e aquilo me fez sentir importante de alguma maneira…entre o frio outonal rigoroso, as minhas vaquinhas e a inquietação de chegar logo a uma cidade que há muito eu queria conhecer, falei comigo mesma, em português…coisas que somente em nosso idioma podemos dizer, sabe…externei toda a minha felicidade, liberdade e realização vividas naquele momento.

Só que algo não estava no ‘script’: o frio…ah, e a falta de informação; eu não havia perguntado ao bilheteiro detalhes da chegada e da partida, e fiquei um pouco confusa…e fui buscar informação num pequeno painel ao final do corredor e aí….tcharammmmm!!!Não é que meu filme começou?!Ação!rs.

Uma mulher sentada à minha frente me dirigiu suas primeiras palavras em espanhol, dizendo que a próxima cidade estaria a uma hora de onde nos encontrávamos e a volta estava programada para mais à noitinha…Até aí, tudo bem, mas de repente ela disse em português “Olá, sou brasileira também…ouvi você falando em português’.(!)

Depois de um singelo cumprimento iniciamos uma conversa agradável e divertida. Ela me contou que vivia na Espanha, mais precisamente nesta cidade a qual eu tinha intenção de visitar há mais de dez anos, estava casada, e trabalhava como cabeleireira…muito solicita, me convidou para um café e me contou sobre a cidade, curiosidades, pontos turísticos e amenidades, como era sua vida na Espanha nesses mais de dez anos e o que havia enfrentado para se tornar a profissional que era, etc…Quando descemos do trem, ela abriu uma pequena valise e tirou um chale, lindo…e me disse ‘Toma, Claudia, para você….quando cheguei nessa terra passei tanto frio…sei bem como é…fique com ele’.

A Garota do Trem

Mais do que rapidamente eu estendi minha mão para pegá-lo e me pareceu mais um presente, sabe…tipo..de boas vindas…rs…aquele frio todo agora tinha uma razão de existir!Feliz da vida, enrolei o chale mais lindo do mundo nas minhas costas e me senti bem escoltada contra o frio. Nos despedimos, desejamos felicidades uma à outra e aí eu segui com o meu passeio. Eu e o chale…lindo!

No dia seguinte, em conversa com um amigo espanhol, ele quis saber como foi o meu domingo e aí eu lhe contei a estória…ao que ele prontamente me perguntou: ‘Brasileira? Incrível!Qual o nome dela, idade…’

Mas…aí eu parei por segundos: não havia lhe perguntado seu nome, e se ela me disse, não havia prestado atenção!

Meu amigo continuou, incrédulo: você assistiu ao filme ‘La Chica del Tren’ e está me pregando uma peça? Sim, porque você está me descrevendo parte do filme, excetuando o suspense e a parte perigosa…e aí caímos no riso…

Mas foi bem isso, amigos, eu Claudia, ‘La Chica del Tren’, por um dia!Eu, personagem da vida real, que demais!

Por que compartilhei esta estória com vocês? Porque gosto de estórias reais, do dia a dia, e sei que vocês podem me enriquecer com suas estoórias!E eu estou esperando essa deliciosa troca de experiências!!!

Hasta, mis amigos! Adelante, siempre!!!!


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Sobre o autor

Claudia Jana Sinibaldi Bento

Claudia Jana Sinibaldi Bento

Sou Claudia Sinibaldi Bento, paulistana, graduada em direito e pós graduada em relações internacionais. Sou defensora dos direitos das mulheres e crianças, tenho colaborado com ONGs de muitas partes do mundo.

Minhas experiências me ensinaram que, mais do que ajudar, você aprende com aqueles que necessitam de ajuda e jamais falar de direitos humanos deve ser um tabu ou um lugar comum.

Não, defender os direitos do outro é primar pela dignidade e conscientização de que uma nação só será igualitária quando todos receberem o mesmo tratamento e forem todos percebidos como seres humanos, porque somos todos entes dotados de deveres e direitos, estas sim, são condições que nos fazem titulares dos direitos à vida, à dignidade, à integridade física e moral e à liberdade.

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