Psicanálise

A importância de Virgínia Bicudo para a Psicanálise

Duas ilustrações silhuetadas de cabeças humanas nscritas situadas numa superfície azul.
SewCream / Shutterstock

No mês de maio, comemoramos o dia do psicanalista, mais precisamente em 06 de maio, a data escolhida refere-se ao nascimento de Sigmund Freud (1856 – 1939). Freud foi considerado o “pai” da psicanálise, pois ele desvendou os mistérios do inconsciente e dos casos de histeria em sua época. No Brasil, tivemos grandes profissionais, mas pouco se falava sobre profissionais negros nessa área. Portanto, hoje lhes apresento Virgínia Leone Bicudo, psicanalista brasileira e socióloga.

Virgínia nasceu em São Paulo, em 1910, e faleceu em, foi a primeira não médica a ser reconhecida como psicanalista e foi pioneira em estudos raciais dentro da psicanálise. A psicanalista tinha motivos para trazer à tona esses estudos, pois ela era filha de um descendente de escravizado e uma imigrante italiana pobre, dentro de suas raízes viveram as mais variadas questões raciais, visto que foi filha de um casal interracial e neta de uma escravizada alforriada. Virgínia foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina e a primeira a escrever sobre estudos raciais no Brasil dentro da academia. Ela foi a primeira mulher de seu curso a se tornar bacharel em 1938 e, entre os percalços do racismo, Virgínia ultrapassou o campo do machismo dentro de sua carreira acadêmica.

Em sua tese de mestrado para os estudos de psicanálise, ela fala sobre as relações raciais em São Paulo, sua cidade natal, e o título “Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo” virou um livro que hoje se faz presente em diversas estantes de psicanalistas e psicólogos negros.

Os estudos de Virgínia foram tão importantes que ela foi convidada a integrar um projeto na Unesco, projeto este sobre as relações raciais com professoras de várias instituições.

Uma fotografia de Virgínia Bicudo.
Revista Lacuna

Em meados dos anos 30, ela tratava dificuldade de crianças nas relações com os pais, o que lhe rendeu a participação em uma rádio. Em meados de 1955, a psicanalista mudou-se para Londres para aprofundar seus conhecimentos em psicanálise infantil.

Na década de 40, ela foi convidada a integrar a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e, anos mais tarde, em 1970, ela se tornou uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Brasília.

Mesmo com toda sua bagagem psicanalítica, se assim podemos dizer, Virgínia teve sua tese reconhecida, a qual se tornou livro apenas 65 anos depois.

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Seus estudos são muito importantes para a psicanálise até hoje. A escuta clínica do psicanalista e/ou psicólogo precisa estar atenta às questões raciais, pois boa parte dos sintomas encontrados no divã é oriunda do racismo que, infelizmente, faz-se presente em nosso dia a dia.

Sobre o autor

Beatriz de Andrade Silva

Psicóloga clínica, orientada pela psicanálise freudiana, especialista em diversidade nas organizações (PUC-SP), pós-graduada em direitos humanos, responsabilidade social e cidadania global (PUC-RS), pós-graduanda em psicologia e desenvolvimento infantil e pesquisadora das relações étnico-raciais. Atuou por oito anos no mercado financeiro, na área de recursos humanos, com foco em atração, seleção, treinamento e desenvolvimento. Na área social, é voluntária em um coletivo que busca colocar a diversidade e a inclusão em pauta e ação e, por fim, é mentora voluntária de jovens de 16 a 23 anos, auxiliando no propósito de carreira.

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