Comportamento Psicanálise

O que é psicanálise?

Imagem de um manequim usando um casado de frio. Na cabeça dele está um buraco para o encaixe de um quebra cabeça.
Tumisu / Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Também conhecida como “psicologia profunda”, a psicanálise é um método de tratamento de transtornos mentais e psicológicos que tem base na teoria psicanalítica, fundada pelo austríaco Sigmund Freud (1856-1939). O principal foco da psicanálise é entender como o inconsciente, ou seja, uma “parte” da nossa mente sobre a qual não temos controle, molda o comportamento humano.

Ainda que uma parte considerável de psicólogos, psiquiatras e estudiosos da mente humana esteja de acordo com a ideia de que há, sim, a existência de processos mentais inconscientes, há muito questionamento a respeito do modelo psicanalítico, que tenta definir os contornos de uma “estrutura” para o inconsciente. Por causa disso e de muitos outros questionamentos a respeito das teorias defendidas por Freud e por outros psicanalistas é que a psicanálise é considerada por alguns como uma pseudociência, isto é, um modelo que afirma se basear em fatos científicos, mas que não consegue confirmá-los com métodos científicos.

Independentemente disso, a psicanálise existe, é um método válido de terapia e muitas pessoas já se beneficiaram dos resultados da técnica. Entenda a partir de agora qual é o objetivo da psicanálise, o que ela estuda especificamente e qual é a diferença entre ela e a psicologia tradicional.

Qual é o objetivo da psicanálise?

O objetivo da psicanálise, bem como o de quase qualquer terapia/tratamento de transtornos mentais/psicológicos, é promover autoconhecimento, fazendo com quem tenhamos consciência a respeito do nosso comportamento e de por que agimos como agimos. Além disso, busca promover “cura” para traumas do passado, ajudando-nos a lidar com eles de maneira mais harmônica, livrando-nos das consequências negativas que eles têm sobre nós.

Mais especificamente, ainda sobre o estudo do inconsciente, a psicanálise tenta promover em seus pacientes uma consciência a respeito de padrões de emoções e comportamentos inconscientes, ou seja, aqueles realizados sem que saibamos de maneira clara por que fazemos o que fazemos e sentimos o que sentimos. Segundo a psicanálise, esses padrões, se não estudados e compreendidos, farão com que a pessoa afetada por eles caia em comportamentos negativos habitualmente recorrentes, por não ter entendido a extensão, a profundidade e os verdadeiros motivos pelos quais toma determinadas atitudes e assume determinados comportamentos como normais.

Em resumo, Freud e outros psicanalistas que estudaram, refutaram e ampliaram suas teses creem que as pessoas podem ser curadas caso sejam expostas aos seus pensamentos, às suas motivações e aos seus sentimentos inconscientes, o que as faria obter percepção a respeito disso tudo, clareando o que era escuro e adicionando mais consciência. É, de maneira poética, tornar-se dono de si mesmo, deixando de obedecer a motivações ocultas e assumindo o controle da sua própria vida.

Imagem de um garoto usando touca cinza e um casaco de frio marrom. Sobre a cabeça dele vários ícones de pensamentos.
Mike Renpening / Pixabay

O que a psicanálise estuda?

A teoria psicanalítica é bastante extensa, então vamos abordar apenas algumas partes dela neste artigo. Um dos pilares da teoria proposta por Freud é que o ser humano tem uma psique (o aparelho psicológico como um todo) movida por uma quantidade limitada de energia psíquica, ou seja, se você colocar muito da sua energia numa coisa, sobra pouco para as outras. Por exemplo: quem dedica boa parte da sua energia psíquica para pensar e produzir arte deixa outros desejos e necessidades de lado, como a sexualidade.

Outra importante tese da psicanálise é a de que o ser humano é sexual e agressivo por natureza, porque está numa constante busca por satisfazer os seus desejos, então sua pulsão inata (isto é, que nasce com ele) é a de ignorar qualquer barreira que o separe de seus objetivos e desejos, o que pode ser controlado por meio da educação – a imposta pelo mundo e a que nós mesmos nos damos –, aprendendo a controlar os nossos impulsos e entendendo como e de onde eles surgem.

O que nos leva à outra parte importante da teoria psicanalítica: a subdivisão da psique em três níveis de consciência, modelo também proposto por Freud. Segundo ele, o nosso aparelho psíquico está dividido da seguinte maneira:

• Inconsciente: aquilo que não é consciente de maneira nenhuma, exceto em determinadas ocasiões e acontecimentos especiais. Muitas vezes, “subconsciente” é usado como sinônimo para isso, mas Freud abandonou o uso dessa palavra.

• Pré-consciente: fenômenos não conscientes, mas que podem se tornar, caso nos ocupemos de estudá-los, analisá-los e entendê-los, o que é parte da terapia psicanalítica.

• Consciente: aquilo que fazemos e percebemos que fazemos e por que fazemos, ou seja, o que tem motivações claras e explicáveis de maneira simples.

Outra parte importante da teoria psicanalítica é o modelo estrutural da personalidade, que foi apresentado por Freud em 1923, defendendo que a psique humana se organiza em três estruturas distintas:

• Id: porção formada por desejos inconscientes, pulsões, instintos e impulsos orgânicos. Essa parte funciona por meio de algo que Freud definiu como “princípio do prazer”, ou seja, uma busca incessante por produzir prazer e evitar qualquer coisa que seja desagradável.

Ego: desenvolve-se a partir do id e “filtra” os impulsos, levando em conta as condições do mundo externo e, consequentemente, aquilo que nos impede de alcançar o prazer ou que causa desprazer.

• Superego: parte “moral” do aparelho psíquico; aquela que considera os valores morais e tradicionais da sociedade e que, portanto, entra em choque com o id, que deseja realizar desejos e buscar prazer a todo custo.

Esses são, de maneira resumida, os três pilares básicos da teoria psicanalítica: hipótese econômica (quantidade de energia psíquica), hipótese topográfica (consciente, pré-consciente e inconsciente) e hipótese estrutural (id, ego e superego).

Imagem do rosto de um homem. A parte do cérebro está sendo representada por uma lâmpada acesa que ajuda a esclarecer os seus pensamentos.
RENE RAUSCHENBERGER / Pixabay

Qual a diferença entre psicanálise e psicologia?

De maneira prática e acadêmica, um psicólogo precisa ter formação em psicologia e não pode fazer atendimento clínico sem essa formação. Já o psicanalista pode ser um psicólogo com especialização em psicanálise ou uma pessoa com formação em outra área, como filosofia, sociologia ou enfermagem, por exemplo, e que escolhe se especializar em psicanálise.

A psicologia, de maneira geral, é o estudo do comportamento humano e das funções mentais. Há, dentro do estudo da psicologia, inúmeras correntes de pensamento e teorias muito diferentes umas das outras, como a cognitivo-comportamental e a fenomenologia existencial, apenas para citar exemplos. A psicanálise é mais uma dessas correntes de pensamento, com a exceção de que, como não tem método científico, recebe algumas críticas por isso, já que a psicologia tradicional se baseia no fato de que são estudadas e aplicadas técnicas que têm eficácia comprovada ou, ao menos, que são testadas com sucesso, o que não garante o sucesso futuro, mas uma segurança de que é possível que funcione.

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Há correntes e teorias da psicologia nas quais o psicoterapeuta faz mais intervenções quando o paciente fala, ou tenta conduzi-lo, fazendo perguntas e “conectando” uma coisa à outra. Na psicanálise, o psicanalista permite que o paciente fale livremente e sem amarras, conduzindo o processo da terapia, enquanto o terapeuta faz apenas pequenas intervenções.

Em resumo, portanto, podemos dizer que a psicanálise é um ramo da psicologia, uma teoria do estudo do comportamento humano e, consequentemente, uma terapia, mas que não se enquadra adequadamente na psicologia por não ter métodos cientificamente comprovados, como acontece com outras correntes do estudo do comportamento humano.

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