Autoconhecimento Comportamento

A leveza de voltar a ouvir aquela música

Imagem de uma mulher sentada em seu sofá, ouvindo músicas e revivendo memórias por meio das músicas que ela ouve.
Sitthiphong / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Algumas músicas guardam dores antigas, mas o tempo suaviza o que antes feriu. Reouvir o que machucou revela cura, mostra que crescemos e que a lembrança perdeu o peso. Quando a canção volta a ser só música, percebemos que seguimos em frente.

Tem músicas que a gente evita. Canções que marcaram uma época, um amor, um tombo. Às vezes foi o som que tocava no carro antes de um acidente, às vezes é a voz que embalava alguém que já se foi. Há músicas que ficaram presas em uma lembrança dolorida, como se tivessem virado cápsulas do tempo onde a dor ainda mora.

Por isso, a gente muda de estação, pula a faixa, inventa outro som. Fingimos que esquecemos. Mas as músicas guardam o que a memória não deu conta de elaborar. E um dia, sem planejar, elas voltam. No rádio de um carro, no fundo de um vídeo, num café qualquer. E o susto vem primeiro. Depois, se há espaço, vem algo mais suave: a leveza de perceber que já não dói.

Ouvir de novo o que um dia foi impossível é como visitar uma antiga casa interior. A mesma melodia está lá, mas quem escuta já não é o mesmo. Aquela dor não tem mais o mesmo peso, o tempo trabalhou em silêncio, e o que antes era ferida agora virou uma cicatriz bem pequenininha, quase que imperceptível. É nesse instante que a música volta a ser só música.

Há algo de profundamente libertador nisso. Quando conseguimos escutar sem medo o que um dia machucou, é sinal de que deixamos de ser reféns da lembrança. A canção, antes associada a um evento, se separa da história e volta a respirar. E nós respiramos com ela.

Reouvir é também um jeito de reconciliar-se com o passado… para reconhecê-lo sem precisar revivê-lo. A dor perde o papel principal, o tempo entra em cena, e a música se torna apenas uma música, não mais uma ameaça. Há canções que nos mostram, sem palavras, que a vida seguiu.

A leveza de ouvir novamente o que doeu vem do simples fato de que o coração amadureceu. Ele ainda lembra, mas não se confunde mais com o que aconteceu. A lembrança continua existindo, mas sem a necessidade de defesa. E esse é um dos sinais mais bonitos de cura: quando não precisamos apagar nada para seguir.

Imagem de uma adolescente em seu quarto sentada sobre a sua cama, ouvindo músicas com fones de ouvido.
Annastills / Canva

Música tem esse poder de costurar o invisível. Ela atravessa os anos, passa pelos silêncios, pelos novos começos, e chega até nós com o mesmo som, mas outro sentido. E, de repente, aquilo que fez parte da trilha de um fim pode se tornar companhia num recomeço.

Ouvir com leveza é perceber que a vida não apaga, ela transforma. Que o que antes fazia chorar hoje pode apenas ser ouvida.

Algumas canções nos lembram o quanto fomos frágeis. Outras, o quanto crescemos. Todas, quando revisitadas, nos ensinam algo sobre o tempo.

E talvez essa seja a beleza escondida nesse gesto pequeno: quando voltamos a ouvir, não é a vida dizendo, sem pressa, seguimos em frente.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

Curso
Meditação para quem não sabe meditar

Contatos
Email: [email protected]
Site: giselliduarte.com
Site dos livros: No Caminho do Autoconhecimento e Lado B
Facebook:: @giselli.d
Instagram: @giselliduarte_
Twitter: @gisellidu
Linkedin: Giselli Duarte
Spotify: No Caminho do Autoconhecimento
YouTube: No Caminho do Autoconhecimento
Medium: @giselliduarte

Aura Health: www.aurahealth.io/coaches/giselli-duarte

Insight Timer: insighttimer.com/br/professores/giselli