Saúde Integral

Abordagem médica do paciente obeso

Mulher obesa em consulta com médica, que lhe apresenta informações em uma prancheta.
João Hollanda
Escrito por João Hollanda

A obesidade é um problema cada vez mais frequente no mundo moderno e vai muito além de uma questão estética. O acúmulo excessivo de gordura no corpo está ligado a muitos dos problemas de saúde mais prevalentes na população adulta (principalmente entre os idosos), como a pressão alta, o infarto, o AVC e o diabetes. Pessoas obesas apresentam ainda maior risco de desenvolvimento de dores nas articulações e artrose, principalmente a artrose no joelho.

Ainda que certas pessoas tenham uma propensão para o desenvolvimento da obesidade, ela está invariavelmente associada a um estilo de vida que não é saudável. O desequilíbrio gerado entre um consumo excessivo e um baixo gasto de calorias faz com que as calorias excedentes sejam acumuladas na forma de gordura.

Homem com a camiseta levantada, medindo a circunferência do seu abdômen.
Pixabay/jarmoluk

Neste ponto, é preciso considerar que o músculo é o tecido que mais consome energia no organismo. Quando a musculatura é deficiente, o consumo energético também será baixo, independentemente da prática de atividades físicas. Assim, as dietas produzirão resultados mais eficazes em uma pessoa atleticamente ativa e com uma boa musculatura quando comparado a pessoas sedentárias.

O combate à obesidade, dessa forma, deve ser encarado por meio de uma mudança de estilo de vida, que deve ser permanente e progressiva. Tratamentos imediatistas que prometem perdas excessivas de peso por meio de métodos pouco ortodoxos e que não serão sustentáveis a longo prazo podem até levar a uma perda de peso em um primeiro momento, mas essa perda não será sustentável.

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A melhora da qualidade alimentar é, sem dúvidas, o ponto principal do tratamento. Isso não significa, porém, uma privação alimentar a qualquer custo. O organismo tem mecanismos para se proteger de uma eventual falta de alimentos por meio de uma maior economia energética, o que significa que, se a restrição alimentar for severa, ele diminui o gasto energético e a perda de peso tende a ser menos eficaz.

Uma dessas formas de “se proteger” é produzindo energia através do tecido muscular em vez de gordura. Não é incomum que pacientes submetidos a dietas severas percam musculatura, mesmo diante de uma rotina regular de atividades físicas.

Qual a melhor atividade física para o paciente obeso?

Por muito tempo, a orientação para quem queria perder peso era que praticasse atividades aeróbicas (corrida, natação, caminhadas) de baixa intensidade e longa duração. Ainda que essas sejam as formas mais eficazes de se gastar caloria a curto prazo, para que se tenha uma perda mais sustentável de peso, as atividades não devem se restringir a isso.

Considerando-se novamente que o músculo é o tecido que mais consome energia no corpo, a falta de musculatura tornará qualquer dieta ineficaz a médio ou longo prazo, e a prática de atividades aeróbicas de baixa intensidade não será capaz de ajudar a desenvolver a musculatura.

O paciente obeso deve idealmente realizar uma combinação de atividades que incluam exercícios aeróbicos, de força, de equilíbrio e de flexibilidade.

• Atividades aeróbicas caracterizam-se pelo uso repetitivo de grandes grupos musculares, levando a um aumento prolongado na frequência cardíaca. Caminhada, corrida, dança, ciclismo e natação são alguns exemplos. Esses exercícios levam a um grande gasto energético e são, portanto, os mais eficazes para a perda de peso a curto prazo;

• Exercícios de força são aqueles que buscam vencer uma resistência. A resistência pode ser criada utilizando-se de faixas elásticas, pesos livres, aparelhos de musculação ou o peso corporal do paciente. Ainda que não levem a uma perda de peso significativo no curto prazo, o ganho de massa muscular faz com que o gasto energético basal aumente e, assim, serão importantes na manutenção da perda de peso a longo prazo. São efetivos, também, para a melhora de dores, muito comuns entre os idosos;

• Exercícios de equilíbrio: a falta de equilíbrio intrínseco é muito comum entre pessoas obesas, principalmente quando associada à obesidade, e deverá ser treinada por meio de exercícios específicos;

• Exercícios de flexibilidade: a perda de flexibilidade das articulações é comumente associada à obesidade, ao sedentarismo e ao imobilismo. Recuperar a flexibilidade é importante tanto na prevenção como no tratamento de lesões ortopédicas, de forma que isso deve ser pesquisado e, quando necessário, tratado no paciente obeso.

Pequeno grupo de pessoas obesas observando uma treinadora ensinando um exercício enquanto o grupo reproduz.
123rf/Cathy Yeulet

João Hollanda

O Dr. João Hollanda é médico ortopedista especialista em joelho e lesões no esporte. Trabalha atualmente como médico da seleção Brasileira de Futebol Feminino.

Sobre o autor

João Hollanda

João Hollanda

Médico ortopedista pela Santa Casa de São Paulo.
Especialista em cirurgia do joelho.
Médico da seleção brasileira de futebol feminino.