Autoconhecimento Psicologia

Abundância e Avareza

Meeting the best sunset. Side view of man kayaking on river with sunset in the background
Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro

“A sombra é como um fantasma que habita dentro de nós e que comanda de maneira sutil e prejudicial a nossa vida. Faz-nos agir de forma autossabotadora, sem que a gente perceba, levando-nos a entrar em situações de sofrimento ou conflitos.”

(Mirela Faur, As Faces Escuras da Grande Mãe).

Alguns dias atrás, eu estava assistindo o Satsang de Prem Baba, do mês de novembro, e ele fala sobre a avareza. Esse tema me tocou muito, pois mexeu com a minha sombra. E, fez com que viesse à tona sentimentos que há muito tempo estavam represados na floresta do inconsciente. E o sentimento de avareza estava lá, escondido e influenciando a minha vida, de uma forma quase imperceptível e com muitas justificativas conscientes para existir.

Avareza é quando a gente se recusa a dar alguma coisa que tem. Quando não sentimos que devemos ou podemos compartilhar, tanto coisas materiais quanto emocionais. É fácil de se enganar então, porque eu pensava que não era uma pessoa avarenta, pois sempre compartilho o que cozinho, empresto livros para todo mundo, empresto roupas e abro a minha casa. Não sou uma pessoa que consegue guardar dinheiro por muito tempo. Então, nunca poderia dizer que sou avarenta. Autoengano.

Existe a avareza no sentido mais sutil também, claro. E é daí que ela exerce maior influência sobre nós, pois está sendo negada, fica na sombra, age inconsciente e toda vez influencia em tudo o que acontece nos relacionamentos, trabalho e, principalmente, nessa sensação de que tanto se fala e todos buscam, a abundância. Uma compete com a outra. É impossível acreditar na abundância e ser avarento. Não combina, são opostos.

Time to relax. Beautiful young mixed race woman holding hands behind head and keeping eyes closed while lying on the comfortable couch and near the large window

Acreditar e agir na abundância requer muito desapego, material e emocional. E desapego é bom! Porque tem que se soltar de algo, o que quer que seja, deixar ir, trocar, abrir espaço e deixar entrar o novo e cada vez mais. Um dia antes de assistir ao Prem Baba falando, tive um insight meditando sobre o amor, que foi o seguinte: Amor é como leite materno, quanto mais se dá, mais se produz. Ou seja, não é que darei amor esperando receber de volta de outra pessoa. Mas esse amor genuíno que estou dando, sai de mim mesma e eu produzo cada vez mais dele quanto mais eu dou, ofereço, abundo.

O que percebi é que eu guardava muito sentimento para mim. Nessa mesma semana aconteceu de eu ter tido um problema, fiquei com a cabeça enrolada, cheia de pensamentos e confusa com relação a uma situação. Liguei para uma amiga que mora longe e comecei a desabafar, logo depois pedi desculpas por estar compartilhando uma coisa chata desse tipo. Ela logo me corrigiu e veio a calhar: Nada a ver você pedir desculpas por isso, eu agradeço por você confiar em mim para compartilhar seus problemas e estamos juntas para as horas boas e ruins. E compartilhar o que você sente ajuda a clarear as ideias e limpar tudo isso.

Nossa! Eu estava sendo avarenta em compartilhar com uma amiga uma fragilidade minha. E ela me deu conselhos e me senti bem melhor no dia seguinte. Falei sobre isso com mais pessoas nas quais confio e me ajudou muito!

Às vezes ficamos guardando sentimentos, acumulando emoções. Isso é avareza. E então, como queremos viver na abundância se não podemos compartilhar o que sentimos, tanto nosso amor quanto nossas fraquezas?  

Te convido a refletir também sobre isso e a confiar que o amor, quanto mais se dá, mais se tem!

Gratidão!

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée. Depois fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de um ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pela yoga e pela meditação. No Brasil: morou, deu aulas de yoga e se formou como massoterapeuta, em Paraty, RJ. Foi nessa época que concluiu quatro cursos de dez dias de meditação Vipassana e se aprofundou na prática de Ashtanga Yoga. Hoje, ela está estudando Ashtanga Yoga no KPJAYI, em Mysore, Índia. E dá aulas de Ashtanga Yoga online.

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