Autoconhecimento Terapia Anti Abuso Emocional

Afinal, o que é um relacionamento abusivo?

Silvia Malamud
Escrito por Silvia Malamud
Você está em um relacionamento abusivo quando perde a noção do que é aceitável em função das demandas de um outro que a tudo comanda.

Você está em um relacionamento abusivo quando fica em dúvida sobre qual é a sua linha vermelha, sobre qual é o seu limite de tolerância, sobre o quanto você pode abrir mão de si mesmo em nome dos desejos e humores de um outro sem correr o risco de perder a sua própria identidade.

Você está em um relacionamento abusivo quando o outro se torna a referência para a sua vida e para suas condutas em tudo o que você pode imaginar, incluindo o modo como se veste, como fala, em seus assuntos pessoais e por aí vai…

Você está em um relacionamento abusivo quando olha para o seu abusador e sempre se reprova em algo que imagina que ele não aceitaria. Quando sente que a todo momento está milimetricamente sendo observado.

Você está em um relacionamento abusivo quando o seu abusador nem mais necessita estar fisicamente na sua frente lhe imputando climas emocionais em meio de suas alterações de humor e ordens. Você está em um relacionamento abusivo quando ele já tem a sua residência dentro de você, funcionando como um soldado e com a capacidade de lhe roubar o poder de pensar de modo independente na sua privacidade. Enfim, você está em um relacionamento abusivo quando perde forças físicas, energia e discernimento para ter prazer na vida, em suas conquistas pessoais e passa a funcionar como um verdadeiro autômato deprimido e assustado.

Você está em um relacionamento abusivo quando passa a desculpar todos os maus-tratos que recebe.

Você está em um relacionamento abusivo quando perde referência do que seriam maus-tratos e passa a banalizar situações que não deveria deixar ocorrer consigo mesmo e nem com ninguém. Você está em um relacionamento abusivo quando está emocional e visivelmente devastado, quando percebe-se como refém desse outro, sabe que não está bem e ainda assim duvida do que está acontecendo, duvida se o seu abusador de fato é um abusador.

Você está em um relacionamento abusivo quando passa a desculpar todos os maus-tratos que recebe porque no meio disso recebe migalhas que imagina ser afeto, quando está na síndrome de Estocolmo.

Uma das armas mais conhecidas na atualidade como ferramenta macabra que tais abusadores fazem uso, é o que hoje em dia é chamado de gaslighting. O termo é utilizado para evidenciar uma ardilosa forma de abuso psicológico onde informações são distorcidas ou seletivamente omitidas no intuito de favorecer o abusador com intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.

A peça teatral “Gaslight” de 1938 e suas adaptações para o cinema, lançadas em 1940 e 1944, motivaram a origem do termo por causa da manipulação psicológica sistemática utilizada pelo personagem principal contra uma vítima. O enredo diz respeito a um marido que tenta convencer sua esposa e outras pessoas de que ela é louca, manipulando pequenos elementos de seu ambiente e, posteriormente, insistindo que ela está errada ou que se lembra de coisas incorretamente quando ela aponta tais mudanças. O título original decorre do escurecimento das luzes alimentadas por gás na casa do casal, que aconteceu quando o marido estava usando as luzes no sótão, enquanto busca um tesouro escondido. A esposa percebe com precisão o escurecimento das luzes e discute o fenômeno, mas o marido insiste que ela está apenas imaginando uma mudança no nível de iluminação. O termo “Gaslighting” é utilizado desde 1960 para descrever a manipulação do sentido de realidade de alguém (Wikipédia, web enciclopédia livre). Hoje em dia, cada vez mais psicólogos estão entendendo a amplitude deste tipo de manipulação perversa e, mais ainda, conseguem perceber que muito do que os pacientes passam na atualidade, não vem só dos seus mundos internos, como anteriormente era observado. Situações externas, sequenciais e adversas desta ordem existem e podem ser devastadoras na vida das pessoas. Mesmo o que as fizeram atrair estes tipos de abusadores ainda é uma questão extremamente delicada de se lidar e tratar. Tais abusadores são extremamente ardilosos, configuram-se no espectro de narcisistas perversos/psicopatas e, sim, podem mirar em pessoas totalmente desavisadas e sem qualquer tendência interna para passar por tal envolvimento predador.

Nesse tipo de relacionamento em que o gaslighting prevalece, as informações acerca da realidade são escondidas e em troca disso, apenas o que é falso, é o que se oferece às vítimas. O dano emocional ocorre quando as mesmas gradativamente vão se tornando ansiosas, confusas e menos capazes de confiar em suas próprias memórias e percepções. A manipulação induz a vítima a desacreditar que tem habilidades inatas para lidar com a vida. Induzem-nas a não mais confiarem em seus sentidos, por fim deixando-as emocionalmente frágeis e sem poder. Um dos piores estágios ocorre quando passam a acreditar que os seus pontos fortes jamais existiram.

Essa é uma forma de violência que aparentemente poderia ser caracterizada mais na ação dos homens pelo abuso de poder e de autoridade que muitos exercem, mas não se deixem levar por estes argumentos porque mulheres podem ser igualmente, e até na mesma medida, perversas.

O gaslighting pode impactar o emocional das suas vítimas de modo bastante perturbador, podendo haver sequelas que necessitem ser tratadas psicologicamente e não poucas vezes com psiquiatras. Algumas vezes ainda, os danos chegam a causar doenças físicas. Muitas das vítimas desenvolvem crises de ansiedade, ataques de pânico, lentidão de pensamento e vários outros sintomas. Na fase da recuperação, a dica é o famoso contato zero, ou seja, cortar toda e qualquer fonte de acesso com o abusador nas redes sociais, parar de atender telefones e em hipótese alguma vê-lo frente a frente. Como este tipo de relacionamento é tóxico, a distância é uma das maiores formas de recuperação.

Muitas das vítimas têm enorme dificuldade de se considerarem abusadas.

Não é fácil sair de um relacionamento abusivo enquanto não se busca informação externa e ajuda, pois a dúvida autoperceptiva instalada pelo exercício do Gaslighting e de outras manipulações deixam a vítima atordoada, como se estivesse vivendo dentro de um cárcere. Após a conquista efetiva do término desse tipo de relacionamento, a maioria que se liberta afirma que apesar da necessidade de ajuda psicológica para este recomeço, que o sentimento de alívio gerado acaba acelerando a sensação de bem-estar por saberem que estão se ganhando de volta. Muitas pessoas conseguem não permanecer tempo demais nessas relações e logo vão percebendo que estão entrando em algum tipo de cilada, ouvem os seus ruídos emocionais e as evidências que tentam vir de modo camuflado na fase que tais predadores estão fazendo uso de suas táticas de sedução e conquista. Mesmo estas ainda passam por momentos de dúvidas, mas logo entram em rota de fuga e confessam o alívio imediato que sentiram no término de tais relações, mesmo quando ainda podiam estar em dúvida, contam que foi o melhor que fizeram e que muito rapidamente puderam ver a dimensão terrível para onde poderiam ir se não tivessem barrado a situação logo de início.

Muitas das vítimas têm enorme dificuldade de se considerarem abusadas, mesmo sabendo de todo o mal que sofreram perdem a noção do mal que passaram, embora reconheçam que eram muito melhores antes de tais relacionamentos. Quando passam por tratamento psicoterapêutico, apenas anos depois têm a real dimensão do que lhes aconteceu.

É possível ocorrer o gaslighting em qualquer tipo de relação, quer seja entre casais héteros ou não, entre pais e filhos, amigos e em situações de trabalho.

É muito difícil que alguém de fora perceba que um outro esteja passando por um relacionamento abusivo. Existe uma sofisticação de condutas que não costumam ser exteriorizadas, mas mesmo assim não é totalmente impossível de se perceber este estado em algumas pessoas. Este é um assunto extremamente delicado porque muitas das vítimas sequer têm consciência do que estão passando. Acabam invalidando os maus-tratos mesmo que visivelmente se mostrem dilaceradas. Algumas percebem que algo não vai bem, mas não conseguem identificar com clareza. Nestes casos, a ajuda, a união e a astúcia dos amigos e o auxílio psicológico para fazerem as vítimas despertarem vale uma vida.

Sobre o autor

Silvia Malamud

Silvia Malamud

- Psicologa
- Especialista em temas relacionados ao Abuso Emociona com narcisistas perversos em relacionamentos afetivos, familiares, mãe/pai filhos, escolares, sociais e de trabalho.
– Especialista em Terapia Individual, Casal e Família /Sedes
- Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
- Terapeuta Certificada em Brainspotting - David Grand/ EUA
- Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.

EMDR e Brainspotting são terapias de reprocessamento cerebral que visam libertar a pessoa do mal estar causado devido à experiências difíceis de vida, vícios, traumas, depressões, lutos e tudo o mais que é perturbador e que seja uma questão para que a pessoa queria mudar. Este processo terapêutico, por alterar ondas cerebrais viciadas num mesmo tipo de funcionamento, abre espaço para que a vida mude como um todo, de modo muito melhor, surpreendente e inimaginável anteriormente.

Mais sobre Silvia Malamud: Além de psicóloga Clínica, é também formada em Artes plásticas- Terapia Breve - Terapia de Casais e Família pelo Sedes Sapientiai. Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e em Brainspotting David Grand/EUA. Desenvolveu-se em estudos e práticas em Xamanismo, Física Quântica, Bodymirror. Participou e se desenvolveu em metodologias de acesso direto ao inconsciente, Hipnose, Mindskape, Breakthrough e outras. Desenvolveu trabalho como psicóloga Assistente no Iasmpe, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com pesquisa sobre o ambiente emocional de residentes durante o período de suas residências, de 2009 até 2013. Participou do grupo de atendimentos de casais do NAPC de 2007 à 2008. Autora dos Livros "Projeto Secreto Universos", uma visão que vai além da realidade comum e Sequestradores de Almas, sobre abuso emocional que podemos estar vivendo, sem ao menos saber, sobre como despertar e como se proteger.

· Conhecimento terapêutico: Cenários e imagens: Já presenciei diversos pacientes fazerem "viagens" às vidas anteriores, paralelas, sonhos e mesmo se reinventarem em cenas reais ocorridas ou não. Vi-os saindo do túnel do reprocessamento, totalmente mudados e transformados, inclusive em suas linhas de tempo. Para mim, fica uma pergunta de física quântica... O que acontece com a rede de memória da pessoa se a matriz do acontecimento muda totalmente não o afetando mais? A linha do tempo e todos os significados emocionais transformam-se simultaneamente. Todos os eventos difíceis que a pessoa teve em relação ao tema ao longo da vida perdem o sentido e até parece que nem existiram, embora se saiba. A pergunta que fica é: O que é o tempo quando podemos nos transformar e nos auto-superarmos nesta amplitude?

· Coexistimos em inúmeras camadas de realidades que são atemporais. Por exemplo, o seu “eu” criança pode estar existindo e atuando em você até hoje... Outros aspectos desconhecidos também podem estar, sem que você suspeite.

Silvia Malamud
Psicóloga clinica Especialista em Terapias Breves individual, casal e
família/Sedes - CRP: 06-66624
Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Terapeuta Certificada em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.
email.: [email protected]