Convivendo

Amar é sofrer?

Elô Ribeiro
Escrito por Elô Ribeiro

Amar é sofrer?

Depende… Se você escolher “ter” um amor, seja ele platônico, idealizado, seguramente sim. Se você escolher “ser” o amor de alguém, poderá correr o risco de magoá-lo, se nesse caso, não for recíproco tal sentimento. É preciso “ser” e “ter” em um relacionamento. É isso que faz dar certo. Os dois tem que querer muito, fazer funcionar dia após dia.

E durante cada fase de sua vida, você terá a oportunidade de conhecer e se relacionar com muita gente. Em meio a essa aventura, surgirão também o primeiro encontro, o contato com ambas famílias, as viagens juntos, os presentes em dias comemorativos, as alegrias e tristezas compartilhadas, o sexo delicioso, os desencontros inevitáveis, as lágrimas derramadas, as discussões sem causa e até mesmo as traições desnecessárias e o caos antes do rompimento.

E os amores de carnaval? Esses são os mais fugazes e maravilhosos. Há alguns que vingam e há outros que acabam na quarta-feira de cinzas.

Também há os desencontros entre os foliões, alguém que fica plantado te esperando e você não vai porque acha que não é o momento, porque o medo falou mais alto. Maldade? Talvez sim.

Colocamos na cabeça que no outro dia resolvemos, afinal, quem esperou tanto, espera mais um pouco, estará sempre disponível, incondicional, nos olhando através de nós mesmos, esperando uma singela atitude nossa. São os amores mal resolvidos, dos quais te encherão de dúvidas por todos os dias de sua miserável vida e que te fará se questionar porque não deu certo? Algumas pessoas idealizam tanto um reencontro e imaginam o quão lindo seria isso… Mas a oportunidade já passou e com ela o tempo se encarregou de mudar aquela pessoa e a você mesmo(a) e que te mostrará que cada um fez um caminho e seguiu uma trajetória diferente, não há volta.

Pensar assim é bastante radical, há exceções, não é impossível de acontecer que duas pessoas revivam um grande amor, mas chega a ser surreal e pouco provável. É quase certo de que o choque seja tão grande que vocês se verão como estranhos conhecidos querendo nostalgicamente recuperar um tempo perdido que ficou para trás.

Contudo há os “sortudos” que talvez nem precisem procurar muito, porque descobrem que o amor da vida deles pode não ser visto à primeira vista, mas à segunda ou até à terceira. Explico: alguns rotulam esse amor de “verdadeiro”, mas me pergunto quando o nosso coração bateu involuntariamente várias vezes por outras pessoas, será que ele foi tão falso assim?

Creio que todos somos verdadeiros quando amamos, ainda que esse “alguém” não merecesse, então, vou chamá-lo de amor “maduro”. Esse amor é o que tanto buscamos, desses que a gente conhece bem e que vem com um tempo de convivência, porque ele não morre com o cotidiano como muitas “paixonites” seguidas de atrações físicas, que acabam logo nos primeiros meses de casamento quando você percebe o intelecto da pessoa e a idealização que transpôs naquele matrimonio, pelo contrário, se fortalece ao desafiar a rotina, enfrenta todos os obstáculos e te ensina que amar também é companheirismo, cumplicidade e paciência.

Segundo os últimos dados das Organizações Unidas (ONU), no mundo há cerca de 7 bilhões de habitantes e daí a velha pergunta que não quer calar: por que entre tantas criaturas no planeta você teve que se interessar justamente por aquele(a) indivíduo(a) do seu bairro? Do trabalho? Ou da escola?

Para poucos, o amor acontece somente uma vez, porque acreditam que ninguém deixa de amar um sujeito de uma hora para outra e se isso acontece, nunca foi amor. Entretanto, embora a maioria não admita, se apaixonam muitas vezes, terão em cada fase de suas vidas muitos tipos de amores, ou diria melhor: de paixonites, daquelas impossíveis, típicas de juventude.

Sem esquecer do mais doloroso e intenso, o amor não correspondido. Desse preferimos não lembrar, inclusive se já tivermos superado ao nos depararmos com o ex. Ser amado, sussurramos: “Meu Deus! O que é que eu vi naquilo?”

Pode ser até que te cause muita graça no futuro, mas no presente vai ser desolador.

Mas o que dizer do primeiro amor?

Sobre o autor

Elô Ribeiro

Elô Ribeiro

Docente universitária de Língua Portuguesa para estrangeiros, leciona há mais de 10 anos. Licenciada em Letras, especializada em Língua Espanhola e mestranda em Estudios Literarios Latinoamericano. Viciada em viajar, apaixonada por moda e admiradora da culinária. Carioca, mora há 5 anos na Argentina.

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