Mitologia grega

Apolo: o deus do Sol na mitologia grega

Ilustração de Apolo de olhos fechados segurando uma arpa
Martin Malchev /123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Apolo é um dos mais formosos deuses do Olimpo. Considerado deus do Sol, é conhecido também como deus da luz, do calor e da verdade: onde há luz, há clareza. Também é visto como o deus da beleza física e padrinho dos ramos artísticos: pintura, poesia e música. Ele é o famoso deus da lira e do canto.

Por ser deus do Sol, foram atribuídos a ele os frutos que essa estrela proporciona, como fatores relacionados à agricultura e à terra. Antigamente, algumas cidades da Grécia consagravam as suas primeiras colheitas do campo a Apolo. Além disso, ele é conhecido por muitos como o deus que protege os rebanhos. Dentre as coisas associadas a ele, o deus do Sol ainda é considerado o deus que afasta todo o mal, as pragas e as doenças dos seres humanos, apesar de o deus da medicina ser Asclépio, seu filho.

Apolo é famoso por ter alguns feitos que o deram evidência dentro da mitologia greco-romana. Ele era considerado um guerreiro por ter matado, com apenas uma flechada, Píton, um dragão fêmea amedrontador. E ainda ganhou relevância por ter derrotado Alóadas, um dos filhos gigantes de Posêidon, que tentou chegar até o Olimpo. Assim como a morte do dragão, Apolo matou Alóadas com o seu arco e flechas.

História e origem de Apolo

O nascimento

Apolo é filho de Zeus e Leto: o deus dos deuses da mitologia grega e a filha de Febe e Céu, os Titãs. O deus do Sol possui uma irmã gêmea chamada Ártemis, a deusa da Lua, dos animais selvagens, da caça e da magia. De acordo com a mitologia greco-romana, obrigatoriamente o deus do sol e o deus da lua eram gêmeos.

Sol brilhante ao lao de nuvens
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Apolo teve o seu nascimento extremamente conturbado, pois Hera, a deusa da maternidade e esposa de Zeus, era muito vingativa e sentia muito ciúmes do seu marido. Com toda a sua revolta, Hera fez de tudo para impossibilitar o parto de Leto e impedir o nascimento dos bebês. Ela prendeu Ilítia, a deusa que facilitava e auxiliava as mulheres na hora do trabalho de parto. Como o povo da época temia muito a fúria de Hera, ninguém na cidade abrigava Leto ou lhe ajudava de alguma forma. Porém a valente mãe conseguiu dar à luz a Apolo e Ártemis em uma ilha flutuante que logo foi chamada de Delos. Entretanto, a chegada dos deuses gêmeos ao mundo não foi fácil, pois Leto sofreu por nove dias e nove noites, até Hera soltar Ilítia ao receber ofertas. O primeiro deus que chegou ao mundo foi Ártemis, em seguida Apolo.

Infância

Colher retirando néctar de um potinho de vidro
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Apolo não foi alimentado com leite materno! A deusa Têmis alimentava o bebê com néctar de ambrosia, conhecido nos dias de hoje como manjar dos deuses, fazendo com que ele se tornasse automaticamente um homem. No seu primeiro ano de vida, Apolo descobriu que Hera havia enviado Píton, um dragão fêmea, para matar a sua mãe; ao saber desse plano, com apenas uma flechada, o deus matou o temido animal. Esse feito foi comemorado por um longo tempo pela população.

Além de Ártemis, Apolo também tinha outros irmãos: Atena, Ares, Hermes e Hefesto.

Início do local sagrado: Oráculo de Delfos

Apolo tomou posse de Têmis e criou um móvel no qual Pítia, sua sacerdotisa, se aconchegava para praticar as suas previsões (tal móvel se chamava trípode). Esse ambiente, onde havia a trípode, mais tarde se tornou o local de uma das maiores façanhas de Apolo, nomeado Delfos, a morte de Píton.

Delfo de Apolo na Grécia
Joaquin Ossorio-Castillo/123RF

Delfos é o lugar onde foi construído o altar para as adorações a Apolo, mas nesse momento de construção não haviam sacerdotes para contemplar o templo. Pouco tempo depois que o Delfos foi construído, um navio surgiu nas proximidades e Apolo, em forma de golfinho, avisou aos marinheiros que daquele momento em diante eles seriam os sacerdotes que ocupariam o templo. Contudo, nem sempre o deus do Sol estava em Delfos. Algumas lendas afirmam que quando o outono chegava, Apolo ia para um país mítico onde existia um grande povo que lhe rendia cultos. Assim que a estação findava e os cultos cessavam, Apolo retornava a Delfos, quando já era primavera. Delfos foi o grande templo de Apolo!

Guerra com o cupido do amor

Apolo não teve muita sorte em sua vida amorosa. No decorrer da sua vida, se envolveu com diversas mulheres e homens. Mas uma de suas histórias mais marcantes foi o enredo da sua relação romântica com uma ninfa chamada Dafne, filha de um rei intitulado Peneu.

Coração de papel rasgado ao meio
Kelly Sikkema/Unsplash

Como o deus do Sol era muito bom com arco e flechas, ele decidiu desafiar o deus que era cupido do amor, com a certeza de que as suas habilidades e as suas flechas eram mais precisas e poderosas do que as dele. Mas o deus Cupido, com o seu grande poder, provou a Apolo que ele era muito mais poderoso: acertou o coração do deus do Sol com uma grande flecha de ouro, fazendo com que ele amasse muito Dafne, mas, em contrapartida, acertou a ninfa com uma flecha de chumbo para que ela repudiasse Apolo. Com isso, Dafne negou o amor de Apolo, até que o deus recorreu ao seu pai, pedindo que ele a amaldiçoasse e virasse um loureiro.

Apolo ainda teve outras desventuras amorosas em que acabava sempre amaldiçoando de alguma forma as suas parceiras. Como ocorreu com a vidente Cassandra, que perdeu o seu poder de persuasão por não cumprir a sua palavra em ficar com o deus. Das relações com Cirene e Urânia, Apolo teve muitos filhos, mas nunca se casou com nenhuma. Cirene era uma ninfa e Urânia era musa astrônoma.

Façanhas de Apolo

Flecha presa ao lado de um fundo gramado
Pixabay/ Pexels

Além de ter matado Píton e Aládoas, Apolo teve uma grande briga com Tício, um gigante que também era filho de Zeus. A intriga entre os meios-irmãos começou quando Tício assediou Leto, mãe do deus do Sol; resultando na morte de Tício. Ainda nessa lista de guerras com Apolo, Forbas foi um valentão que incitava brigas no caminho de Delfos. Por ser extremamente forte, ninguém conseguia o vencer. Porém Apolo surgiu! Se disfarçou de atleta e matou Forbas com apenas um soco.

Apolo ajudou os guerreiros na Guerra de Troia e salvou muitos homens. A sua proteção sempre esteve à frente daqueles que tinham o seu apreço e, por isso, as muralhas de Troia foram derrotadas, assim como Paris acertou com apenas uma flecha o grande calcanhar de Aquiles, saindo vitoriosa do combate. Por ter auxiliado os troianos a vencerem as suas batalhas, o povo lançou louros aos seus pés; planta que até os dias de hoje representa as vitórias nos jogos olímpicos.

Mito de Apolo

Pessoa segurando folha em direção ao sol
Kaique Rocha/Pexels

Agora que você conhece um pouco sobre a história e a origem de Apolo, sabe que o seu mito era totalmente dual em relação à natureza humana. Apolo era um deus que fazia o bem e o mal, tudo dependia da situação e da vontade dele. Como deus do Sol, da agricultura, como protetor dos rebanhos e das artes, ele fazia o bem gerando fortunas e felicidade, mas ao mesmo tempo tirava a vida daqueles que não o agradavam ou o desrespeitavam com a sua pontaria certeira e o seu arco e flechas.

Mas, de todo o modo, ele foi um dos deuses mais relevantes da mitologia greco-romana, sendo definido como um ser que podia ameaçar mas também proteger. Tido como a força e a luz do Sol, agia como um inspirador das artes e era motivo de medo para os outros deuses. Dentro de sua bravura, somente os seus pais podiam conter as suas vontades, alegrias e iras. Dentro da dualidade de suas façanhas, Apolo era o deus das doenças mas também era o deus da cura.

O seu mito vem sendo trabalhado por muitos anos por filósofos e pesquisadores, religiosos, artísticos ou simplesmente curiosos. O intuito de chegar a um maior entendimento sobre a história do deus do Sol é entender a diversidade de comportamentos da vida humana, da natureza e da sociedade como um todo.

Culto de Apolo

Delfo de Apolo na Grécia
Lefteris Papaulakis/123RF

Os cultos de Apolo ocorriam inicialmente em Delfos. Seus ritos eram regados a atividades musicais, dança, sacrifícios, com o intuito de purificação, procissões, entre outras práticas. Os cultos a Apolo não eram sempre os mesmos; variavam conforme os locais ou a época (se pararmos para analisar no contexto histórico da sua história que sofreu alterações ao longo dos anos).

Algumas lendas afirmam que Delfos foi o primeiro local onde um culto a Apolo aconteceu, mas alguns arqueólogos afirmam que existiu um templo em Naxos, por volta do século Vll a.C.

Arquétipo de Apolo

O deus grego do Sol possui grande ênfase na mitologia greco-romana, como já foi dito anteriormente. Porém ele ainda possuiu uma força maior por ter sido um dos deuses mais mencionados na Ilíada.

Apolo foi um modelo de aspectos masculinos que o tornavam poderoso diante de qualquer situação. Ele possuía beleza, sexualidade aflorada e força. Tinha um distanciamento emocional muito forte, tanto que o deus nunca se casou e teve muitas amantes enquanto mantinha relações fixas com determinadas mulheres. A dificuldade de se manter em um vínculo duradouro poderia ser resultado das negações amorosas vividas anteriormente, com Dafne e Cassandra.

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O seu padrão de comportamento explosivo foi uma questão a ser questionada, pois era lógico o tamanho do seu poder, mas ele o utilizava sempre conforme o seu querer, nunca pensando no bem alheio. Até os benefícios que ele causava à população carregavam consigo segundas intenções. Suas frustrações eram descontadas em flechadas, mas, mesmo assim, ele teve grande relevância na vitória de muitos povos. Dentro da sua injustiça por prazer próprio, Apolo também foi um deus justo que curou os doentes e livrou as pessoas de inúmeras pragas e doenças.

Imagem de Apolo

Apolo é representado de forma bem simples: um homem jovem, belo, totalmente nu e que passa a percepção de que ele é o próprio Sol. Os objetos que se tornaram seus símbolos são o arco e flechas, a lira, os louros e a palmeira.

Agora que você já conhece um pouco mais sobre a história de Apolo, compartilhe esse artigo com os seus amigos para que eles também fiquem por dentro da mitologia greco-romana!

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