Mitologia grega

Dionísio: o deus do vinho!

Vários tipos de vinhos um ao lado do outro
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Dionísio, conhecido também como Baco, era um deus da mitologia grega que regia os ciclos vitais. Ele era o deus do teatro, da insanidade, do vinho. Possuía o conhecimento dos segredos do plantio de parreiras e das colheitas de uva, mas era considerado principalmente o deus da intoxicação resultante dos efeitos do álcool em relação à divindade. Ele possuía forte associação a qualquer tipo de atividade relacionada ao prazer carnal ou material: festas, bebedeiras etc.

Filho do grande deus dos deuses, Zeus, Dionísio era uma divindade atípica por ser filho de uma mortal, Sêmele. Morava no Monte Olimpo e era considerado um dos principais deuses da religião e mitologia grega. Ele era visto nas cidades da época como um protetor daqueles que não seguiam as normas habituais da sociedade e, por isso, se tornou o símbolo de tudo o que é perigoso, caótico e abrupto: todas as coisas que fogem da racionalidade humana e que só podem ser associadas às ações contingentes de algum deus.

Origem de Dionísio

Garrafa de vinho deitada na mesa
Markus Spiske/Pexels

De acordo com alguns textos clássicos, Zeus agiu sem o conhecimento e o consentimento de Hera, a deusa da maternidade e sua esposa na época, quando engravidou Sêmele — para isso, ele disfarçou-se de homem para seduzi-la. Hera ficou extremamente enciumada e armou uma armadilha para que Zeus revelasse a sua verdadeira essência à Sêmele, mas ele sabia que esta não suportaria presenciar o seu brilho. Com isso, Sêmele morreu e Zeus retirou Dionísio do ventre materno e o colocou em sua própria coxa para que ali fosse gerado até o momento do seu nascimento. Porém, as irmãs de Sêmele, que acompanharam os acontecimentos, acusaram Zeus de ter a matado porque ela teria engravidado de um homem mortal e, por isso, em sua fúria, Zeus assassinou-a com um raio.

Após o nascimento de Dionísio, Zeus desfez todos os pontos que prendiam o deus à sua coxa e o entregou a Hermes, que, inicialmente, quis criá-lo como uma menina. Porém, Zeus enganou-a fazendo com que Dionísio fosse um menino, entregando-o às ninfas que habitavam na Ásia, mais precisamente na cidade de Nisa. Quando Hera descobriu onde Dionísio estava localizado, demonstrou a sua ira novamente, tornando-o louco em sua vida adulta, de modo que vagasse por inúmeros lugares da Terra.

No dia que Dionísio percorreu a região da Frígia, já em sua vida adulta, uma deusa chamada Cibele o curou de todo o mal causado por Hera e o ensinou os seus preceitos religiosos. Finalmente, livre dos males causados por Hera, ele aprendeu tudo sobre o plantio e a colheita da uva, viajando à Ásia e ensinando os povos sobre a fruta e a bebida aclamada na época. Ele foi o primeiro deus a fazer o plantio e o cultivo de parreiras e, por isso, toda a sociedade começou a adorá-lo como o deus do vinho.

Outra versão sobre a sua origem é a de que ele seria filho de Zeus e de Perséfone. Por Zeus ter traído Hera, que era sua esposa, a deusa da maternidade quis matar Dionísio e, por isso, armou novamente uma armadilha usando os Titãs, que mataram o menino e se alimentaram com a sua carne. Como Zeus amava muito Dionísio, matou os titãs. Porém, ele percebeu que o coração de Dionísio não tinha servido de alimento, então pegou-o e fez com que ele retornasse à vida.

No âmbito amoroso, Ariadne foi a grande paixão de Dionísio. Ele decidiu casar-se com ela quando soube que ela havia sido abandonada pelo seu amante Teseu. Existem muitas histórias sobre o seu romance: alguns acreditam que eles se separaram em uma montanha chamada Drius; enquanto outros creem que Dionísio raptou Ariadne e levou-a para Lemnos, onde tiveram filhos.

O mito de Dionísio: O deus alegre

Taça com vinho caindo
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Contrariando muitos mitos de diversos deuses, o mito de Dionísio apresenta uma faceta positiva. Esse deus é associado aos prazeres materiais resultantes do vinho ou da paixão; logo, é associado à alegria, às atividades que proporcionam diversão e sensações positivas.

O seu mito descreve um deus extremamente feliz, sempre pronto para fazer festa ou comemorar algum acontecimento. Dionísio era tido como o deus da fertilidade, por ter sido gerado na coxa de seu pai, Zeus, e por muitas pessoas crerem que isso significa que ele nasceu duas vezes; e também deus do vinho, mas era a representatividade da insanidade do prazer descomunal.

Durante a sua vida adulta, o deus da fertilidade viveu inúmeras aventuras. A mais famosa dessa lenda, afirma que Dionísio foi sequestrado por piratas que pediam um resgate, pois achavam que ele era um importante e renomado príncipe, mas eles nem sequer imaginavam com quem estavam lidando. Quando os piratas tentaram prender Dionísio com cordas, nenhuma delas firmou um só nó. Sendo assim, o deus se transformou em um leão que rugia o som de flautas, e em poucos instantes enlouquecera os seus sequestradores que logo se jogariam no mar. Diz a lenda que Dionísio transformou os piratas em golfinhos, e que estes animais auxiliam os humanos porque se arrependeram dos seus atos no passado.

O mito de Dionísio ainda conta que em um determinado momento de sua vida, ele desceu até o submundo para resgatar a sua mãe Sêmele, que se tornou uma grande constelação.

O culto a Dionísio

Taça com um pouco de vinho
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Os cultos religiosos consagrados a Dionísio, tidos como mistérios dionisíacos, envolviam diversas substâncias tóxicas — principalmente o vinho — para promover comportamentos que eliminavam qualquer tipo de acanhamento. Os seus cultos eram feitos em diversos rituais, mas a maioria dos seus detalhes é desconhecida. Sabe-se que o principal tema de cada rito era a morte e o renascimento, praticado por pessoas vistas como “foras da lei”.

As mulheres que faziam parte dos cultos dionisíacos se comportavam como ninfas ménades. Dançavam ritmos frenéticos, na maioria das vezes ao redor da figura de Dionísio. Em suas coreografias, elas expunham as suas gargantas e rolavam os olhos como se fossem animais ardentes que buscavam por uma presa, além de sacrificarem cabras, gato e outros animais e, em seguida, se alimentarem de suas carnes cruas.

Como Dionísio era o deus da diversão, todos os seus cultos eram regados à bebidas e a tudo o que era considerado ilícito e perigoso diante das razões humanas.

Arquétipo de Dionísio

Mulher em um campo de flores, durante o dia, com as mãos para cima e os cabelos ao vento
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Dionísio foi considerado por muitos um modelo de liberdade de expressão: ele não continha as suas vontades e usava e abusava do seu livre-arbítrio. Exalando espontaneidade, propunha a diversão e o prazer por onde quer que fosse. É um símbolo da consciência expandida e da conexão da carne com o espírito, ressaltando sempre o êxtase, a alegria de viver e o bom proveito das oportunidades da vida.

A associação de Dionísio com o teatro

O Teatro Grego foi desenvolvido a partir de cultos prestados a Dionísio na cidade de Atenas. Dionísia Urbana era o nome de um festival que apresentavam tragédias e sátiras ao público; tal festival era um evento que ocorria todos os anos e era de extrema relevância para a democracia.

Teatro com as luzes no palco e cortina fechada
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Muitas peças eram apresentadas nesse teatro, e muitas delas honravam o deus do vinho. Em sua maioria, os atores que honravam Dionísio em suas atuações cobriam o rosto com máscaras, que simbolizavam a imersão de identidade. Aqueles que entoavam algum tipo de cântico, cantavam todos juntos palavras que afirmavam que todos eram uma parte praticamente insignificante quando relacionada ao todo: sem individualidades ou singularidade. Eles ressaltavam que toda a vontade e a individualidade deveriam ser ofertas feitas a Dionísio. Os enredos do Teatro Grego sempre mencionavam Dionísio, seja em atuações de heróis trágicos ou em sacrifícios que faziam alusão à morte do deus do vinho.

Segundo o seu mito, Dionísio deu ordem aos seus empregados para que lhe trouxessem algum tipo de bebida que o embriagasse, para que todos os seus sentidos se unissem e se aflorassem. Muitas bebidas foram trazidas a ele, mas ele só se satisfez quando lhe trouxeram vinho. Ao beber a bebida alcoólica produzida a partir da uva, o deus se deslumbrou com todos os seus detalhes e efeitos, e alegrou-se de tal modo que fez com que todas as pessoas que ali estavam, brindassem com os seus copos. Desde esse momento, Dionísio começou a proteger e a zelar pelos produtores de vinho e passou a ser reverenciado como deus da alegria e do vinho.

Quando ocorriam as Dionísias Urbanas, as pessoas tocavam flautas e dançavam coreografias específicas: todas utilizavam as máscaras que representavam uma transformação do próprio ser diante da dramatização. Foi a partir destes festivais que surgiram as primeiras peças de teatro e, por este fato, Dionísio é tido também como o deus do teatro.

Representação de Dionísio

Como Dionísio possui forte associação ao vinho, na maioria de suas imagens ele aparece segurando um cálice em uma mão, e na outra um grande cacho de uva. Sua imagem é a de um homem forte barbudo, com expressão de embriaguez. É nítido em seu semblante que a sua felicidade é resultado do álcool. Em algumas versões, ele está completamente nu, mas em outras, segura um manto de tecido de leopardo ou leão.

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