Autoconhecimento

Autonomia para Ser, Conviver, Fazer e Conhecer

Monje budista meditando sobre montanhas.
Regiane Rocha
Escrito por Regiane Rocha

A liberdade só pode ser alcançada por meio da conquista de nós mesmos. Buscar o que nos alivia, nos acalma, nos nutre e nos motiva fora de nós é inútil e exaustivo; dentro de nós repousa a sabedoria que buscamos desesperadamente fora.

A realização de um ser repousa nele mesmo. Compreender que a simplicidade guarda a elegância, a beleza e, principalmente, a leveza que nossas almas tanto buscam só é possível quando damos crédito a essa simplicidade latente em nosso mundo interior.

Escultura de Buda meditando em frente a um fundo iluminado.

No entanto, desde muito cedo somos destituídos desse contato pessoal

Os outros definem quem somos e, mesmo que lutemos por nossa individualidade, chega uma hora que acabamos desistindo de nós mesmos para sermos o que os outros esperam de nós.

Não nos abandonamos deliberadamente, isso acontece devido à força dos hábitos e costumes que marcam nossa cultura e que vamos aprendendo e incorporando por meio das relações afetivas; assim, somos conduzidos a ler nosso mundo interno pela orientação do outro, do que está fora.

Não há problema real em ser conduzido e orientado, no entanto, para que o indivíduo possa amadurecer, precisa de orientação sobre o que existe fora, mas também sobre a importância do que existe dentro de cada ser. E aprendemos muito pouco sobre nós mesmos, o autoconhecimento ainda é entendido como algo distante ou privilégio para poucos.

Menino meditando em um grande campo aberto durante o pôr-do-sol.

É fundamental compreender que o desenvolvimento da autonomia individual e o conjunto de competências, habilidades e valores que a autonomia representa é o caminho mais seguro e efetivo para a busca da liberdade, entendendo que o conceito de liberdade pode ser diferente para cada um. Mesmo assim, quando alcançamos autonomia podemos exercer o direito de escolha e a força de assumir a responsabilidade sobre o resultado dessas escolhas.

Nesse sentido, devemos compreender que o mundo interno e o externo são complementares e precisam estar harmonizados para que nossa experiência de vida seja, de fato, um caminho para o crescimento e amadurecimento em sua plenitude; para isso precisamos ressignificar nossa relação conosco, com o outro e com o mundo.

Abraçando as verdades sociais conduzidas pela lógica externa acelerada e superficial, vamos cada dia mais nos afastando da sabedoria que repousa dentro de nós, a qual não acessamos por acreditarmos que algo de ruim habita em nosso interior e que, se não vigiarmos, controlarmos e nos contermos, podemos liberar e fazer mal a nós e aos outros.

Pedras equilibradas em frente a uma praia.

Quanto mais damos crédito ao externo, mais confusos nos tornamos quando olhamos para dentro de nós e cada vez mais desconfortáveis, esvaziados e aflitos nos sentimos, pois o que está fora glamouriza a artificialidade do externo e desqualifica a simplicidade das necessidades internas, esse fenômeno faz com que sejamos o que temos e não o que, de fato, somos.

O TER substitui o SER e vamos nos tornando coisas

Portanto, a partir do olhar de “coisa”, não posso ver pessoas, paisagens, sensações e percepções, apenas objetos que manipulo. Assim, também aceito que me manipulem e as relações se tornam frias, baseadas em trocas. Cada dia que passa, ganhar ou perder não faz diferença, pois esse tipo de relação não leva à satisfação, leva à euforia se eu ganhar ou à impotência se eu perder, mas a saciedade nunca chega.

O alívio libertador que a completude traz só é possível quando aplicamos esforço em descobrir quem nós somos. Cada ilusão que dissipamos sobre nós acalma a pressão diária de querer agradar o tempo todo, vencer sempre e estar constantemente atrás de uma felicidade inatingível atribuída às coisas ou às pessoas, pois não nos bastamos.

É necessário sair do automático para identificar que a simplicidade desacelera, acalma e nutre; a partir de então, é possível compreender a verdadeira busca, que é conhecer a nós mesmos, como apontou Sócrates há tanto tempo atrás.

Mulheres tomando um banho espiritual em um templo.

É compreender o que Gandhi quis dizer com a frase: “seja a mudança que você espera no mundo”.

Estamos em um tempo no qual mudar não é mais uma opção. A velocidade tecnológica, a globalização e a ameaça planetária com questões climáticas e de sobrevivência da espécie em termos sociais, culturais e econômicos nos lançou em um caminho sem volta: ou aprendemos a mudar com consciência ou seremos arrastados pela lógica desse tempo.

Para lidarmos com esse tempo precisamos desenvolver lucidez sobre quem somos, mas, para isso, precisamos contestar o que achamos que somos, precisamos aprender novos saberes, novas habilidades, modos de ser e de conviver; esse objetivo exige compromisso, esforço e muita persistência. E nada além da própria inquietação de cada um pode mobilizar essa vontade de mudar.

Ilustração de Mahatma Ghandi.

Se você sente familiaridade com o texto, busque o seu despertar pessoal.
Descobrir-se é uma jornada potente que te ajuda a lembrar de suas limitações, mas também de suas reais capacidades de superar esses limites.

Busque o melhor que repousa em seu potencial e assuma a responsabilidade sobre si mesmo, se preparando e fortalecendo pelo exercício do autoconhecimento, em busca da liberdade de poder SER a sua melhor versão.

Espaço Autonomia: “Conecte-se com o que há de melhor em você”

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Sobre o autor

Regiane Rocha

Regiane Rocha

Regiane Rocha é inconformada, curiosa e buscadora por natureza, profunda admiradora da vida e convicta da sabedoria e beleza que habita no íntimo de cada ser. Entregue ao divino sagrado e a serviço da grande Shakti, iniciou sua busca na identificação da “incompetência” em se adaptar aos padrões sociais vigentes.

Começou a trilhar o caminho dos conhecimentos espirituais no estudo do paganismo celta e se dedicou a conhecer mais profundamente a mitologia celta, nórdica, africana e finalmente a indiana, na qual atualmente pesquisa tantra yoga, hatha yoga e vedanta.

Mãe do Enzo Uriel e parceira de vida do Thiago Rodrigues, se dedica a compreender em nível pessoal como honrar cada dia mais a manifestação da abundância que a natureza oferece na forma desses dois homens, que ensinam a cada dia a sacralidade feminina no núcleo familiar de maneira cotidiana pelo exercício do respeito, acolhimento, cuidado e apoio. Irmã, filha e eterna aprendiz das maravilhas que resultam da harmonia entre forças primais da vida.

É educadora de formação, pesquisadora por vocação, terapeuta, facilitadora de processos de despertar humano por meio de medicinas como reiki, PNL (programação neurolinguística), florais de Bach, yoga, vedanta e saberes literários, e se dedica à educação e à formação humana há mais de 20 anos.

Hoje está à frente de pesquisas em autoconhecimento e espiritualidade aplicados à prática do desenvolvimento humano, realizadas através de sua empresa: Espaço Autonomia.

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