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Coisas que ninguém nos conta quando somos gestantes

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Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara



Não estou lançando um decreto, mas acredito que a maioria das mulheres já parou um dia para pensar se gostariam ou não de ter filhos. Algumas chegaram à conclusão que não: não quero ter filhos! Outras responderam: sim, eu quero ter filhos! Outras ainda tentaram e não puderam tê-los. Enfim, acolhe-se ou escolhe-se ser ou não ser mãe.

Gestar é dar origem, gerar outro ser dentro do próprio corpo, conceber.
 Sem dúvida alguma é uma época mágica, em que nos deparamos com a forma mais surpreendente de compreender que por trás desse projeto biológico tem um Criador perfeito. Quantas etapas de desenvolvimento, quantas descobertas, quantas surpresas!!!

Saber que estamos carregando uma outra vida faz com que a gente se sinta um pouco estranha, especial e tenho certeza que toda grávida um dia se perguntou: como pode? Como posso estar carregando uma outra vida? Olha que milagre, que coisa surreal! Algumas sentem mais as mudanças no corpo que outras. Eu, por exemplo, tive dores nos peitos, enjoos, aumento de peso, inchaço, parecia uma pata andando. Tinha um amigo que quando me via andando dizia: olha lá, lá vem o ovo com palitinhos espetados!

gestantesEnjoo então, nem se fale! Meu café da manhã na primeira gravidez era pão com queijo branco e um belo copo de Coca-Cola. Eram as únicas coisas que conseguia comer lá pelas 10 da manhã. Antes disso, nada! Chegava para trabalhar e meu chefe na época ria e dizia: enjoo é psicológico. Se era mesmo, não sei, mas que era bem desagradável, isso era! Tanto o enjoo como o chefe!

Passar os meses escolhendo nomes, decoração do quarto, roupinhas, maternidade, padrinhos, é muito gostoso. Tarefas que nos ocupam durante os nove meses da gestação. É uma delícia!

E acho até que a gente fica meio avoada, anestesiada para curtir esse momento tão especial.

Mas, sempre me pergunto, será possível nos preparar para o que vem depois? Não estou dizendo do trabalho de trocar fraldas, noites sem dormir, das horas amamentando, das atividades corriqueiras que deixamos para um segundo plano. Penso: será possível se preparar para lidar com uma realidade tão nova e peculiar? Tudo é uma caixinha de surpresa e acredito que quanto mais informação tivermos, maior nossa chance de lidar com os imprevistos e o desconhecido.

Por isso, resolvi escrever sobre algumas dicas, baseadas na minha experiência pessoal, que gostaria muito de ter sabido antes de ter me tornado mãe pela primeira vez.

Os avósgestantes
Ser mãe é responsabilidade da gestante! Mas nem pense que o bebê será “só seu”. Se estamos curiosos e ansiosos com a chegada do bebê, imagine aqueles que nos criaram e esperam pra ver o fruto do fruto? Ter a chance de reviver a sensação de ser mais ou menos pais/mães de novo e de “acertarem” as coisas que acham que não fizeram direito. A compreensão de que todos os conselhos, as sugestões e as críticas vindas deles são tentativas de nos ajudar com a experiência que adquiriram vai nos ajudar muito. Não que estejam certos, nem mesmo acredito que haja o “certo” nesse caso, mas eles tentam nos apontar para aquilo que poderia ter dado certo. Lidar com serenidade e clareza com a participação dos avós ajuda muito na manutenção de um clima mais harmônico entre o casal e a família. A chegada de um novo ser pede uma boa dose de paz e tolerância.

A amamentaçãogestantes
Que a amamentação é importante e um ato de amor, disso ninguém duvida. Embora seja algo instintivo, nem sempre acontece como imaginamos, como vemos nas fotos das revistas ou nos comerciais de tv. Alguns bebês têm maior dificuldade para pegar o peito corretamente e podem não mamar o suficiente ou ainda engolir quantidades de ar que poderão dar desconfortos e cólicas. As mães de primeira viagem também podem ter problemas pra se adaptarem a essa nova missão. Tudo isso pode trazer frustração, principalmente para a mãe que não consegue realizar suas expectativas. Uma forma de lidar com essa questão é buscar orientação em sites, livros, revistas, com enfermeiras, em bancos de leite e outros tantos projetos que existem com o intuito de ajudar as mães com dificuldades.

Não se cobre! A pior coisa que existe nesse momento é acreditar que está prejudicando seu filho quando não consegue oferecer uma amamentação “de qualidade”. Compreender as possíveis razões é o mais importante. Eu tive algumas dificuldades e nem por isso deixei de amamentar. Mas, se não for possível, não se abata com a impossibilidade. Me lembro que era muito cobrada por isso, por não conseguir amamentar direito, e isso me deixava ainda mais triste com toda a situação, me sentindo culpada e, certamente, ter uma mãe que não está à vontade em seu papel pode ser pior para o bebê do que não ter o aleitamento ideal.

O casalgestantes
A gestação é uma atribuição da mãe, mas precisa de total comprometimento do pai que será fundamental para gerar as condições de aceitação e tranquilidade que a chegada de um bebê exige. A conversa franca sobre a divisão de tarefas, sobre a necessidade de participação de ambos na troca de fraldas, nos cuidados gerais e até no momento da amamentação pode evitar discussões desnecessárias quando a “realidade” estiver chorando sem parar. Não se trata de disputa de poder, mas de companheirismo. A leitura conjunta de artigos, revistas, palestras ajudam o casal a colocar em discussão questões que envolverão a nova etapa da vida.

O pós-partogestantes
Já nos primeiros dias com o bebê em casa a gente consegue perceber que nem tudo anda na ordem que andava anteriormente à sua chegada. Me lembro de sentir uma melancolia, uma tristeza que não sabia de onde vinha. Só sei que eu me sentia culpada por estar sentindo aquilo. Afinal, quis ter minha filha, tudo tinha corrido na mais perfeita normalidade, por que então vinha esse sentimento? Não demorou muito a perceber que estava com depressão pós-parto. Acredito que minha falta de estrutura psicológica ao iniciar o projeto “mãe” tenha trazido vários outros conteúdos escondidos. E, no momento no qual me senti responsável por mais alguém, isso eclodiu. O que muito me ajudou foi a lembrança de alguns raros artigos sobre o assunto que tive a felicidade de ler meses antes do nascimento de minha filha.

Observar-se e ter consciência de que algo não está muito bem e, principalmente, não esconder de ninguém quaisquer sinais de frustração, tristeza ou irritação com a nova fase vai ajudar bastante. Fale das coisas que está sentindo, se abra e procure ajuda do médico, de uma psicóloga, porque quanto mais cedo admitir que existem sentimentos que incomodam, mais rapidamente você passará por isso. Algumas pessoas poderão te criticar e até mesmo te julgar, mas preste atenção nos seus sentimentos. É isso que vai determinar a superação dessa fase. Eu procurei ajuda e em pouco tempo estava tocando minha vida mais feliz do que estava antes.

The end
A informação não nos libera dessas questões, mas nos ajuda a reconhecê-las e encará-las com maior naturalidade. Gravidez é luz, é uma benção, é uma fase de descobertas, aprendizados e novos horizontes. Tenho que te dizer que sinto muita saudade da gravidez e de curtir esses momentos todos, afinal, somos fiéis depositárias da mais perfeita e maior obra de arte desse mundo, um novo ser!

PARABÉNS GESTANTES!!!


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Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
[email protected]

Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!