Autoconhecimento

Como contar e ouvir histórias pode encantar, acalentar e curar?

Vetor de professora lendo história para seus alunos sentados no chão.
Anna Maria Oliveira
Escrito por Anna Maria Oliveira


“A memória humana é um grande armazém, de cuja capacidade geralmente utilizamos apenas uma fração. Nossos ancestrais sabiam disso e treinavam a memória juntamente com os demais sentidos para que a história e as tradições do povo pudessem ser preservadas e transmitidas. Uma das mais importantes tradições orais era contar histórias e preservar histórias originais”. – Peggy Beck e Anna Walters

Mergulhar no mundo da imaginação, onde tudo é possível!Quando pequena, eu adorava inventar histórias desenhando, colando, fazendo de conta que era a Deusa Ísis, a Mulher Maravilha, o Rei Arthur.

Meus irmãos e eu brincávamos de viver histórias criadas por nós, com caixas de papelão, tecidos, almofadas e galhos de árvores.

Minha avó paterna era uma incentivadora, nos ensinava a fazer objetos com barro e emprestava lençóis branquinhos de linho para construirmos cabanas no quintal de terra ou no quarto.

Apreciávamos as estrelas à noite e imaginávamos que cada uma delas era um mundo com seres de diferentes formas. Era um dos meus passatempos favoritos à noite!

Livro aberto com luz saindo de dentro dele.

Imagine uma infância no interior de São Paulo, na casa da avó mais fofa do mundo inteiro, com um quintal que parecia gigante, cheinho de árvores frutíferas, ervas, forno a lenha para assar pão e fazer sabão, perfume de café, chá, bolo de milho, bolinho de chuva, sopas e remédios caseiros para resfriado, receio de ir até o fundo do quintal gigante, à noite, com medo do Saci Pererê, livros de histórias e gibis dos meus tios e primos numa estante na sala!

Era o paraíso para uma menina de cinco anos, cheia de imaginação.

Hoje, agradeço muito aos meus pais por termos tido a necessidade de morar algum tempo na casa da vovó Ana. Casa de madeira simples e acolhedora, com pés de minijasmim plantados na varanda perfumando a residência toda quando estavam floridos.

Depois, na adolescência, minha grande paixão foi a mitologia grega. Eu amava as deusas e os deuses e inventava histórias divertidas com eles. Permanecia horas a fio, sozinha, lendo e relendo a Odisseia de Homero, adorando a Deusa Atena, imaginando as aventuras de Ulisses.

Essas memórias afetivas permeiam a minha vida e nutrem a minha alma.

Quando me desloco até essas experiências, tenho a oportunidade de ouvir o que faz sentido e traz significado para a minha vida. Reconheço minha origem e minha história pessoal e atendo ao chamado da alma para não me deixar levar por ilusões do ter.

O coração fica aberto e encontra bálsamos curativos, se conecta com histórias de outras pessoas, encontra o recurso do amor, a mais poderosa força de restabelecimento da saúde.

Mulheres conversando sentadas em sofá.

Contar histórias é a medicina natural de cura dos povos ancestrais, o xamã é chamado de deslocador de contorno, porque muda a percepção que a pessoa tem sobre a sua história, é um catalisador de mudança e um agente de cura.

Contar histórias em festas, hospitais, treinamentos empresariais, escolas, conversas informais, encontros de amigos e família, na fila do metrô e do supermercado pode nos ajudar e ajudar outros a viverem vidas mais leves e fluidas.

Contar histórias é uma arte que vem do coração e pode ser aprimorada com técnicas. A principal tecnologia vem de dentro, naturalmente. Todos podem e devem contar histórias!

Onde existe um contador de histórias existe alegria, imaginação, saúde, insights, soluções, empatia, sabedoria, aprendizagem, valores, compreensão e amor.

Acessamos um tempo fora do tempo, o tempo mítico, o tempo de olhar para si mesmo e encontrar as respostas para as perguntas, o tempo de encontrar a criança interior, ficar sem sapatos, correr, brincar, chorar, sorrir e ser quem se é!

“A atividade de contar histórias constitui uma experiência de relacionamento humano que tem uma qualidade única, insubstituível.” – Regina Machado

Tive o privilégio de estudar com Amarilis Pavoni, uma professora incrível que me apresentou o conhecimento acadêmico, a partir de Jung, sobre o processo de individuação pelos contos de fadas. Foi um semestre inteiro, no curso de Pedagogia. Foi outro marco na minha vida.

Professora lendo história para seus alunos.

Eu adoro contar histórias, uma das estratégias pedagógicas que mais uso, com crianças, jovens e adultos.

Aqui, uma história que contei recentemente para um grupo de adultos, minha releitura:

“Há muito tempo, o Deus Guaraci vivia no céu brilhando. Ele era o Deus Sol. Apesar de seu brilho, sentia tristeza e solidão, então decidiu criar Jaci, a Deusa Lua. Ficou tão feliz e foi abraçá-la, mas tudo ficou muito iluminado e ela desapareceu. Ele sentiu e pensou, pensou e sentiu, então criou Rudá, o Deus do Amor. Todos os dias, Rudá levava uma mensagem de Guaraci para Jaci. O amor do Deus Sol era tão grande, que um dia ele sentiu e pensou, pensou e sentiu, criou as estrelas, pontinhos brilhantes no céu, companheiras da Deusa Jaci, a Lua. Rudá, o Deus do Amor, passou a ser amado e adorado por toda natureza como o mensageiro do amor de Guaraci por Jaci, e por todos os seres vivos, da Terra, Ar, Água e Fogo.”

“A arte, qualquer arte verdadeira, permite este trânsito compreensível pelos significados fundamentais da vida humana. Não se trata de uma compreensão mensurável ou explicável dentro dos padrões convencionais.” – Pierre Emmanuel

Deixo algumas reflexões para que você possa acessar suas memórias afetivas e ser uma catalisadora de experiências profundas. Conte histórias para você e para outros e espalhe mensagens de amor, como o Deus Rudá:

  • Quais são os seus contos infantis favoritos?
  • Que histórias conta a seu respeito quando faz novos relacionamentos?
  • Quais histórias de sua infância conta para as pessoas?
  • Quais são suas histórias espirituais, familiares e de amor, preferidas?
  • Quais foram as pessoas que se tornaram mestres de seu coração?

Boas reflexões e práticas curativas, pela Contação de suas Histórias.

Abraço carinhoso!


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Sobre o autor

Anna Maria Oliveira

Anna Maria Oliveira

Sou apaixonada pelos processos de Educação e por tudo o que se refere ao desenvolvimento humano. Formada em Pedagogia, com especialização em Administração Escolar. Pratico meditação Raja Yoga e Yoga com Respiração Dinâmica.

Atuo como Palestrante, Coach Educacional, Instrutora de Yoga Lúdico na Educação e Consultoria Pedagógica para professores e escolas. Realizo atendimentos in company e em grupo. Graduada em cursos complementares como Arte Contemporânea, Xilogravura, Educadora Brincante, Instrutora de Yoga para Crianças e Jovens, Reiki Tibetano, Técnicas Corporais Ayurveda. Fundadora da Academia Confluência, criei a metodologia do Coaching Integrado Pedagógico em Grupo, método CIP, em parceria com Antônio Carlos Antunes. Escrevo artigos para o site e posts da Academia Confluência, no Facebook e Linkedin.

Atualmente, estou produzindo um livro para educadores e pais, com foco para a prática de Yoga com Crianças de 04 a 10 anos.

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