Autoconhecimento Comportamento

Histórias e leituras

Imagem em detalhe de mulher escrevendo com lápis em um caderno. Ela usa camiseta e uma jaqueta jeans.
123rf/Poorisit Chunpiam
Cintia Ski Pelissari

Recentemente li “A Arte de Criar Leitores”, de Goimar Dantas (Editora Senac, 2019). Se tiverem oportunidade, recomendo essa rica literatura.
O livro é puro encantamento. Mas a história de que mais gostei é “A Sherazade que usava jeans”.

Ao ler esse capítulo, viajei no tempo. Voltei para a 5ª série e encontrei minha amada professora de língua portuguesa. A grande responsável pela minha paixão pelos livros, pela escrita. O momento mágico de minha época de escola era o dia de “escrever redação”. Aguardava por esse dia assim como um atleta aguarda pelo dia de uma grande competição. Sentia-me segura e sempre preparada para compor minhas redações. Era como se as palavras e as histórias estivessem sempre prontas para pular da cabeça para o papel, precisava apenas de um lápis ou caneta.

Pessoa escrevendo com lápis em caderno.
Pexels/bongkarn thanyakij

Assim como a Goimar teve sua redação lida na classe, também tive esse auge na infância. O tema da minha redação foi “Champagne” e lembro-me de ter escrito na redação todas as ocasiões e celebrações da vida em que poderíamos brindar. Lembro também o quanto fiquei admirada de notar minha maturidade na escrita do tema, afinal era uma menina de 11 anos falando sobre celebração à vida apenas pensando numa taça de champanhe. Fiquei impressionada comigo.

Naquela época ainda não sabia, mas aspirante a escritora que sou, creio que o amor pela escrita e contação de história deve ter encontrado em mim a taça perfeita para derramar uma safra de Veuve Clicquot.

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Um dos sonhos de criança era ser jornalista e escritora. Os anos se passaram e guardei esse sonho na gaveta. Cedi à pressão de buscar outras atividades e deixei a paixão de lado. Mas paixão é o que nos move, não?!

E justamente nos momentos que percebia viver minha vida sem paixão é que a paixão pela escrita se fazia presente. Para curar meu coração e dar sentido ao meu dia a dia.

Demorei a perceber que não precisava de aprovação para escrever. Que para atuar profissionalmente como escritora deveria sim me capacitar para tal. Mas quando tentava seguir esse caminho, de estudar, a inspiração sumia. As histórias e a criatividade se escondiam como na brincadeira de esconde-esconde.

Até que um dia assisti uma entrevista de Clarice Lispector. E uma frase que ela disse iluminou algo em mim, à minha maneira, claro. Ela disse: “Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade”.

Hipótese alguma querer me comparar com Clarice, mas as palavras da frase dela ecoaram dentro de mim e trouxeram leveza. Era uma das questões que me incomodavam; achava que só poderia escrever se fosse profissionalmente. Queria escrever e ser livre para brincar com as palavras.

E, ao me permitir escrever por amor, textos foram sendo criados. Histórias foram sendo contadas. Cartas foram sendo escritas. Aulas foram sendo dadas.

Pessoa com caderno apoiado nas pernas, escrevendo nele com caneta.
Pexels/Negative Space

Gosto de imaginar os povos de antigamente, sentados ao redor de fogueiras para ouvir histórias, ouvir conselhos dos mais velhos e experientes. Histórias! Quantas histórias! Creio que seja impossível catalogar…

Hoje temos pessoas comprometidas e dotadas de altruísmo que refinaram com maestria histórias de vida para mostrar o que é essencial na busca por propósitos. São as luzes da fogueira, mestres de sabedoria.

Aos que nos inspiram!

Um brinde ao encantamento! Um brinde aos escritores e aos mediadores de leitura!

Sobre o autor

Cintia Ski Pelissari

Cintia Ski Pelissari

A leitura e a escrita são ferramentas curativas, no sentido em que ampliam horizontes, tanto externos quanto internos. Acredito que podemos alcançar muitos sonhos e projetos quando desbravamos o mundo das palavras.

Reikiana e praticante de meditação há mais de 11 anos, idealizadora do Projeto Pessoas Possíveis, ministra cursos sobre autoconhecimento por meio de atividades de escrita e contação de histórias.

Facilitadora da divulgação da mensagem de gratidão de Brother Steindl-Rast por meio do site www.viveragradecidos.org

Agradecida pelas inúmeras oportunidades que a vida me oferece diariamente para compartilhar amor fraterno.

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