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Por que a empatia é tão importante?

Pessoa segurando um coração vermelho na frente do peito
Esthermoreno / Canva
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Com tantos debates sendo levados para as redes sociais, é possível que você já tenha se deparado com algum texto sobre empatia, afirmando que devemos nos colocar no lugar das outras pessoas para entender a maneira correta de lidar com elas.

Ou então você fez algum comentário ofensivo para alguém e recebeu uma longa lição sobre a importância da empatia, a qual você não teria tido com a pessoa que acabou sendo ofendida. Naquele momento, talvez você tenha se enfurecido por ter errado, mas depois pôde refletir sobre tudo isso.

Em um último caso, você pode ter pedido mais empatia para a situação que estava enfrentando e dito que a empatia na sociedade está em falta. É comum dizermos isso quando uma pessoa falta ao respeito conosco ou quando agem de maneira insensível.

Se esse conceito já apareceu em algum momento na sua vida, é interessante se aprofundar no que ele realmente significa. A seguir, aprenda mais sobre isso e veja como sua vida pode melhorar com uma ajuda importante da empatia!

Qual o significado de empatia?

Mapa da empatia.
Arem Beliaikin / Pexels / Canva

De acordo com o dicionário Oxford Languages, “empatia” pode ser definida de maneiras diferentes. A primeira diz que empatia é a faculdade de compreender emocionalmente um objeto, como uma obra de arte. Ao captar a mensagem que essa produção quis passar, você colocou a sua empatia em ação.

A segunda definição de empatia, segundo a Psicologia, diz que ela é um “processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro”.

Para este artigo, vamos considerar a segunda definição. Quando tentamos entender os comportamentos dos outros com base em nós mesmos, nem sempre somos capazes de chegar a um resultado eficiente. Existem situações que não podem ser explicadas ou compreendidas.

Apesar disso, uma pessoa que pratica empatia é capaz de compreender as atitudes que alguém tomou porque reconhece que ela tem a própria personalidade, mesmo que aja de uma maneira que ela mesma não agiria.

Em outras palavras, empatia é a capacidade de reconhecer que cada pessoa tem uma experiência no mundo e toma as próprias atitudes com base nisso. Logo elas devem ser respeitadas da mesma maneira, sem julgamentos.

Quais são os 3 tipos de empatia?

Jovem segurando as mãos de uma idosa
inewsistock / Getty Images Pro / Canva

Além das definições de empatia, há outro ponto a ser observado. Existem três tipos de empatia, que são: cognitiva, emocional e solidária. A seguir, aprenda a diferença entre elas e veja como se aplicam na sua vida!

A empatia cognitiva se manifesta quando nos tornamos capazes de compreender a visão de mundo de outra pessoa ou quando tentamos comunicar a nossa perspectiva sobre a realidade com palavras que não usamos normalmente, mas que podem ser entendidas por um interlocutor. Assim, uma pessoa que exercita a empatia cognitiva consegue se enturmar em diferentes ambientes, porque entende como aquele grupo de indivíduos pensa e age.

A empatia emocional é mais comum entre pessoas que passaram por uma mesma experiência e, por causa disso, são capazes de entender como o outro se sente sobre algo. Uma compreensão completa de uma experiência de mundo só pode ser compartilhada por quem já a viveu. Por exemplo, você pode entender a emoção de ter um filho desde que você já tenha um.

O último tipo de empatia é a solidária, que pode ser definida como uma junção das duas anteriores e algo a mais. Uma pessoa é capaz de compreender a realidade da outra, de entender os sentimentos dela e sente a necessidade de se mobilizar para auxiliá-la de alguma maneira, dependendo da situação. Se você vê alguém passando por algo que você já passou e sabe que essa pessoa está sofrendo, a empatia solidária te fará querer ajudar esse alguém.

Como saber quando uma pessoa é empática?

Para identificar se uma pessoa é empática, basta observar a maneira como ela trata as outras pessoas, tanto pessoalmente quanto pelas costas – ou mesmo no ambiente digital. Uma pessoa empática não recrimina nem julga os comportamentos de outra de maneira aleatória, porque sabe que cada um age de um jeito sobre cada situação.

Além disso, uma pessoa empática procura auxiliar aqueles que estão passando por uma situação difícil, porque compreende que eles deveriam se sentir melhor. Ela também compartilha das conquistas de quem está ao seu redor, porque sabe o quanto elas são importantes para as outras pessoas, mesmo que não façam diferença para ela.

Duas amigas rindo e conversando
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O último ponto a observar sobre uma pessoa empática é que dificilmente ela será egoísta ou individualista. Por compreender que cada um tem as próprias necessidades e que o mundo não é vivido da mesma maneira por todos, ela evita colocar as opiniões dela sobre a vida dos outros em primeiro lugar.

Por que é importante ter empatia?

De maneira simplificada, é importante ter empatia porque é essa virtude que nos auxilia a viver em sociedade. Como nós poderíamos lutar para que as necessidades de todos fossem atendidas se focássemos apenas as nossas necessidades? Precisamos entender que cada pessoa experiencia o mundo de uma forma e que não há uma maneira certa ou errada de viver.

Graças à empatia, nós nos tornamos capazes de nos sensibilizar com os problemas das outras pessoas, entendemos que o mundo vai muito além do que conhecemos e que é importante respeitar diferentes perspectivas sobre a realidade. Essa virtude é o que faz com que sejamos pessoas mais atentas aos outros, mais respeitosas e mais solícitas.

O que é o mapa da empatia?

O mapa da empatia é algo que tem muita serventia para empresas que desejam se conectar com o próprio público-alvo. É difícil fabricar um produto para pessoas que não conhecemos, não é? Seria melhor se as empresas soubessem com quem estão lidando, quais são as necessidades desses indivíduos e qual é a melhor forma de atendê-los.

Dessa forma, o mapa da empatia é uma ferramenta que tem como objetivo colocar o produtor de algo no lugar de quem consome o que ele faz. Por meio de hipóteses sobre o público-alvo e sobre como ele se comportaria em cada cenário, é possível colocar-se no lugar dele e entender quais mudanças podem ser feitas em um produto.

Representação do Mapa da Empatia
Eu Sem Fronteiras / Canva / Marmalade Moon

Para desenvolver o mapa da empatia, é preciso criar a situação na qual o público-alvo entrará em contato com o produto que foi ou que será produzido. E então formam-se hipóteses sobre essas pessoas, que visualizarão o que está diante delas. O que elas pensam sobre isso? Elas estão sendo representadas? Elas sentem vontade de manter o contato com esse negócio?

Por meio de questionamentos como os que foram mencionados, é possível traçar um perfil mais preciso do público-alvo, que terá sido desenvolvido com um mapa da empatia. É uma ótima estratégia para quem tem um negócio pequeno, para quem deseja fidelizar a clientela e para quem quer ter mais sucesso em um empreendimento já constituído.

Dicas para ser mais empático

Ser mais empático é um processo que não pode ser concluído da noite para o dia. Se você ainda não exerce a empatia no seu cotidiano, é possível que você precise de muito tempo para entender a importância dela para a sua vida e a incorpore aos poucos nas suas atitudes e nos seus pensamentos.

Tendo isso em mente, uma maneira de começar a ser mais empático é ouvir o que as pessoas estão dizendo. Ouvir com atenção, entendendo que elas estão compartilhando a experiência delas sobre o mundo, sem fazer julgamentos sobre o que estão contando. Comece fazendo isso com as pessoas que você conhece há muito tempo, ou que fazem parte do seu círculo social.

Depois de exercitar a sua capacidade de ouvir com atenção outras pessoas, controle o impulso de dizer algo como “você não deveria ter feito isso”. Toda vez que dizemos isso, estamos emitindo uma opinião baseada em quem somos, na nossa personalidade. A outra pessoa não é igual a você, e ela pode agir da maneira que achar mais correta, independentemente da sua opinião.

Uma vez que você for capaz de compreender outras visões de mundo e sabe que cada pessoa é independente, comece a conversar com quem não faz parte do seu círculo social. Conheça outras realidades, saiba como elas se estruturam e ofereça ajuda quando for preciso. Assim você saberá que exerceu todos os tipos de empatia.

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Viver em sociedade e ter uma boa convivência com outras pessoas é essencial, e só por meio da empatia conseguimos fazer isso. Essa virtude nos permite perceber o mundo com novos olhos, entendendo que cada pessoa é única e que o mundo não gira ao nosso redor. Mude a sua vida com pequenas transformações no cotidiano e perceba como será mais simples conversar com outras pessoas!

Livros que ajudam a desenvolver empatia

Há obras literárias que podem fomentar e melhorar a nossa empatia pelas outras pessoas. Experimentar novas histórias por meio de outras narrativas faz com que nos libertemos de estereótipos e cultivemos nossa inteligência emocional — além de nos ensinar a olhar com mais compaixão para aqueles que nos cercam. Veja, a seguir, cinco exemplos de livros para desenvolver empatia:

1. “Why Religion? A Personal Story”— Elaine Pagels

Neste livro repleto de memórias, Elaine Pagels relata suas vivências que mesclam sofrimento, superação e fé. A escritora começou a se culpar após a morte de seu filho, de seis anos de idade, e de seu marido — a partir desses acontecimentos, Pagels precisou desconstruir sua ideia de que tais tragédias foram merecidas por sua família.

A composição do seu livro retrata de forma aberta a luta pela busca das sensações e dos sentidos que são capazes de reerguer uma pessoa — sejam baseados em crenças, na ciência ou em ambos. Ao viver intensamente tantas dores, ela nos mostra que consegue entender a força restauradora de se relacionar e se comunicar com outras pessoas.

2. “Cem Anos de Solidão” — Gabriel García Márquez

Romance que conta com inúmeros personagens de distintas personalidades. O narrador apresenta a vida pessoal e as concepções de cada um. Essa forma de contar uma história possibilita ao leitor o sentimento de empatia, a partir da humanidade e das imperfeições de cada um dos personagens.

É válido ressaltar que esse é um livro atípico: mesmo que você já o tenha lido em algum momento da sua vida, lê-lo novamente fará com que você experimente novos pontos de vista e sinta as novas possibilidades que a narrativa oferece.

3. “At the Bottom of the River” — Jamaica Kincaid

Coleção de contos em um único livro, essa obra literária interliga 10 histórias misturadas em poemas e diálogos. Narrado em primeira pessoa por Kincaid, este livro fala sobre diversos momentos de sua própria vida — especialmente de sua juventude, quando residia nas Índias Ocidentais.

O foco desses contos é o vínculo da autora com sua mãe, diante da sua busca por uma clara identidade. As reflexões poéticas de Kincaid revisitam cenários que incitam os leitores a pensar sobre as atribulações da vida humana, assim como as condições de vida de cada ser humano na Terra.

4. “Persépolis” — Marjane Satrapi

Livro que ilustra uma história por meio de quadrinhos, retratando partes da vida pessoal de Satrapi, que teve que lidar com situações de repressão. O conto relembra memórias de quando a autora crescia no Irã, durante a Revolução Islâmica, onde sofria com os efeitos da ditadura.

Essa obra literária passa aos leitores um ponto de vista singular sobre o ambiente familiar — este que muitas vezes amplifica o sofrimento rotineiro durante a fase de crescimento e amadurecimento. Satrapi ainda deixa evidente, de forma que o leitor possa sentir o que foi sentido na época, como é ser criada em um núcleo repleto de violência.

5. “Moby Dick” — Herman Melville

Extremamente antigo, este livro, publicado no ano de 1851, foi muito criticado pelo público. Mas atualmente se transformou em uma obra aclamada e é considerado um grande romance da literatura.

Com narração em primeira pessoa e escrito em forma de poesia lírica, “Moby Dick” retrata a busca da humanidade pelo significado da vida e da real verdade que nos cerca. O autor ainda menciona histórias sobre a psique humana e se aprofunda nas reflexões diárias que os acontecimentos que algumas situações nos promovem.

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