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Considerações sobre o tempo

Relógio analógico na parede
Ann Nekr / Pexels / Canva
Escrito por Fernanda Colli

Com a revolução tecnológica, em que todos podemos estar em vários lugares ao mesmo tempo, realizar diversas tarefas através de uma tela, falar com pessoas e participar de reuniões internacionais tornou-se algo tão comum que, por um momento, acreditei que seria a solução de conflitos de toda a humanidade.

Nos deparamos com pessoas cada vez mais solitárias, índices de suicídios aumentando, jovens e crianças tristes e sem referências relevantes, homens e mulheres atrás esquecendo-se de seus valores. E foi aí que pude observar o grande diferencial, até maior que o avanço tecnológico das novas gerações, algo divino e absoluto: o tempo.

O tempo passou a ser irrelevante e sem valor. Perdemos tanto tempos nas redes sociais, porém não temos 5 minutos para orar; horas e horas maratonando seriados, mas sem tempo para encontrar alguém ou ajudar um amigo. Vínculos são criados com o tempo e sua intensidade; por isso, a desvalorização dele faz com que as pessoas passem a ter relações tão profundas como um prato raso.

Despertador jogado entre papéis amassados representando "tempo desperdiçado"
whyframestudio / Getty Images / Canva

Somente quando voltarmos a observar o tempo como o senhor absoluto e valorizarmos cada momento – porque, sim, ele é único –, vamos conseguir evoluir não só como seres humanos, mas como sociedade. Isso vale para relacionamentos e problemas.

Quando encontrar um obstáculo grande na vida, respire, encare como uma grande lição e não desanime, pois o tempo também tem o poder de transformar grandes problemas em pequenos problemas, e isso acontece não porque o problema diminui, mas porque o tempo nos oferece a oportunidade de crescimento diante a superação de todos nossos impasses.

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Platão e outros filósofos gregos defenderam que o tempo era ilimitado na direção do passado. Filósofos medievais desafiaram essa noção, apresentando o conceito de finitismo temporal – a ideia de que o tempo teria um passado limitado e, portanto, um começo.

E para você, nobre leitor, acredite: vai passar, você sabe que vai passar. Tudo acontece no tempo dele. Para as pessoas agradecidas, o tempo não permite que nenhuma dor insista por muito tempo. Que todas as dores sejam lições, e as feridas, superadas, assim como os filósofos acreditavam, que seja um recomeço.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Pedagoga, psicopedagoga, arte-educadora, membro da IOV Brasil, pesquisadora sobre a importância da educação e cultura para evolução da sociedade. Trabalhos e artigos publicados sobre a importância da preservação de nossa identidade. Atua em projetos de manutenção e fomento da cultura popular.

Email: fernanda_colli@msn.com