Autoconhecimento

Perguntas para você refletir e intencionar sobre o ciclo que se inicia

Perguntas são uma maneira mais fácil, pessoal e efetiva de refletir sobre as coisas. É efetiva porque cada um dá a resposta que serve para si, considerando a realidade em que vive, sua criação, suas crenças e possibilidades.

Algumas razões pelas quais é importante refletir sobre o ciclo que se inicia (seja ele ano ou período de sete anos, por exemplo):

1) Para a antroposofia, a partir dos 35 anos a gente muda da fase do “ter” para a do “ser”, ou da fase do “receber” para a de “dar”, devolvendo um pouco daquilo que recebeu. Para colocar a mente (e o coração!) neste novo estado, é legal termos consciência disso e intencionar.

2) A partir dos 35, a gente só é impulsionado por dentro, ou seja, só aquilo que achamos relevante é que nos move. Também transformamos crítica externa em autocrítica.

Para termos claro o que queremos neste novo ciclo, seguem algumas reflexões possíveis:

“Com o que me preocupo e o que essa preocupação vale pra mim?”

Esta pergunta do autor Rick Jarow, tirada do livro “Criando o Trabalho que Você Ama”, é para que você reflita sobre os seus valores — critérios que vão te ajudar a tomar as decisões mais importantes na vida, como segurança, liberdade, honestidade e generosidade. São os seus pilares.

Se segurança está no topo da sua lista de preocupações, então você pode usar como um norte nas suas decisões.

Porém, neste início de ano, sugiro que você reveja a sua lista de valores e pense no que realmente é importante pra você: não o que foi, mas o que é agora, neste momento, considerando quem você é hoje. Há várias listas de valores na internet que você pode usar. Comece escolhendo dez, depois reduza para cinco e então para três, então cheque de vez em quando se ainda continuam os mesmos.

Pessoa de costas perto de um lago.
Soroush Karimi / Unsplash

“Quem são os deuses e deusas em cujo altar você sacrifica seu tempo e energia?”

Esta pergunta, também de Rick Jarow, é para você refletir sobre como tem usado seu tempo. É um complemento da pergunta anterior.

Se você diz que “não tem tempo” para algo, significa que provavelmente escolheu colocar o seu tempo em outra coisa. Que coisa foi esta? O deus da N3tflix? O deus do Wh4ts4pp?

“Sua escolha foi consciente?”

A gente gosta de se enganar dizendo que ficou ocupada o dia inteiro, mas muito do tempo que poderíamos dedicar a algo importante (um projeto novo, um sonho, mais tempo com seus pais, com seus filhos) é desperdiçado sem termos consciência de onde.

“Se seu dia não a faz sentir que está alimentando a alma – tanto a sua como a do mundo – então é hora de agir.”

“O QUE VOCÊ QUER? O QUE VOCÊ REALMENTE QUER?”

Esta reflexão de um artigo da Rosana Braga foi muito importante na minha vida. Lembro-me de ter lido essas linhas escritas assim, com letras maiúsculas, e sentindo um frio na barriga! MEDO. Medo de conseguir o que eu queria. Medo até de pedir.

No artigo, ela propunha que pegássemos um papel e escrevêssemos o que queríamos, mas sem filtros. Não foi fácil. Eu peguei aquele papel várias vezes e não conseguia escrever. Como eu podia escrever que queria casar? (“Em 2013?? É esse o seu alvo na vida?”). Que queria dinheiro? (“Mas você está estudando Filosofia! Depois de tudo isso, o que você quer é dinheiro?”). Mas quando eu finalmente consegui escrever, alinhei sentimento e vontade e fui direcionada para o que desejava.

Homem sentado numa pedra.
Jon Asato / Unsplash

“O que você faria se tivesse um milhão de dólares?”

Li esta pergunta num meme na internet. Apesar de eu ter rido muito com os comentários, uma coisa ficou clara: é impressionante como as pessoas a) não têm a menor ideia do que querem; b) não sabem o que fazer quando surge uma oportunidade. A gente quer, mas não quer de verdade.

Te convido, novamente, a começar a alinhar seu sentimento com a vontade, pensando: se tivesse um milhão, onde acordaria? Com quem estaria? O que comeria? A quem ajudaria? Ainda trabalharia? Que sonho viveria?

“Quem sou eu?”

Esta é a pergunta base da autoinvestigação, segundo Ramana Maharishi.

Você pode fazer diretamente ou usar algumas variantes: por exemplo, se você tem um problema, você é a fonte dele — tanto que chama de “meu problema”. Então “quem tem um problema?”. Se você tem uma dúvida: “para quem surgiu a dúvida?”. A ideia é olhar diretamente para o ego, até ele parar de se esconder e se dissolver. Quanto menos ego, mais perto da sua essência você estará.

Outro exemplo: quando você estiver sentindo raiva ou qualquer outra coisa, pergunte: “Quem está com raiva?”. Silencie um minuto para ouvir a resposta. Pode ser que quem esteja com raiva seja sua criança de dez anos ou a pessoa que foi abandonada pelo último parceiro, então a sua raiva, que parece algo do presente, não tem nada a ver com o momento atual.

“Quem sou eu sem o controle?”

Aprendi esta pergunta com o meu quiroprata. Você pode trocar por: “Quem sou eu sem o medo ou a raiva?” etc.

Acho que isso faz a gente pensar que parte de nós se apegou tanto a um papel que se confundiu com quem pensamos que somos.

“Talvez esse papel tenha sido necessário por um tempo, em alguma fase da sua vida, mas ainda faz sentido agora? Está te fazendo bem ser assim?”

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Uma outra versão desta pergunta é: “Que parte de mim precisa do drama (ou controle, escassez) para viver”?

“Qual é o principal uso da minha inteligência?”

Aprendi esta nos estudos d’Olugar . Achei que é uma alternativa muito mais sábia para a ideia de propósito ou missão, porque essa pergunta é fluída. O uso da sua inteligência hoje pode não ser o mesmo amanhã, e você pode sempre checar se ainda está te dando alegria.

“Que característica minha me faz feliz?”

Também pode ser usada como guia para as escolhas, como os valores acima. Aprendi n’Olugar.

Se você gosta de compartilhar conhecimento, por que não usar mais disso neste ano? Por que não fazer disso um critério para o que você vai dizer “sim” a partir de agora?

“Qual é a minha aptidão no novo mundo? Como posso ser útil? Como posso servir com alegria?”

Essas são versões de uma mesma reflexão, com a intenção de olhar para o “dar” e “ser” no sentido mais prático.

Missão e servir não devem ser pesados: devem fazer o coração de quem recebe se encher de alegria, mas também fazer o mesmo com o daquele que dá.

Tenho percebido que o contribuir (prefiro esta palavra ao “servir) está nas coisas simples: pode ser traduzir uma palavra para alguém que não está familiarizado com um idioma, pode ser ter boa vontade com alguém que está tendo um dia ruim, pode ser levar uma sopa para uma pessoa doente (o que uma amiga fez para mim hoje).

Que o seu novo ciclo seja leve e lindo!

Sobre o autor

Dulcineia Santos

Dulcinéia Santos é consultora de desenvolvimento para a maturidade, praticante certificada da ferramenta MBTI® de tipos psicológicos e coach. É também autora do livro “A Namorada do Dom”, em que conta as lições que aprendeu nos relacionamentos e na sua jornada até a Suíça.

Acredita que a vida é cheia de lições e que se não as aprendemos não passamos pro próximo nível do jogo. Saiu de casa cedo e foi morar no mundo – agora está na Suíça, onde estudou antroposofia por três anos. Gosta de tomar cerveja no boteco enquanto papeia, de aconselhar, da língua portuguesa, de cozinhar, de ficar só e de flexibilidade de horários. É esotérica, mas acha que estamos encarnados para viver as experiências terrenas com o pé no chão – de preferência dançando.

Formações:

Bacharel em línguas aplicadas

Brain Based Coaching Certification
NeuroLeadership Group – Londres

MBTI® – Myers-Briggs Type Indicator – Step I and Step II
Myers-Briggs Foundation – Florida, USA

Antroposofia
Goetheanum – Dornach, Suíça

Terapia Multidimensional
Genebra – Suíça

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