Convivendo

Deixar uma herança ou deixar um legado

Homem apoiado na parede
Renan Lima/Pexels
Fernanda Colli
Escrito por Fernanda Colli

É fato que durante a nossa vida traçamos metas (que nem sempre seguimos), porém, a essência de toda nossa vivência se resume na estrutura como todas as histórias são compostas: início, meio e fim. Pode ser clichê, mas a única estrutura igualitária de todo ser humano é esta, e não há nada que mude isso. Considerando essa informação, você já parou para pensar no que vai ficar de você quando morrer?

Nossa corrida pelo dinheiro, horas e horas de trabalho, muitas vezes chegamos à exaustão, deixamos de realizar nossos sonhos, abrimos mão dos momentos em família, já não dispomos de tempo para ficar com nossas crianças…

A você, caro leitor, lanço a seguinte reflexão: deixar uma herança ou deixar um legado?

Quando falamos em herança, a mesma em seu sentido denotativo consiste em bens materiais, com partilha garantida em Legislação pertinente, onde a mesma é feita por cabeça, de acordo com as pessoas aptas a herdar (filhos, cônjuge, etc.). Abrange tudo o que você poupou durante toda sua vida e que agora, com sua morte, vão dividir a quem tiver direito perante a Legislação em vigor. E pronto, está distribuída sua distribuição.

Mulher sentada em uma montanha olhando para o horizonte
Arthur Brognoli/Pexels

Quando falamos em legado, nos referimos àquilo que construímos durante a vida, e que, mesmo quando não estivermos mais neste mundo, vai continuar falando por nós.

Para que a gente tenha a profundidade desta construção, vamos fazer um breve exercício mental. Feche os olhos. Imagine, agora, que você, por qualquer motivo, morreu mas continua assistindo a vida aqui na Terra e a primeira coisa que você pode participar é de seu funeral. Você consegue imaginar a reação de cada um dos familiares e amigos? O que você acha que eles estão dizendo? Que você foi uma pessoa legal? Que cumpria o que prometia? Que foi um bom amigo ou amiga, chefe, funcionário(a), parceiro(a)? Que estava sempre disposto a ajudar? Seus familiares, do que lembram? Dos passeios e experiências que vocês tiveram? Ou das promessas não cumpridas?

Perceberam o quanto nossa passagem aqui é algo muito mais significativo do que uma busca exacerbada pela construção ou reserva de bens materiais?

Todas as questões acima terão suas respostas embasadas no legado que você deixar. Porque o legado é aquilo que, mesmo quando não estivermos mais neste mundo, vai continuar falando por nós.

A maioria das pessoas não reflete sobre isso, e acaba não deixando nada para ser lembrado. Vivem uma vida sem propósito e, na maioria das vezes, essas pessoas não encontraram um sentido por trás de suas atitudes e sua vida. Só podemos deixar um legado positivo e relevante quando descobrimos nosso propósito, traçamos um caminho até ele e o seguimos.

Mulher sentada em uma praia segurando um copo e olhando para frente
Engin Akyurt/Pexels

Ter um legado e um propósito é imprescindível para que tenhamos sabedoria e energia suficiente para superarmos as adversidades e obstáculos da vida, e consequentemente termos sucesso em nossos relacionamentos, nossos negócios e em nossa vida. Promover um legado positivo no final da sua trajetória é aquilo que vai te motivar a inovar, a perceber soluções que ninguém mais vê.

Portanto, se você quer inovar, antes pense no legado que quer deixar. Caso ainda não saiba, comece identificando seu propósito. Pense pelo o que você quer ser lembrado. Você pode, inclusive, se inspirar nas personalidades ou em outras pessoas que admira. Quais conquistas você deseja? O que te inspira a ser uma pessoa melhor, a ser mais humano, a ajudar quem precisa?

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Não tenha medo de se descobrir, vá à luta, escolha um caminho que te inspire e mude se achar necessário. Vá a pé, vai na fé, vai do jeito que der! Mas vai! Porque, se você trilhar caminho, você deixará por aqui seu legado.

Mas antes de todo esse planejamento você precisa ter em mente o que quer deixar por aqui: um legado ou uma herança?

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli

Pedagoga, psicopedagoga, arte-educadora, membro da IOV Brasil, pesquisadora sobre a importância da educação e cultura para evolução da sociedade. Trabalhos e artigos publicados sobre a importância da preservação de nossa identidade. Atua em projetos de manutenção e fomento da cultura popular.

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