Convivendo Educação

Educação? Não

Garoto com mochila e livros com ilustração de escada e diploma na frente
Gabriel Ribeiro
Escrito por Gabriel Ribeiro
A Lei de Diretrizes e Bases Nacional da Educação é bem clara ao definir os termos continuidade e qualidade da educação ao ser ofertada no Brasil. Com efeito, a sua própria estrutura já configura os estabelecimentos de ensino público e privado como também influenciadores do mercado. Não por isso, nas últimas semanas, diversos debates envolvendo educação, universalização, pesquisa e corte de gastos foram tema de manchetes dos principais jornais do país.

Por muitos anos, o Brasil foi refém de uma educação modelar e passiva, que representava o modelo de fábrica e as vontades dos grandes centralizadores de renda do país. A dificuldade no acompanhamento dos países da Europa na pesquisa e na extensão universitária fez com que o Brasil fosse estimulado a elaborar novas estratégias que envolvessem a oferta de educação de qualidade e que servisse para formular um novo núcleo científico em nosso país, já que nossos habitantes ricos e seletos preferiam cursar direito e medicina na Europa.

Garota sentada no chão de biblioteca

A questão é que, depois de anos de tentativas e indisciplinas, o Brasil começou a trilhar um caminho virtuoso e extremamente sólido na qualificação da educação e da ciência do país. Nesse sentido, o processo de alto investimento na universalização do Brasil começou a instigar novos olhares e novas esperanças para aqueles carentes de oportunidades. Após tantas tentativas e tantos investimentos, a educação pública no Brasil, sobretudo as universidades e institutos federais começam a brilhar em capas estrangeiras e listas condecoradas de língua inglesa de rankings e pesquisas científicas internacionais. De maneira empolgante, nascia (talvez) um Brasil novo e cheio de garantias e dignidade.

Com tamanha felicidade e orgulho, estamos, em 2019, analisando e sofrendo cortes em uma área que muito demorou para se efetivar. Talvez estejamos sendo driblados por uma estratégia de governo muito mais interessada em cortar ideologias contrárias a manter em pé o que funciona. Sim, funciona, a pesquisa no Brasil é um fator a se orgulhar, já que a esmagadora maioria das produções científicas do Brasil vem de instituições públicas que não demoram para mostrar resultado, o que o faz desde o seu gênesis. Talvez estejamos errados, todo mundo pode estar, mas ao defender aquilo que vivemos defendemos aquilo que conhecemos e o fazemos muito bem.

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Há de se verificar que os reajustes no orçamento da educação não é coisa nova, pelo contrário! É, na verdade, um desafio que os estabelecimentos de ensino vêm sofrendo ano após ano. O que é novo é a tentativa de parar o que produzem, o que é estruturalmente saudável diante uma sociedade sossegada, acomodada e inconsequente. Diante disso, devemos ainda ouvir a tese da doutrinação e das ideologias pregadas dentro de universidades e escolas – como se, já desde o nascimento, as crianças não fossem expostas a comportamentos e ideais não muito coletivos nem mesmo descobertos, mas revelados.

A verdade é que a educação pode não ter valor, pode não ter medida, não fala por si só nem mesmo devolve a curto prazo milhões de investimentos. A educação não é ditadora, ela é formadora. Não é armada, não é rica, não é triste, não é imparcial. A educação mostra verdades, a pesquisa a comprova e o povo aprende. Mas se o povo aprende, o povo pensa. E povos pensantes existem. E, ao existir, abrimos a boca para denunciar tudo o que é ruim, inclusive limitar a educação.

Sobre o autor

Gabriel Ribeiro

Gabriel Ribeiro

Intercambista Cultural em Santiago, no Chile. Delegado e Mentor do Programa ImpactaJovem Brasil. Coordenador Local Sênior do Programa Internacional Students For Liberty. Foi pesquisador do CNPq das áreas de educação e mídias. Foi voluntário em programas de desenvolvimento pessoal e preservação do meio ambiente desde os dez anos. Participou de Programas de Intervenção Pedagógica para Alfabetização e Letramento, das superintendências de ensino do Estado de Minas Gerais. Tem a educação como instrumento fundamental no desenvolvimento humano, tendo o trabalho voluntário e o protagonismo jovem como recursos secundários no combate às desigualdades, aos preconceitos e qualquer atentado contra a pessoa humana.

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