Convivendo

Feliz o dia da sua criança interior

Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo

Que saudade da minha infância. Dos meus primeiros meses de vida. De quando balbuciei as primeiras palavrinhas. Engatinhei com dificuldade. Aprontei pela casa dos meus pais, avós e tios. Escondia-me nas cobertas da minha avó e brincava de esconde-esconde na hora em que ela dormiria. Das zoeiras que fazia com os meus vizinhos. De quando eu tinha quatro anos de idade e o meu pai desenhava nos meus caderninhos – além de assistir desenhos comigo. Eu passava horas brincando de bicicleta no parquinho aqui do lado. Quando mamãe brincava de contar historinhas para mim antes de eu dormir. Eu brincava no quarto e imaginava diferentes amigos imaginários. Irritava as minhas irmãs – e de quando brincávamos e passeávamos em família. Eu acordava cedinho durante a semana, esperava as minhas irmãs irem para a escola e ficava assistindo desenho. Abria a porta e sentia a luz do sol. Dançava seguindo os ritmos dos pingos da chuva. Pisava no chão e sentia-me forte. Enxergava somente a inocência das pessoas. Olhava o céu por horas antes de dormir. Não tinha preocupações com nada – além do brincar. Dormia à tarde. Espalhava brinquedos pela casa. Bagunçava os cômodos – e trocava tudo de lugar no quarto. Quando. Tudo parecia ser tão mais fácil e a palavra obstáculo não existia – para uma criança sonhadora.

É tão clichê dizer que as crianças têm tanto a aprender com os adultos, mas ninguém menciona que, na verdade, somos nós quem temos que aprender com esses pequenos seres de luz.  Fico fascinada com a naturalidade que as crianças têm – sem se importar com os outros. É engraçado como o tempo passa e a gente esquece que existe uma criança aqui dentro de nós – e que precisa de acolhimento tanto como qualquer outra.

É tão perceptível que ainda somos crianças – e temos tanto a aprender. Dia desses, parei para analisar como seria a minha vida hoje se eu não tivesse persistido lá no início – nas fases em que comecei a ter dificuldades ao balbuciar, engatinhar, brincar etc. e quanta bagagem eu perderia se tivesse desistido logo de cara. Percebi o quanto já fui influenciada socialmente ao ponto de ter machucado e camuflado essa parte tão pura que existe aqui dentro de mim – não existindo mais aquela criança tão sonhadora.

Hoje, já adulta, e após tanta bagagem de experiência, eu me questiono: onde é que está essa criança interior? E a resposta me parece tão óbvia que decidi vir compartilhar alguns tópicos essenciais para entrar em contato com essa parte tão pura e linda que existe dentro de nós.

Family of four having fun at the beach

Estar presente é o primeiro passo – e é tão notório. Crianças só se preocupam com o presente. Elas não ficam remoendo e revivendo o passado e muito menos são ansiosas com o futuro. Muito diferentemente de nós, adultos, que ficamos estacionados no presente – cheios de preocupações com o que já passou ou o que está por vir. Quando foi a última vez que você aproveitou as pequenas coisas da vida como, por exemplo: a comida gostosa feita por alguém de que gosta? Ler um trecho do livro de que mais gosta? Sentir a brisa do vento no rosto? Mantenha o foco no presente e poupe preocupações desnecessárias.

Não enxergar dificuldades – e sempre acreditar ser possível realizar seus sonhos. Limite é uma palavra desconhecida quando se trata dos pequeninos. É fascinante como as crianças não sentem medo de tentar, explorar e experimentar algo novo. Nem de errar, pois sabem tirar proveito desse aprendizado. Diferentemente de nós, adultos, que temos medo do desconhecido e de sairmos da nossa zona de conforto.

Não culpar o outro – embora seja sempre mais fácil culpar o outro do que enxergarmos que a realidade é causada por nós mesmos. Crianças têm sua luz própria e não ficam criando expectativas alheias.

Questionar sempre – e sem medos. Você se lembra de quando foi a última vez que se questionou sobre algo? Crianças adoram perguntar e não se importam com o que vão pensar. Diferente de nós, adultos, que temos medo de determinadas respostas – e, se duvidar, de perguntas.

Usar a imaginação – a seu favor. Crianças estão sempre usando a imaginação em todos os momentos – seja em um desenho, brincando com argila, areia ou o que for. Não importa qual seja a sua faixa etária, sempre vá à busca daquilo de que você gosta e acredita ter potencial para tal. Explore e use toda a imaginação ao seu favor. 

Vá em busca daquilo que te faz feliz e esteja sempre conectado com a criança que existe em você. 

“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso.”

Antoine de Saint-Exupery

Com carinho! Um beijo no coração e feliz dia das crianças.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

Extremamente curiosa por entre os quatro cantos do mundo – e viciada em chás. Minimalista e tentando viver uma vida perto do zero-lixo. Vegana e ativista voluntária da Mercy of Animals. Fascinada pela África e sonhadora em morar nesse país fabuloso e cheio de ensinamentos fundamentais a nossa cíclica vida. Palmeirense. Budista. TILSP e apaixonadíssima pela Cultura Surda <3. Conversadeira sobre diferentes possíveis e até impossíveis assuntos – dentre outras coisas mais, é custoso classificar quem eu sou – sendo que eu sou o todo que me cerca – outro você que é outro eu e juntos, nós somos UM. Eu poderia começar partilhando que foi inicialmente e com base na minha experiência como acadêmica na Faculdade de Medicina – com a esperança de trabalhar com o ser humano e as suas limitações, que eu despertei para um lado ao qual eu não fazia a menor ideia de que existia dentro de mim e de que eu também poderia usufruir desse lado despertando em outras pessoas o sentimento de sempre brilharmos como o sol, mesmo nos momentos mais inoportunos da nossa cíclica vida.

Digo sempre que nós somos semelhantes ao sol, assim como há dias nublados e ensolarados – como for – os nossos dias, são como a nossa cíclica vida, que também brilha, e isso independe do momento que passemos. Continuemos a brilhar, independente desses nossos momentos, difíceis e necessários para a nossa evolução, ou não tão difíceis, a nossa vida brilhará sempre. Cabe somente a nós, decidirmos brilhar ou sombrear. Despertarmos e incentivarmos o mesmo ao nosso próximo ou nos enclausuramos e perdemos a grandiosa oportunidade de ser como o radiante e brilhante sol. Meu designo aqui no Portal EuSemFronteiras é exatamente compartilhar as minhas experiências, junto a cada leitor e leitora, e em troca do nosso entrosamento, brilharmos e despertarmos uns nos outros, o nosso saudoso e caloroso sol. Ressoando todo o nosso conhecimento e transformando a nossa revolução humana com base nos nossos dias ensolarados e nublados, sem perdermos a esperança.

Meu propósito é trazer sempre em pauta a primordialidade de enxergarmos além do que nos é visível aos olhos - e como a minha mãe sempre comenta, é através do meu brincar com as palavras, que eu tenho total gratidão em estar aqui e em semear em cada pessoa que me acompanha a sementinha de ter total empatia e perceber a essência no coração do nosso próximo. Elevando não só o meu, mas todo o nosso estado de vida e tomando extremo cuidado para não nos perdermos nos detalhes – sendo honestamente sincero conosco mesmos com base no nosso próprio coração e em busca da transformação do despertar de cada um que nos torna UM.

Que a nossa esperança em brilhar em todas as adversidades da nossa vida cíclica nunca se perca em meio as nossas peregrinações na sociedade.

Com todo o meu coração e toda a minha gratidão, em especial, aos meus pais que me permitiram chegar aqui e a minha família que sempre me apoia;

A cada um que me acompanha aqui e ao pessoal que faz parte do portal do EuSemFroteiras.

Um saudoso e caloroso abraço em cada um, que possamos emanar ensolaradas felicidades uns aos outros, sempre.

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