Psicologia

Inconsciente, Herói ou Vilão?

Muitos acreditam que o Inconsciente é uma invenção ou descoberta de Freud, mas ambas colocações estão equivocadas, pois o que o grande pai da Psicanálise fez foi encontrar uma forma de revelar o conteúdo que está no inconsciente.

Freud bebeu muito da fonte de Schopenhauer quando se trata da sua trajetória enquanto pensador e estudante das formas de como o Ser humano agia diante de diversas situações. Um exemplo seria o que Schopenhauer chamava de Vontade (desejo), que Freud chamou de Libido e assim houve uma integração das ideias.

Uma efígie de Schoppenhauer.
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O que está no inconsciente é o que desejamos, logo Freud desenvolve uma forma de acessar esse desejo na íntegra, e não só através de cortinas de fumaça. Para isso, era necessária uma análise, falar e se perceber em todas as faces possíveis e necessárias.

Esse desejo se revela de várias formas que, se estivermos atentos, conseguimos identificar, entre elas, sonhos, toques, atos falhos, repetições impulsivas, autossabotagem…

Um exemplo de como o inconsciente age de maneira sutil, principalmente se tratando sobre Autossabotagem, é aquele e-mail errado, a falta de memória, a preguiça. Tudo isso parece e é subjetivo, mas se, em análise, falar sobre essas questões, provavelmente vai descobrir que existe um motivo do qual a sensação de nada dar certo, ou uma barreira entre você e suas realizações, parte de ações inconscientes para te privar de algo.

“O inconsciente é um conjunto de efeitos e hipóteses que se reaplicam a esses efeitos” — Dunker.

O inconsciente não se trata de crença, não é uma questão sobre “será que devo acreditar que ele existe”?

Ele é uma constatação psíquica, e como já vimos, se manifesta, se torna real na mesma medida que o enxergamos tanto quanto o ignoramos, não tem como fugir.

Grosso modo, a nossa estrutura psíquica é constituída entre o lugar e conteúdo, segundo Freud, sendo assim:

  • 1° Tópica (topográfica)
  • Inconsciente
  • Pré-consciente
  • Consciente
  • 2° Tópica (Estrutural)
  • Id
  • Ego
  • Superego

Dessa forma, não podemos pôr a culpa 100% no inconsciente, afinal, ele faz parte de nós, então usá-lo como muleta seria um erro. Vemos sendo feito, com frequência, frases como:

“Eu não estava consciente”

Uma mulher tapando os olhos.
Odua Images / Canva

“Ele está fora de si”

Essas colocações poderiam ser levadas a sério, caso houvesse alguma patologia grave envolvida. Caso contrário, o vilão somos nós mesmos; o inconsciente é mutável, logo, nós com ele.

Freud, em um de seus trabalhos, “Além do princípio do prazer”, deixa uma chave importante, que é a possibilidade de existir prazer na dor, pelo menos enquanto falamos dela. No caso, ao conversar com soldados, ele imaginava que estes não iriam querer falar sobre os traumas da guerra, porém, alguns, o surpreenderam só falando sobre eles, e não conseguindo falar de outro assunto.

Freud então entendeu que havia tanta dor reprimida naquela mente, que a única saída era falar sobre isso sem indução para que o próprio paciente pudesse seguir e se “curar”. Pensando em nós e cada um na sua realidade, isso faz todo sentido, pois uma análise bem-feita é aquela que tem entrega e disposição tanto para os traumas como para as conquistas.

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O inconsciente está lá, está aqui, e vai continuar estando por todo o tempo. O que precisamos é nos aliar a ele, pois também tem o papel de nos proteger — talvez não como gostaríamos, mas isso, em análise, você consegue dar um novo significado; essa é chance real.

“Enquanto você não se tornar consciente, o inconsciente vai te dominar e você vai chamá-lo de destino” — Jung.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 26 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria, e professor no Instituto Paulista de Psicanálise.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo, dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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