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Maternidade: o paraíso não é tão real assim!

bebê recém-nascido segurando a mão da mãe
Ana Cerqueira
Escrito por Ana Cerqueira
Olá amigos, estou de volta! Depois de um longo período cuidando da minha pequena princesa Manuela, agora as coisas voltam a se acalmar. Estava morrendo de saudades de escrever, não sei se ainda vou conseguir manter a frequência que tinha antes, mas vamos lá!

Queria agradecer a todos por continuarem por aqui e pelo apoio e incentivo de sempre!

Hoje vou falar sobre um tema especial e que não poderia ser diferente: Maternidade.

Tenho percebido tanto no consultório quanto fora dele que começa a existir uma quebra da idealização do “ser mãe” e “ser pai”, e acredito que é um pequeno começo, mas é um grande passo neste caminho.

Mulher branca jovem sentada em uma poltrona demonstrando cansaço enquanto segura um bebê recém nascido.

Hoje vou focar mais na mãe, mas logo vou postar um texto sobre o “ser pai”, também.

O “padecer no paraíso” não é tão real assim. No início, em geral, não existe paraíso nenhum.
 As mudanças na rotina são extremamente trabalhosas, o corpo fica cansado, noites de sono, noites solitárias com o bebê, choro, o não saber o que fazer. Muitas vezes as mulheres se sentem frustradas por não sentir aquele tão falado amor que é incondicional e transborda no peito. Em algumas bate o arrependimento momentâneo, o sentimento de que não vai dar conta, o medo de algo acontecer ao bebê, até outras que, em casos mais graves, chegam a uma depressão pós-parto, que pode ser leve ou levar a uma completa rejeição do filho.

Diversas mães têm dificuldades para amamentar, em umas o leite não é o suficiente e a criança chora, em outras, o leite vem em grande quantidade e a mãe vive com dores. Por não sentirem aquela sensação “maravilhosa” de ser a coisa mais linda do mundo amamentar, podem ter um grande aumento nas frustrações, culpas e medos. Ter alguém completamente dependente de você assusta, às vezes até demais.

Além das questões físicas, as questões psicológicas afetam demais a saúde da mãe, na grande maioria das vezes por conta de cobranças internas e externas (família, sociedade, igreja), no que diz respeito ao ter que sentir, ter que ser perfeita, ter que pensar e viver em função apenas do bebê… e muita culpa por não conseguir atender a tudo isso.

E as mudanças não param por ai, o casamento por um tempo não é mais o mesmo, a mãe precisa estar mais focada no bebê, que é completamente dependente dela e além de tudo, grande parte das mães ainda querem abraçar o mundo. Querem cuidar do filho, da casa, do marido, da família… e não cuidam de si. Acabam não dividindo as tarefas, sobrecarregam a si mesmas, acham que são heroínas, e sofrem caladas e muitas vezes sozinhas. É muito importante ter sempre ao lado alguém que não a julgue, e é sempre bom ter um terapeuta para apoiar!

Jovem mulher negra segurando bebê no colo enquanto um homem negro a abraça por trás .

Há casos em que as coisas começam a se acalmar, o bebê começa a interagir com um sorriso, aquelas mudanças simples e que são aplaudidas de pé por todos, fazendo com que a mãe não se sinta mais tão sozinha, despertando para o amor por aquele ser. Há casos que não são bem assim, e que o amor pretendido nunca será realizado, e isso pode machucar gravemente esta mãe, que provavelmente precisará de uma ajuda profissional.

O que quero colocar com tudo isso é que a maternidade é muito de cada um, e que claro, há casos em que a mãe não sinta nada disso, mas é algo que estou ouvindo muito ultimamente.
 É preciso quebrar de uma vez por todas as idealizações que foram e são geradas no que diz respeito à maternidade. Ter filho é trabalhoso e é preocupação para a vida toda. A vida nunca mais será a mesma, não tem jeito. É preciso escolher ter filhos com o objetivo de educá-los e guia-los no amor para que eles possam enfrentar a vida e voar, e não porque a família quer, porque a igreja quer, porque a sociedade diz que TEM que ser, NÃO, você não TEM QUE nada. A única coisa que você tem que é se amar e amar ao seu próximo. Faça as escolhas de acordo com o que você acha que é o certo, pois no fim, é você quem vai assumir os frutos ou consequências delas.

Eu escolhi ter, não foi nada fácil, a vida virou de cabeça para baixo, sofri, chorei, em alguns momentos achei que não iria conseguir. Hoje posso dizer que tenho o maior amor do mundo pela minha filha, que ela é um presente divino em nossas vidas, e peço a Deus todos os dias sabedoria para ser uma pessoa melhor, e poder ajudá-la a trilhar um caminho de luz e amor. Tive muito trabalho para chegar até aqui e ainda estou tendo. Para mim, valeu a pena tudo, mas essa sou eu, não é o mesmo pra todo mundo.

Mulher branca jovem segurando um bebê recém nascido logo após de dar a luz.

Portanto, antes de decidir ter filho, pense bem no que te leva a tomar a decisão, e não se culpe se sentir que não quer, siga o seu coração. O amor de mãe e de pai não precisa ser sentido e entregue apenas nessa relação, ele pode ser distribuído de mil e uma formas para tanta gente que precisa de um colo para conversar, de alguém para brincar ou de um carinho para dormir.

Um grande beijo no coração amigos e até a próxima!


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Sobre o autor

Ana Cerqueira

Ana Cerqueira

Sou Psicanalista Clínico, com especialização em Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente. Tenho graduação em Publicidade e pós-graduação em Comunicação Digital. Sou Autora do Blog “Amor pela Psicanálise”.

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