“Recordar a infância é refletir quem em nós se perdeu e o que ficou daquela criança.”
Sensações e sentimentos, memórias acompanhadas de cheiros, sabores, gente, amores.
Olá, amigo leitor do Portal Eu Sem Fronteiras. Neste artigo, você será levado ao local de onde você parou.
Você, com seus amigos de infância, naquela época em que suas brincadeiras eram uma forma de persona de si, quando você vivia com seu portão sendo frequentado e seu nome gritado por amigos que só queriam simplesmente sua companhia para brincar. Em dias de chuvas, talvez você se lembre daquele dia em que tomou banho na chuva, brincando e feliz, simplesmente feliz, você dizia sem falar “Tomara que isso nunca acabe…”
Seu portão vivia cheio de amigos e, ao se encontrar com eles, muitas imaginações criativas se uniam para criar uma boa brincadeira.
Você se lembra do nome do seu coleguinha de infância que mais viveu com você?
O que agora sua memória te trouxe?
Tente lembrar e refletir sobre alguns cenários da época!
Qual foi o dia inesquecível da sua infância?
Seu portão vivia cheio de amigos te chamando para a rua, logo as ruas viviam cheias de inocência em uma atmosfera de alegria, um mundo mágico que você talvez não quisesse que acabasse nunca. É óbvio que você não tem contato hoje com a maioria dos seus amigos de infância, apenas com colegas de trabalho e conhecidos da idade adulta.
Reflita: “Você tem hoje contato com 10 amigos de infância que você trouxe para a vida adulta?”
Você visita ou conversa com eles hoje em dia de forma mais próxima ou só dá um oi quando vê e nada mais?
O mundo mudou, gerações novas, tecnologia avançada, menos afeto, mais narcisismo e pouca convivência. Onde é que você se perdeu daquela criança dentro de você? Ah, seu portão…
Quero ver seus olhos brilharem como ocorreu na sua infância ao lidar com coisas simples, onde damos o nome de viver a vida plena como ela é. Estamos morrendo e perdendo nossa essência por causa do dinheiro e dos compromissos.
Mas vale a reflexão: “Para quê tudo isso se a felicidade está na simplicidade?”
Seu portão está em silêncio!
Ninguém grita seu nome dizendo a frase:
“….. Vamos brincar na rua.
…… Chega aqui pra te mostrar uma coisa.
….. Vem logo, estamos te esperando.”
Seu portão está vazio! Na sua infância, será mesmo que é necessário matar aquela criança que você foi? Ame-se!
A vida é uma diversão, onde cores e sons tentam mostrar a realidade que de fato não é a verdadeira realidade, quiçá a vida deve ser levada tão a sério ao ponto de se anular em virtude de poder e status. Ser você mesma, ter personalidade e um espírito livre como uma criança.
Lembra daquele tempo entre seus 5 anos e 12 anos? Vá, faça um esforço agora e anote em um papel o nome de 25 amigos de infância que viviam no seu portão entre essas idades citadas acima.
Após anotar, confira se você tem o contato de telefone de cada um deles e, se não tem, encontre-os nas redes sociais e agende um café com todos no mesmo dia para celebrar a infância. Se você conseguir, em 30 dias, juntar 25 amigos da sua infância em uma reunião de confraternização, seu espírito terá tanta leveza e paz que você nem imagina. Nesse encontro, não fale de trabalho, apenas curta e recorde da vida que compartilharam na infância e só depois falem de vocês na vida adulta. Esse exercício de resgate é fundamental para se provar que a vida valeu a pena. É óbvio que você não terá a felicidade estampada nos olhos de todos em virtude da vida difícil que alguns estão enfrentando por consequência de escolhas ou por obra do acaso nas atuais circunstâncias que cada um deles vive.
Seu portão vivia cheio de vozes na infância, cheio de vidas representadas por corações puros de crianças na ânsia de brincar, correr, ser livre na imaginação e de fato eram. Quanto da sua memória infantil você consegue recordar? Sua memória hoje consegue te fazer recordar dos pensamentos puros e inocentes da sua infância? Faça uma retrospectiva da primeira memória da sua infância e tente ver exatamente qual era aquela idade. Por exemplo, particularmente, eu, Nilo Deyson Monteiro Pessanha, tenho lapsos extensos de quando tinha 2 anos de idade, talvez pelo fato de recordar como meu pai chegava do trabalho e das coisas que ele e minha mãe faziam em movimentos, onde antes dele morrer de leucemia, minha mãe raspava a cabeça dele na varanda em 1983, bem como ele brincando na mesa da cozinha na janta, ao chegar do trabalho abria os braços no portão do jardim e até das idas na rua comigo e meu irmão Charle. No seu caso, amigo leitor, essa provocação de levá-lo ao passado distante é para você entender quem era e no que você se tornou.
Suas brincadeiras na rua com seus colegas talvez te tragam lágrimas por conta da vida que hoje você leva ser o oposto da felicidade, e o detalhe é que a felicidade está no se divertir no caos. Você se lembra das brincadeiras de pique-pega? Pique-estátua? Você tinha que sobreviver até o final para se manter no jogo, assim é a vida real. Mas uma boa metáfora pode ajudar nas suas decisões a partir do entendimento de que a vida não é tão séria ao ponto de você, mesmo no caos, não poder apreciar com gargalhadas essa experiência chamada vida.
Você também pode gostar
Seu portão está vazio, sumiram as vozes na caverna de Platão. Antes, muitas crianças com você, hoje, você sem muitos adultos dentro do contrato social e perdendo a dimensão cada dia a mais para uma ilusão do vigiar e punir diante da servidão voluntária, onde cadáveres adiados param a vida da contemplação para viver a vida da exaustão. Quem é você? O que se perdeu da sua criança?
Enfim, seu portão não está vazio! Ele está cheio de lembranças e vocês, sim, lembram daquele domingo de manhã na sua infância que te marcou?
“A reflexão da vida se faz necessária quando é possível não vencer a influência da infância e suas vozes no portão cheio de gritos de vamos brincar na rua…”
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
Palestrante, filósofo e escritor.
Agende conosco pelos contatos abaixo.
