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Uma presença consciente na infância forma um adulto consciente

Garoto olhando para o mar
Michał Parzuchowski/Unsplash
Dulcineia Santos
Escrito por Dulcineia Santos

Quando minha família veio me visitar, viemos para Portugal. Estávamos andando pelas falésias. Em um certo ponto, vi meu marido andando muito na beirinha. Como eu tenho muito medo de altura, avisei: “Cuidado, vai mais para o outro lado!” E a minha sobrinha de 9 anos, que estava de mãos dadas comigo, e até então se divertindo, franziu a testa e gritou para o pai dela, que também ia mais à frente: “Pai, cuidado!”

E, naquele momento, percebi: eu tinha passado meu medo para ela. Bastou uma vez: os demais dias em que ela ficou aqui, estava sempre preocupada se estávamos nos arriscando.

Mulher falando no ouvido de criança
Sai De Silva/Unsplash

Naquele dia, aprendi várias lições: a) às vezes mesmo com conhecimento, a gente acaba passando nossos condicionamentos para as crianças sem perceber; b) o quanto nosso exemplo vale tão mais do que palavras e c) o quanto deve ser difícil estar alerta para isso todos os dias como mãe, pai, professores.

Para a Antroposofia, a infância, especialmente dos 0 aos 7 anos, é a fase de maior importância na formação do ser humano: se essa criança vai ter confiança em si mesma (se teve um ambiente em que pudesse se expressar); no mundo (se, por exemplo, aprendeu com os ritmos da natureza que a cada ano a árvore vai dar fruto); se aprendeu pelo amor (figura de autoridade que a ensinou a ver que o mundo é bom) etc.

Além disso, dos 0 aos 3 anos falamos sobre as conquistas da criança: andar, falar, o Eu. Podemos relacionar essas conquistas do primeiro setênio com uma frase muito conhecida de Cristo: Eu sou o caminho (o andar), a verdade (o falar) e a vida (o Eu).

Mulher segurando a mão de uma criança que está olhando para o lago
Guillaume de Germain/Unsplash

Na psicanálise, Laplanche e Pontalis apontam como se inicia a neurose durante essa fase também, definindo-a como uma doença em que “os sintomas são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem raízes na história infantil do sujeito, e constitui compromissos entre o desejo e a defesa”. É na infância também que estão os conflitos de ordem sexual.

No segundo setênio, quando se desenvolvem os órgãos do sentir, que são também órgãos de troca com o mundo (coração, pulmão), além da questão de desenvolver confiança por meio dos ritmos da natureza, é quando a criança abre a janela para o mundo (a queda dos dentes), e começa a perceber que ele não é tão perfeito quanto parecia no primeiro setênio: ela vê injustiças, tem medo da morte, da perda.

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O nosso papel como figura na vida da criança é ajudá-la a sentir que tanto sua casa quanto seu corpo são lugares bons para se morar; ajudá-la a desenvolver a devoção, a ver beleza no mundo e, assim, contribuir para que no futuro haja adultos que possam mais ajudar do que ser ajudados.

Sobre o autor

Dulcineia Santos

Dulcineia Santos

Dulcinéia Santos é terapeuta multidimensional, life coach e praticante certificada das ferramentas MBTI® de tipos psicológicos e Barras de Access®. É também autora do livro: “A Namorada do Dom”, em que conta sobre as lições que aprendeu nos relacionamentos e sua jornada até a Suíça.

Acredita que a vida é cheia de lições, e que se não as aprendemos não passamos pro próximo nível do jogo. Saiu de casa cedo e foi morar no mundo – agora está na Suíça, onde estudou antroposofia por três anos. Gosta de tomar cerveja no boteco enquanto papeia, de aconselhar, da língua portuguesa, de cozinhar, de ficar só e de flexibilidade de horários. É esotérica, mas acha que estamos encarnados para viver as experiências terrenas com o pé no chão – de preferência dançando.

Formações:
Brain Based Coaching Certification
NeuroLeadership Group - Londres

MBTI® - Myers-Briggs Type Indicator - Step I and Step II
Myers-Briggs Foundation - Florida, USA

Antroposofia
Goetheanum - Dornach, Suíça

Terapia Multidimensional
Genebra - Suíça

Access Bars®
Nyon - Suíça

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