Autoconhecimento Psicanálise

Os gigantes adoentados da nossa personalidade

Jaqueline Souza Alves
A primeira e essencial missão do ser humano ao nascer é, então, a tarefa de manter-se vivo. E para isso, instintivamente, somos dotados de habilidades que, somadas aos cuidados dos pais ou avós, ou cuidadores, têm como objetivo dar êxito para essa primeira etapa do ser. Nascemos egocêntricos, instintivo nesse primeiro momento e com o objetivo de recebermos cuidados ao menor sinal de desconforto, garantindo acesso aos cuidados necessários para a sobrevivência.

Experimentamos a onipotência, prazerosa sensação do comando, controle sobre o outro, sobre as situações, etc. Com o passar dos meses, aprendemos a ser propiciatórios. Agora para manter os ganhos de participar da onipotência dos cuidadores. Aprendemos facilmente o “dar para receber”. Esse movimento traz para a criança em desenvolvimento a sensação do acolhimento e aceitação pela aprovação do adulto, o que traz de novo o equilíbrio perdido pela contrariedade e perda de homeostase interna, experimentados desde o primeiro “NÃO PODE” do bebê.

Ao experimentar o NÃO, o indivíduo em desenvolvimento sente o desagradável sentimento da contrariedade e, à medida que amadurece, as estruturas de pensamento e raciocínio lógico se desenvolvem em capacidade de aprendizado. Com a maturidade, fazemos aquisições de habilidades e aprendizado frente à contrariedade, pelo uso adequado da razão.

Porém, o processo de desenvolvimento e aprendizado é heterogêneo em função da diversidade de cultura, costumes da família, crenças religiosas, do processo educacional além das predileções orgânicas, psíquicas e emocionais que cada indivíduo carrega em sua constituição única. A partir de então as estruturas egocêntricas do indivíduo, inicialmente instintivas e necessárias para a sobrevivência do bebê e da criança, se “calcificam” na nossa estrutura de caráter, tornando-se “carapaça” de defesas, retardando o processo de aprendizado e evolução, missão empírica do ser humano. Essas estruturas egocêntricas não superadas pelo processo de amadurecimento e aprendizado, tornam-se gigantes adoentados dentro de nós, com consequências para nós e nossos relacionamentos.

Essa estrutura egocêntrica, manifestada como verdadeiros gigantes adoentados em nós, são identificados pelas seguintes características do comportamento:

1 – Acomodação

Agudo: Necessidade fisiológica ligada ao descanso.

Crônico:

  • Preguiça

Incapacidade de renunciar a necessidade de descanso para fazer algo ou para ajudar a si ou aos outros.

  • Procrastinação

Depois eu faço, depois eu falo, depois eu treino, depois eu limpo, depois eu ajudo, depois eu doo, depois eu estudo…

2 – Egoísmo, Posse, Apegos

Necessidade crônica de “Ter” para estar feliz.

Ligado com as estruturas de reconhecimento* (ser amado, valorizado, aceito).

Ligado ainda com a ausência de misericórdia.

– Apego ao Tempo: não ouve, não ajuda, não coopera quando solicitado, gerando incapacidade de renunciar ao seu tempo em favor dos outros.

– Apego às Coisas: dependência emocional de coisas para si. Apego material.

– Apego Narcísico e/ou Emocional de Terceiros: dependência emocional das pessoas, vaidade estética crônica para atender as suas necessidades de segurança e reconhecimento. Apego afetivo.

3 – Sentimentos de Superioridade

Herança do instinto de dominação e de supremacia do homem sobre os animais.

Necessidade de ser reconhecido para ser feliz. Onipotência e Narcisismo Primário experimentados pelo bebê.

Superioridade idealizada.

Desenvolve com isso uma incapacidade de renunciar a sua vaidade física, intelectual e espiritual, tornando-se DEPENDENTE EMOCIONAL da necessidade de ser amado, elogiado, valorizado e aceito para estar feliz.

Importante: Não desenvolve capacidade de aprendizado à contrariedade pelo uso adequado da razão.

Consequências: Arrogância ou Orgulho Crônico – Vaidade da Perfeição.

– Narcisismo: Vaidade Física ou Estética

Ex.: (auto)investimento para ser o (a) mais belo (a) para ser amado (a), valorizado (a) e socialmente aceito (a), a libido é descarregada no próprio Ego (base das doenças psíquicas severas).

– Prepotência: Vaidade do poder

Ex.: ser reconhecido (a) pela superioridade do seu cargo, $$$, autoridade, posição social, etc.

– Presunção: Vaidade do saber

Expressão essencial do orgulho. Impede que você aceite seus erros, suas imperfeições ou dos outros, impedindo de perdoar. Estagnação do aprendizado!

4 – Sentimentos de Inferioridade e de Menos Valia

(Indivíduo “Mimimi” Crônico)

Decorrentes da não obtenção da superioridade pretendida, do reconhecimento que você achava ser merecedor e que não consegue obter.

Gera perda de autoestima, fazendo o indivíduo buscar felicidade fora de si de forma crônica.

Ou seja, sentimentos de inferioridade são decorrentes da frustração por não ter sido reconhecido, aceito, valorizado ou amado da forma como acha que merece!

A inferioridade desencadeia a INVEJA e formas erradas de pensar e agir, nos COMPARANDO e JULGANDO por PADRÕES IMPERFEITOS.

Consequências: Perda de autoestima decorrente da forma errada de pensar e agir.

– Em relação ao estético: sou feio, sou gorda, sou magra demais, meu cabelo é ruim, etc.

– Em relação ao intelecto: sou burro, não faço nada direito, não consigo, ela é mais inteligente que eu, sou incapaz, não presto para nada, etc.

– Em relação às frustrações por uma superioridade não alcançada: é difícil, como sou infeliz, nada dá certo para mim, todos são melhores que eu, sou inútil, etc.

– Inferioridade ligada aos sentimentos de rejeição: ninguém me ama, minha mãe gosta mais do meu irmão, sou fracassado, etc.

Quais são os sentimentos que te aprisionam na estagnação do seu aprendizado, da sua evolução?

A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”

– Mahatma Gandhi.

*teoria da motivação de Maslow

Sobre o autor

Jaqueline Souza Alves

Jaqueline Souza Alves

Psicanalista Clínica, atua na análise e orientação de adolescentes, adultos e
família com uso de processo de Individuação (Jung) e Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente.

Atuou por 15 anos em Multinacionais Americanas nas áreas de Manutenção, Saúde, Meio Ambiente e de Segurança do Trabalho, contribuindo como líder na formação de equipes de alto desempenho nas cidades de Campinas, Mogi Mirim, Valinhos, Guarulhos, São Jose dos Campos e Guaratinguetá - SP e Caxias do Sul – RS com foco na mudança de comportamento para construção da cultura organizacional sustentável.

Participou de programas corporativos de formação de liderança com foco em gestão de mudanças e comportamento: Influencer & Leading Change – Cleveland/EUA

- Future Leaders - San Juan/Porto Rico & Pittsburg/EUA • Green
Belt Training – Cleveland/EUA, além de conferencias e auditorias corporativas:
Lead Assessment - Kings Mountain/EUA • Wordwild Conference - Chicago /EUA
- Annual Summer Meeting - Nashiville/EUA • Lead Assessment – San Juan/Costa
Rica.
- Contribuiu com as comunidades chave por onde passou, desenvolvendo projetos de educação ambiental e inclusão.
- A formação na área de Bioquímica e Engenharia Sanitária pela PUC-Campinas e UNICAMP, somados a experiência profissional, agregam importante valor na atuação clínica, permitindo o uso de ferramentas e métodos adaptados ao perfil e a necessidade do indivíduo.

Contatos:
Site: psiquelab.com.br
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E-mail: [email protected]
Telefone: 11 9.8218-8804

Especialidades:
Gestão pessoal de conflitos, life coaching, desenvolvimento e sexualidade,
individuação, hipnose.