Autoconhecimento Comportamento

Nascer, crescer e morrer

Ramo de folhas nascendo entre pequenas pedras
Oscar José
Escrito por Oscar José

Como todos sabem, nascemos, crescemos e morremos em um minúsculo grão de areia, se formos comparar com o tamanho da galáxia, em um pequeno e quase imperceptível planeta chamado Terra.

O que nem todos sabem (ou não querem saber) é que não somos os únicos seres inteligentes da galáxia. Mas não tão inteligentes, haja vista os rumos que tomamos em toda a nossa caminhada por estas terras e existência da humanidade.

Nossa realidade é extremamente densa e controladora. Ela nos torna praticamente incapazes absolutos de sentimentos, emoções e ideias, que possam ser libertadoras e reveladoras de muitas outras possibilidades de vida, que vão se chocar profundamente com tudo que nos foi revelado por toda nossa frágil e indelével existência.

De pais para filhos nos passaram crenças quase impossíveis de serem extirpadas de nosso ser.

Mudar ou transgredir algo talvez seja tão absolutamente doloroso e, para muitos, tão impossível quanto arrancar o coração fora do corpo e continuar existindo.

Flor dente de leão no foco se desfazendo com o vento com fundo desfocado com por do sol

Estamos cercados por todas as espécies de muros, grades, barreiras, hologramas, manipulações, em uma vida egoísta, falsa e competitiva.
Acorrentados e amordaçados, sem ao menos nos apercebermos.
Uma prisão invisível.
Presos sem conhecimento.
Sempre achamos que somos livres.
E muitos ainda assim pensam.
A grande maioria acredita em liberdade até hoje, e, talvez, para sempre.
Mas, para muitos de nós, de um passado recente, alguns poucos anos, até os dias atuais, começa a crescer uma visão do todo, de quem somos, por que viemos e para onde vamos.

As pessoas começaram, inicialmente, em um ritmo lento e, atualmente, vemos este processo se acelerando cada vez mais, a acordar para uma nova vida.
Já não basta mais nascer, crescer e morrer.
Vamos mudar esses verbos.
Existe algo muito mais importante e fundamental, difícil de explicar muitas vezes, mas que vem ganhando corpo e espaço em nossa nova vida e propósito.
A pessoa que desperta, acorda, não ouve um chamado de algo ou alguém, ela sente esse chamado, muito forte e emocionante.
Sente a força do amor, muitas vezes não sutil, praticamente forçando-a a trocar abruptamente de rota. Sem qualquer explicação. Simplesmente parece ser uma ordem do Universo.

Em uma noite fria do inverno gaúcho, cerca de 40 anos atrás,
estava eu na casa dos pais de minha esposa, ainda na qualidade de namorado, alegremente sorrindo com ela, pois sempre a amei muito e o faço até os dias de hoje.

De repente um chamado rompe a alegria do momento, pois o vizinho da casa ao lado havia se sentido mal e havia caído no chão.
Saímos todos correndo, eu, minha namorada e meu sogro.
Vimos, então, o vizinho caído na sala da casa, inerte.
Havia acabado de falecer.
Tínhamos de colocá-lo na cama, nesse primeiro momento.
Meu sogro o segurou pelos braços e fiquei encarregado de o segurar pelas pernas para colocá-lo na cama.
Olhei tristemente para ele. Tinha a visão de todo o seu corpo.
Eram poucos passos até chegar na cama, mas que, para mim, viraram uma eternidade, pois um turbilhão de sentimentos veio, de forma inesperada, à tona para mim.
Nessa época era uma pessoa muito materialista e acumuladora.

 

Por do sol com homem caminhando na sombra e pássaros voando

Era diretor de uma pequena empresa de propriedade de meu pai. Meu único interesse na vida era ter sucesso financeiro e reconhecimento público e social das virtudes que acreditava que tinha. Um vencedor. Apenas pensava em mim mesmo e na possibilidade de dar uma vida cheia de bens materiais à minha futura esposa e formar uma família inteira de sucesso.

Isso era o que eu almejava: ser o líder de uma jovem família de sucesso. Prosperidade e segurança. Nada mais.

Mas esses poucos segundos que me separavam desde o início do transporte do vizinho morto para o seu leito mudaram definitivamente minha vida.
Percebi uma forte emoção principal: de que a vida não poderia ser só isso. Sentia que havia algo mais, e que estava, naquele instante, se manifestando, quase que como um grito, um uivo.
Muito forte. Tudo veio abaixo. Senti o outro lado da vida. O lado que não podemos ver, mas que podemos sentir.
Algo estava muito errado na vida que levava até então.
A vida não era simplesmente o que se desenhava até aquele momento.
Era, também, o que não podia ver, mas era necessário sentir.
Sentir extremamente forte.
Sentir é tremendamente mais forte do que ver.
Tão forte, que estas palavras nunca vão conseguir descrever.
Muita coisa mudou para mim, a partir daquele momento.
E vem mudando até os dias de hoje.
Sou outra pessoa.
O amor incondicional começou a fazer parte de tudo, para resumir.
Era o início para mim de uma vida, agora com um único verbo: amar.

Havia acabado de acordar.


Você pode gostar de outro texto do autor. Veja aqui: Fragmentos da Existência

Sobre o autor

Oscar José

Oscar José

Sou o Oscar Port.

Escrevo sobre espiritualidade.

Embora não tenha feito cursos a respeito do tema, procuro desenvolver o assunto com muita sensibilidade, sempre transmitindo muito amor e emoção, algo que as pessoas muito precisam nos dias de hoje.

Graduado pela Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul, como Engenheiro Mecânico.

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