Medicina Tradicional Chinesa

Noções básicas dos fundamentos da MTC aplicadas às Artes Corporais Terapêuticas – Parte 2

Par de mãos segurando chá com símbolo do ying yang
Mofles / Getty Images / Canva

No artigo anterior, falei sobre a Teoria de Yin e Yang, nesse começo falando sobre o Qi (a pronúncia é tchi).

Ao entendermos o ideograma do Qi, fica fácil entender seu conceito.

Ele é composto de dois ideogramas:

O primeiro significa vapor, algo volátil, móvel, aéreo.

Ideograma de Vapor
Imagem cedida pelo autor Alexandre Maradei Nogueira

O segundo significa arroz, aquilo que nutre, alimento.

Ideograma de QI
Imagem cedida pelo autor Alexandre Maradei Nogueira

Ideograma de Qi é o vapor que sobe, se dissipa, volatiza enquanto o arroz (o alimento que nutre) está sendo cozido.

Ideograma de Arroz
Imagem cedida pelo autor Alexandre Maradei Nogueira

Portanto a MTC diz que o Qi pode ser considerado como o “Sopro Vital” (ou Sopro Nutridor) que anima todas as coisas do Universo, envolvendo-as por fora e preenchendo-as por dentro. É uma substância fundamental na manutenção da vida, pois nutre os corpos, tanto físico como os corpos sutis.

Enquanto houver Qi circulando há vida. Quando o Qi se esgota e para de circular, a vida acaba.

Segundo a MTC as funções fisiológicas são explicadas partindo do seu movimento contínuo e de suas mutações. São funções do Qi:

Promover o crescimento e desenvolvimento do corpo.

Transformar os alimentos ingeridos e formar o sangue e fluidos corporais.

Aquecer e regular a temperatura do corpo.

Governar a circulação do sangue e linfa.

Controlar todos os fluidos do corpo (saliva, urina, suor, lágrimas, sucos gástrico e intestinal, bile, suco pancreático, liquido cefalorraquidiano, sêmen, fluido menstrual) e evitar produção e perda excessiva ou inadequada desses.

Governar as fases do metabolismo.

Manter a estática dos órgãos (permitir os movimentos necessários, como o peristaltismo dos órgãos digestórios, contração e retração dos músculos etc.) sem que eles deixem seus lugares adequados no corpo (como ocorre em hérnias e prolapsos).

Proteger contra a invasão do Qi perverso (frio ou calor excessivos, umidade ou secura do ar inadequadas, efeitos de radiação de aparelhos celulares etc.)

Em seu estado original e fundamental, o Qi depende de três fontes:

Qi pré-natal, transmitido pelos pais na fecundação. Sua fonte são os rins. Esse Qi vai se esgotando durante a vida. É como ter o tanque cheio de um carro que se esvaindo durante seu uso. Os chineses também dizem que, no momento da concepção, o estado (de saúde, emocional) em que os pais se encontravam durante a fecundação interfere na quantidade e qualidade do Qi pré-natal. Isso explicaria o porquê de certas pessoas terem mais vitalidade que outras.

Qi terrestre. Esse provém dos alimentos (incluindo a água e sua qualidade) que ingerimos e deriva da respectiva digestão desses alimentos. A quantidade de sua presença nos alimentos tem a seguinte sequência (de maior a menor quantidade).

  • Alimentos em contato direto com a terra (raízes, tubérculos, trufas).
  • Talos, frutos e grãos.
  • Folhas.
  • Ovos e ovas em geral.
  • Carnes e vísceras.

Alimentos ultraprocessados têm uma quantidade ínfima de Qi terrestre.

Um "hotpot", comida típica chinesa
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A água é fundamental, pois todas as reações fisiológicas ocorrem em meio aquoso.

Qi celeste. Extraído pelo pulmão do ar que respiramos. Exercícios respiratórios são importantes para melhorar a capacidade de os pulmões captarem cada vez mais Qi e filtrar melhor as impurezas do ar.

O Qi terrestre e o celeste são adquiridos durante a vida. Eles funcionam como reabastecimento do Qi pré-natal.

Esses três Qi juntos formam o Zhen Qi (Qi verdadeiro), que preenche o corpo inteiro, não havendo lugar que não o possua ou que ele não chegue. Porém, há situações que impedem o fluxo adequado do Qi pelo corpo, fazendo com que ele fique em excesso em certas regiões e estagnado noutras. Esse desequilíbrio gera estados doentios, mais ou menos graves de acordo com a quantidade de excesso ou estagnação.

Nas Artes Corporais Terapêuticas da MTC, obter a sensação da circulação do Qi é primordial. Seu movimento flui por tecidos, órgãos e meridianos em quatro direções básicas – de um centro ele sobe, desce, entra e sai. E essa percepção é obtida durante a prática do exercício por sensações como calor, leve formigamento, às vezes leves tremores, e uma agradável sensação de aumento da tonicidade da musculatura, um intumescimento que dá a sensação de eficácia do resultado da prática dos exercícios.

Sem falar do aumento da quantidade e qualidade do Qi celeste pela melhora na função dos pulmões e também do Qi terrestre pela melhora da função do estômago. No próximo artigo veremos que há uma relação entre musculatura e o meridiano do estômago

Mulher de camisa branca meditando
StockLite / Canva

Outro conceito importante é o de Força Interna – Nei Jing

Quando realizamos os exercícios das Artes Corporais Terapêuticas da MTC devemos obter a sensação de um intumescimento muscular que não decorre de força muscular, e sim de uma força que nasce do Zhen Qi. Isso é o Nei Jing, uma força que controla a força muscular para que ela não seja gerada em excesso (o que causaria desgaste nas articulações, lesões em fibras musculares, geração excessiva de calor) nem inadequada (o que não aumentaria o tônus e a qualidade do movimento e o fortalecimento da musculatura, para garantir estabilidade articular e melhora na postura).

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Pode parecer um pouco difícil de entender esse conceito, mas durante a prática contínua a percepção da circulação do Qi e obtenção da Força Interna vão ficando cada vez mais palpáveis.

Termino este artigo com um princípio das Artes Corporais Terapêuticas da MTC:

Que a intenção lidere o Qi, que esse dê origem à Força Interna (Nei Jing) e que essa alcance as quatro extremidades. Treine o que tem forma (músculos, tendões e ossos) para serem colaboradores daquilo sem forma (Qi) e então o que não tem forma dá assistência ao que tem forma.”

No próximo concluirei as noções básicas dos fundamentos da MTC aplicadas às Artes Corporais Terapêuticas.

Até lá!

Sobre o autor

Alexandre Maradei Nogueira

Alexandre Maradei Nogueira

Graduado em enfermagem pela Unisantos, desde 1990. Trabalhou quase que exclusivamente na docência (em especial de anatomia humana) e deixou de exercer a profissão há 15 anos para se dedicar profissionalmente à terapia holística.

Em 2005 obteve o título de especialista em artes corporais terapêuticas em medicina tradicional chinesa pela Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário Senac.

Formou-se em astrologia em 1997 na Escola Santista de Astrologia e especializou-se em astrologia e saúde pela Gaia Escola de Astrologia, em 2005.

Integrou a 1ª turma do CPG (Central de Pesquisas Gaia) na Gaia Escola de Astrologia, onde obteve o 1º lugar no Prêmio Novos Astrólogos com a pesquisa “Marte e a Linguagem Corporal”. Esse trabalho foi publicado na 8ª edição do CBA (Caderno Brasileiro de Astrologia).

É canceriano com ascendente e Lua em Peixes.

Em 2010 tornou-se reikiano nível III.

Em 2011 tornou-se Master Teacher in Magnified Healing® 1ª fase.

Em 2021 tornou-se terapeuta praticante de Magnified Healing 3ª fase – Light Healing®.

Possui um espaço terapêutico no qual atende em seu consultório, ministra cursos, dá palestras e conduz semanalmente Meditação da Chama Violeta e um Grupo de Estudos sobre Espiritualidade.

Ministra cursos em diversos locais pelo Brasil.

É terapeuta voluntário na Casa da Luz Santos (https://www.facebook.com/casadaluzsantos – @casadaluzsantos), onde coordena o atendimento de Reiki dos Bichinhos.

É terapeuta credenciado ao Sinte desde 2012 – CRT 47268

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